
Os Mercenários (The Expendables,EUA,2010)
Stallone em plena forma+viagem no tempo+nostalgia boa= Um autêntico FILME PRA MACHO!
Quando surgiram os créditos inicias e os nomes de peso do cinema de ação pipocando na tela me senti aliviado, pois era o sinal que minha ansiedade estava para acabar. Como muitos, esperei bastante para ver o resultado dessa união de testosterona, e aguardava um verdadeiro FILME PRA MACHO!!! As críticas por aí estão muito divididas, alguns amaram outros odiaram. Eu gostei. O filme cumpriu com êxito seu objetivo que era entrar na máquina do tempo e reviver aquele velho cinema de ação dos anos 80. Explosões de exércitos inteiros, piadinhas sem graça (tão sem graças que se tornam hilárias!!), resgate da mocinha revolucionária, um traidor dentro da equipe, um malvado ditador latino americano e bala pra tudo quanto é lado!!! Está tudo lá, dentro de um roteiro pífio que beira o ridículo, mas história pra que? Com um time desses a diversão está garantida. O filme ri de si mesmo, se leva na brincadeira, e é ai que está a graça toda da coisa. A cena em que temos Bruce Willis, Stallone e Arnold Schwarzenegger reunidos é impagável e de total improviso, mas o filme reserva surpresas muito melhores e dignas de uma imensa nostalgia. Que saudade de filmes como “Duro de Matar”, “Comando para Matar”, “Rambo – Programado para matar”, “Máquina Mortifera” e “Robocop”. Em “Os Mercenários” o humor é evidente, mas o que me invadiu mesmo e vale ressaltar, foi a nostalgia, que falta fazem os filmes de ação de um tempo pré-CGI, depois dos efeitos especiais parece que os cineastas, em grande parte, se tornaram mais preguiçosos e passaram a valorizar menos o talento humano. Outro fato que o espectador deve notar é que "Os Mercenários" é de Stallone e Jason Stahan, o resto do elenco são coadjuvantes de luxo que aparecem nas horas certas, devidamente armados até os dentes ou com golpes e malabarismos cheios de estilo. O destaque especial fica para Terry Crews, o ex jogador de futebol americano se superou em uma de suas melhores atuações, que com certeza deve abrir as portas para ele no cinema de ação. Apesar de serem estilos diferentes, acho Crews muito mais carismático que Stahan que ficou com o "papel principal". Os defeitos existem. O principal deles é a falta de mortes, principalmente dos atores do alto escalão, também é estranho todas as estrelas estarem no mesmo time, com uma exceção que não é tão exceção assim - quem não viu vai descobrir. Mas somando tudo valeu esperar esse legítimo FILME PRA MACHO, ele chegou onde queria. E para os que não gostaram, encarem a vida com mais bom humor!!
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JVCD (Idem,França,2008)
Um novo Van Damme+Belíssima fotografia+Desabafo= um filme inimaginável
Surpreendente! Esse é o adjetivo para descrever o belga Jean-Claude Van Damme numa atuação nunca antes vista, vivendo ele mesmo. Isso mesmo. A história mostra a decadência do ator refletida no seu cansaço, forma física e em sérios problemas como a perda da guarda da sua filha. Portador de uma fotografia cinzenta, muitas vezes incolor, ”JVCD” é um drama forte e com personalidade do começo ao fim. Já imaginou Van Damme num filme assim? Nem eu. O resultado dessa “loucura” é sublime e se você não gostar, vai pelo menos ver uma obra completamente diferente de todas que o mestre do filmes de pancada já encarnou e só por isso “JVCD” já vale a exibição. Outro ponto forte do filme é poder ver e até sentir o descontentamento de Van Damme com a mídia em geral. Em um certo momento ele faz uma oração e seu corpo se eleva como num sonho, então Jean-Claude desabafa e derrama lágrimas que, com certeza, são sinceras e verdadeiras. Ele fala sobre tudo que já citei e mais um pouco. Essa cena ficou martelando na minha cabeça depois que a sessão acabou, quem diria que o astro de filmes como “Timecop” (“Guardião do Tempo” no Brasil) e “Grande Dragão Branco”, obras essas com grande aceitação popular e exibidas exatas 4300.857 vezes na TV aberta estrelaria uma película tão próxima da realidade como essa. Em uma frase: eu não perderia se fosse você!
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Cloverfield – Monstro (Cloverfield,EUA,2008)
Caos+medo+gritaria= Mais do mesmo
Ainda não entendi por que tanto barulho por esse “disaster-movie”, com elementos já usados anteriormente em “Cannibal Holocaust” e copiado descaradamente em “A Bruxa de Blair”. A mistura desses gêneros sob a ótica do diretor Matt Reeves não me agradou e apesar de todo marketing viral feito antes do lançamento do filme em 2008, só resolvi vê-lo agora e ainda pela coincidência de encontrá-lo passando em um canal de TV a cabo. Não me arrependi. A obra é um amontoado de gritaria, caos, medo e...mais gritaria. Tudo isso registrado por uma pequena câmera portátil, assim como já vimos em outros filmes do gênero, só que agora o terror atinge toda a Big Apple e temos um monstro ao estilo Godzilla destruindo tudo o que vê pela frente. O filme narra a história de cinco jovens, um deles está de mudança para o Japão (terra dos verdadeiros monstros gigantes!!!) e tudo começa na festa de despedida do dito cujo. Um dos seus colegas fica encarregado de filmar tudo o que acontece na festa e não demora muito para a ação começar. O ponto alto da película é mostrar o caos que toma conta de NY de uma maneira diferente, com uma fotografia bem obscura e ousada, mas não adianta porque o resto não empolga. Os personagens também não são nem um pouco carismáticos e o roteirista Drew Goddard deixa eles tão apequenados perto do terror e do próprio mostro que eu não me recordo o nome de nenhum deles. Talvez essa tenha sido a intenção dele e dos produtores, mas eu senti falta, ficou uma espécie de vazio. O monstro, personagem principal, vai sendo mostrado aos poucos e no final também não é grande coisa. Muito efeito especial por nada. “Cloverfield – Monstro” é uma tentativa do cinema americano de fazer, mais uma vez, um filme com grandes monstros só que peca pela falta de originalidade, tentando reinventar a roda sem sucesso.
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O Bebê de Rosemary (Rosemary's baby,EUA,1968)
Suspense com pitada de horror+mistério envolvente+roteiro impecável= Um dos melhores filmes da história
Taí um verdadeiro exemplo de cinema clássico e único. O diretor polonês Roman Polansky, ainda um cineasta em acessão na época, se consolidaria com essa obra de suspense com pequenas pitadas de horror. O casal Guy (Joe Cassavetes) e Rosemary Woodhouse (Mia Farrow) está de mudança para o seu novo apartamento e logo esperam ter um filho. Tudo vai de vento em poupa até conhecerem o casal de vizinhos Minie (Ruth Gordon, no papel que lhe rendeu um Oscar) e Roman (Sidney Blackmer) e pioram ainda mais depois que Rosemary fica grávida de fato. Ela começa a ter sonhos estranhos, ouve barulho nas paredes e enquanto isso o espectador fica sem saber no que acreditar. Sonho ou realidade? Seriam os vizinhos culpados? O marido? Uma história encaixada com milimétrica perfeição em um roteiro maravilhoso, também escrito por Polansky, que deixa o espectador com um senso de ambiguidade na cabeça. Se você não é dessa galáxia e não viu essa obra única, faça como eu, alugue!!!
Escrito por Léo Castelo Branco