Direção:Quentin Tarantino
EUA, 2007

Nesse último sábado, estive no Espaço Unibanco de Cinema em São Paulo, bem próximo a Avenida Paulista, para conferir o filme de Tarantino “À Prova de Morte”, obra de 2007 que só apareceu por aqui três anos depois do seu lançamento lá fora. E pra variar nós estamos sempre atrasados, né?!
Mudando de assunto, eu não poderia deixar de falar do Espaço, uma bela iniciativa do Unibanco em prol ao cinema. O local é convidativo, tem até um pequeno bar onde o povo costuma sentar e conversar após a sessão, algo que é muito comum na Europa.
Os preços das entradas são um pouco salgados (R$ 18,00 inteira e R$ 9,00 meia), mas vale a pena porque a sala é bem ampla e as cadeiras são muito confortáveis. Em frente ao Espaço ficam alguns ambulantes que vendem DVDs de filmes de arte, livros e outras quinquilharias culturais.
O único defeito são os banheiros, ou melhor, o banheiro. Só tem um, por incrível que pareça, e ainda por cima fica aquela fila métrica de gente apertada. Mas é algo facilmente esquecido quando pensamos no bem estar da cultura.
Agora falando do filme, Tarantino é Tarantino, só que aqui não me agradou muito não. A história é bem simplória, um dublê (Kurt Russel) persegue grupos de garotas no seu belo Camaro e é basicamente isso (e mais um monte de blá blá blá...), claro que tem o charme “Tarantinesco”.

Kurt está muito bem no papel do Dublê Mike, um verdadeiro canastrão. Mas só isso é pouco, as cenas são muito longas, com diálogos em 90% das vezes referentes á drogas ou sexo. Tá, eu sei que é o estilo Tarantino, tudo bem, mas quando quatro pessoas deixam a sessão no meio da exibição é porque algo não está bem.
E não estava. A minha esperança de um bom filme foi por água a baixo com as longas conversas que não mudaram em nada o destino do filme, algo até comum hoje em dia, só que dessa vez senti um exagero.
A película é cansativa até para o estilo de Tarantino, ela se arrasta por longas duas horas, podendo ser resolvida muito bem em 90 minutos. Já aviso para quem pensa que vai ver perseguições ao estilo “60 segundos”, pode esquecer. O filme é totalmente parado, propiciando ao espectador poucas cenas interessantes.
Alisando a fotografia também de Tarantino, juntamente com a direção de arte, temos nada menos que a perfeição. Uma sincera e maravilhosa homenagem aos anos 70 e os filmes de velocidade dos 70 - também com diversas citações. Tarantino brinca de fazer cinema mais uma vez, e esse é o ponto alto do filme: a sua liberdade poética e sua estética. O roteiro e os personagens sem o menor carisma deixam muito desejar.
“À Prova de Morte” é, em suma, uma embalagem muito bonita, porém sem conteúdo.
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