anuncio

Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Adaptação (2002)

Adaptation
Direção: Spike Jonze
EUA,2002

Você sabe o que é metalinguagem? É o ato de usar uma linguagem para falar dela mesma ou, no caso de um filme, seria uma película que discute o próprio cinema ou sua própria criação. “Cantando na Chuva” faz uma experiência memorável que mostra, de maneira muito divertida, a transição do cinema mudo para o falado. “Cinema Paradiso” leva à tela um jeito belo e poético de falar sobre todo o encantamento que o cinema traz às pessoas. “A Sombra do Vampiro” é um filme dentro do filme no qual, após não conseguir os diretos de “Drácula”, de Bram Stoker, o diretor decide mudar o nome do protagonista e local onde se passa a história para ir em frente com seu projeto.

Mas o melhor exemplo de metalinguagem no cinema é sem dúvida “Adaptação”, que também tem presença garantida na lista dos meus 10 melhores filmes de todos os tempos. A obra narra a história de Charlie Kaufman, o próprio roteirista do filme que se inclui na trama, na busca da melhor maneira de passar para as telas o livro “O Ladrão de Orquídeas”, de Susan Orlean. Mas logo ele percebe que passar o material para o cinema vai ser tarefa difícil, quase impossível, porque falta uma linha narrativa e uma história central.

É justamente nesse momento de pré-produção em que o filme se passa, tão natural que parece surgir na velocidade das palavras de Kaufman, interpretado por Nicolas Cage de maneira fora de série. O filme é uma mistura de realidade e ficção, com uma intensidade diferente em cada sequência, que nos faz pensar ser todo ele é baseado em fatos reais da produção. Grande parte dos eventos não deixa de ser, mas não vou revelar aqui o que é ou não real para não influenciar quem é de Saturno e ainda não viu esse bibelô da sétima arte.

A história se desenrola em 2 núcleos: em um deles está Charlie, gordo, tímido e nada social com as mulheres, junto com seu irmão gêmeo Donald (também interpretado magistralmente por Nicolas Cage), que almeja se tornar um roteirista, é ambicioso e totalmente solto, ou seja, o contrário do irmão. Durante o filme, o conflito entre os dois vai do amor ao ódio, da ternura à falta de senso.
O outro núcleo conta a história do livro de Susan, interpretada com Meryl Streep na atuação que lhe rendeu a estatueta. Ela é uma jornalista casada (leia-se mal casada) que vai fazer uma reportagem sobre o doidão Jonh Laroche (Chris Cooper, genialmente genial e irreconhecível), um homem de meia idade que vive de roubar orquídeas raras dos pântanos da Flórida.

Os caminhos desses 4 personagens seguem paralelos até um explosivo encontro final, mostrando que uma reviravolta sempre pode (e deve) acontecer no cinema. E falando de Charlie Kaufman, o melhor roteirista de Hollywood atualmente, você pode esperar tudo, e quando falo tudo, é qualquer coisa mesmo. Basta lembrar duas de suas obras primas: “Quero ser Jonh Malkovich”, também do diretor Spike Jonze e o viajado “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, dirigido por Michel Gondry.

É muito difícil escrever sobre um filme tão complexo como “Adaptação”, cheio de sutilezas e armadilhas conceituais, mas resolvi tentar, porque além de ser um dos meus preferidos, fala muito sobre Robert Mckee e seu famoso Workshop de roteiro cinematográfico, o qual terei o prazer de fazer do dia 10 a 13 de setembro, aqui em São Paulo. E o melhor: farei um post especialíssimo com detalhes do curso!

No filme, Mckee (interpretado por Brian Cox) é literalmente detonado, apesar de ter papel fundamental no desenrolar da história. Ele é mostrado como um professor que xinga e trata os alunos como lixo, dono de um estrelismo além da conta.

E na vida real? Será Mckee um porco capitalista ou um gênio por trás de muitas estatuetas?

No próximo post conto tudo para vocês.

sábado, 31 de julho de 2010

Sede de Sangue (2009)

BAKJWI
Direção:Park Chon-wook
Coréia do Sul, 2009




Se você é daqueles fãs xiitas de filmes de vampiros e ainda não viu "Sede de
Sangue”,
então faça qualquer loucura para encontrar essa jóia rara que merece um destaque especial aqui no Estranhezas Cinematográficas por três motivos:

1) É único quando o assunto é vampiros no cinema.
2) É divertido e asqueroso ao mesmo tempo.
3) É uns dos filmes mais intensos já vistos por Léo Castelo Branco.


Bom, para começar, li umas críticas por aí e vi que meus amigos analistas cinematográficos em sua grande maioria classificaram esse filme como multi-gênero. Pois bem, vou totalmente na contramão, porque além de “Sede de Sangue” ser um filme único, na minha visão, criou um gênero único também.

Os takes do diretor sul-coreano Park Chon-wook (diretor do comentado “Oldboy”) são esplendidos, a câmera também é um personagem da trama, só falta conversar com os personagens, os seus movimentos é que dão velocidade aos diálogos e ações.



Esse estilo é a marca de Park, mas diferente de “Oldboy” e suas outras obras, aqui o diretor brinca com o fantástico de maneira vezes lúdica, vezes doentia. Algo que ele realmente nunca havia feito, surpreendendo mais uma vez.

A história começa quando o padre Sang-hyeon (Song Kang-ho, de O Hospedeiro), um homem com anseio de fazer o bem, arrisca sua vida se inscrevendo como cobaia para testes na pesquisa de uma doença incurável. Até então, nenhuma das pessoas que se inscreveram para o projeto sobreviveram. Porém, Sang-hyeon consegue resistir inexplicavelmente aos testes realizados com ele.

Logo ele começa a notar diferenças no seu metabolismo, ganha poderes, aversão ao sol e a necessidade de se alimentar de sangue humano para manter a doença sob controle. Sintomas clássicos do vampirismo.



No começo o padre-vampiro só suga sangue de doentes terminais e suicidas, mas pouco a pouco ele vai se transformando em um monstro, cada vez mais sedento por sangue, no melhor estilo Nosferatu.

No segundo ato somos a apresentados ao seu amigo de infância Kang-woo (Ha-kyun Shin), sua esposa Tae-ju (Ok-bin Kim) e sua mãe Lady Ra (Hae-sook Kim). Desse núcleo derivam uma série de situações inusitadas, bem ao estilo do diretor Chan-wook, tudo muito intenso e sentido.

O filme segue e vemos uma bonita história de amor banhada com muito sangue, é claro. Essa história é o fio condutor da película, mas não vou revelar mais detalhes para não perder a graça, porque quem conhece as obras de Park sabe que nada é por acaso e tudo tem um porquê.



Cenas fortes são uma constante nos filmes do diretor sul-coreano, por isso, para quem gosta, “Sede de Vingança” é um prato cheio com direito a entrada e sobremesa. O vampirismo é tratado de maneira carnal e erótica, impossível não sentir um clima perturbador desde que a fita começa a rolar.

Essa é uma película para quem tem a mente aberta, definitivamente passa longe dos estereótipos de Hollywood e consegue marcar o espectador com cenas que ficam na memória, mesmo que, quem assista não queira rever o filme por um bom tempo.

Como já falei, a obra consegue ser engraçada em alguns momentos, mas nunca fugindo do seu objetivo nostálgico, esse fato é que diferencia essa das outras obras do diretor oriental. Em “Sede de Sangue” Park Chon-wook mostrou ao mundo que hoje ainda é possível ser original, ainda mais em um gênero tão explorado.

Concluindo: “Sede de Sangue” é o filme que “Crepúsculo” quer ser quando crescer.

**

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Beavis e Butthead detonam a América (1996)

BEAVIS AND BUTTHEAD DO AMERICA
Direção: Mike Judge e Yvette Kaplan
EUA, 1996.



O cinema já produziu grandes duplas que fizeram, ou melhor, fazem a cabeça do público até hoje. E muitas novas ainda surgirão durante a presente e futura modernidade. Martin Riggs (Mel Gibson) e Roger Murtaugh (Danny Glover) do filme “Máquina Mortífera”, Ripley (Sigourney Weaver) e a Criatura nos filmes da série “Alien”, Umma Thurman e John Travolta em “Pulp Fiction”, são só alguns GRANDES exemplos.

Já imaginou o Gordo sem o Magro? Jack Lemmon sem Walter Matthau? Oscarito sem Grande Otelo? É difícil, para mim pelo menos. As duplas geralmente criam raízes e fica complicado para o público separá-las, para muitos, eu diria, que é impossível.E não é só no cinema, na música e na literatura as duplas estão sempre lá, uma completando a outra e cativando o público a seu modo.



Enfim, chega de enrolação porque hoje é dia de falar de uma dupla muito especial para mim. Lá nos meus primórdios, 95-96, conheci esse desenho chamado "Beavis and Butt-Head" quando a MTV deixava de engatinhar aqui no Brasil.

Minha mente juvenil em completa expansão, principalmente por podreiras de plantão, adorou o que viu: dois garotos roqueiros que vivem na cidade fictícia de Highland, na fase pós-puberdade, completamente americanizados, viciados em nachos (uma espécie de Doritos), comentando video-clipes e anarquizando tudo!!!

Tá, à primeira vista parece a coisa mais idiota que já foi produzida, só que essa idiotice em excesso é, na verdade, uma crítica aos padrões e à adolescência americanizada da época, e porque não à atual também, afinal, não melhorou muita coisa.



Para mim "Beavis e Butt-Head" está entre as maiores duplas de todos os tempos do meio artístico. Por que? Simples, eles são a escória da sociedade, cabeças de vento, péssimos vizinhos, péssimos alunos e unicamente engraçados.

Agora ponha tudo isso no liquidificador, juntamente com traços simples, diálogos mais simples ainda e todos os ingredientes capazes de deixar um moralista de cabelo, barba e bigode em pé. O resultado? O desenho mais politicamente incorreto já produzido até hoje, o que cai como uma luva aqui, no Estranhezas Cinematográficas.

A série foi criada no ínicio dos anos 90 por Mike Judge (que mais tarde criaria o pop “O Rei do Pedaço”), e foi inspirada na própria infância-adolescência de seu criador, ele mesmo declarou que Butt-Head se baseia em um colega seu de turma que chamava todos da turma para chutar o seu próprio traseiro e se autodemonominava “Traseiro de Ferro” (Iron Butt).



O mais interessante é que, além de criar e escrever, Judge, faz as vozes dos pequenos delinquentes, o que é a marca da registrada da série. As risadas sequenciais e ofegantes da dupla são, de fato, únicas e dão a pitada certa de originalidade, o que estava em grande seca nesse período, porque em se falando em animações adultas, tínhamos apenas os “Simpsons” e alguns outros tímidos exemplos.

O linguajar usado pelos dois é praticamente monossilábico e tipicamente maconheiro: “só”, “legal” e “massa” são 90% dos diálogos, os outros 10% ficam por conta de palavrões impublicáveis aqui.

Essas características tão peculiares e esse “não compromisso” tornaram "Beavis e Butt-Head" um sucesso na época, sucesso que em 96, aumentou o formato e foi parar na telona para o delírio dos fãs.



Por incrível que pareça o filme manteve o espírito da série. Sim, ele consegue até ser ainda mais divertido, levando o espectador a sérios ataques de risos. E, sim, esse é um filme para se ver bêbado e chapado com os amigos.

“Beavis e Butt-Head detonam a América”, foi uma “aposta” da Paramount mediante ao sucesso da série, produzido com o alto orçamento de 12 milhões de dólares (alto para época e para uma animação) . Infelizmente não achei a bilheteria, se alguém souber, por favor, coloque nos comentários.



É até engraçado comparar o filme com os primeiros episódios da séria na televisão, a evolução de gráficos é notável. Agora imagine como vai ser o "Beavis e Butt-Head" do século XXI, isso mesmo, grande chance de, em breve, termos a nova versão televisiva da dupla. Não acredita? Copie e cole no seu navegador esse link: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/07/animacao-dos-anos-90-beavis-butthead-pode-voltar-diz-site.html .

Voltando à história do filme, tudo começa quando a nossa dupla acorda e descobre que sua preciosa TV foi roubada. A partir daí eles saem em busca do que os mantêm vivos e, de quebra, ainda quem sabe arrumar uma transa pelo caminho, ou como eles dizem, faturar.



Não demora muito, eles conhecem Muddy Grimes (dublado por Bruce Willis) que os confunde com matadores profissionais (!!!) e oferece US$ 10 mil para os dois irem a
Las Vegas “fazerem a sua mulher”. Só que os garotinhos, confundem “fazer” com “comer” e acham que se deram muito bem, ainda mais depois de verem a foto da gata Dallas Grimes (dublada por Demi More).

Preciso falar que a dupla topa de prima? Pois bem, na sequência embarcam para Vegas com os sinceros dizeres de Butt-Head: “Beavis, hoje é o melhor dia de nossas vidas, vamos finalmente faturar e ainda ser pagos para isso...”. Simplesmente impagável, sensacional e degradavelmente cômico.

Em Vegas, eles finalmente conhecem Dallas que os dá um perdido, os colocando na linha dos polícias que, agora, querem caçá-los e em pouco tempo eles serão considerados os homens mais perigosos da América (!!!). E, para piorar, Muddy descobre que eles não mataram sua mulher e vai partir atrás da dupla.



A partir daí, Beavis e Butt-Head iniciam uma viagem cruzando (e causando) pelos EUA e o filme entra no seu clímax. Vou deixar de contar para quem ainda não viu descobrir as pérolas que estarão na tela a seguir.

Por isso, se você não é dessa galáxia e não viu essa obra-prima do cinema sem noção corra agora pro Google, Torrent ou locadora e assista, pois é simplesmente obrigatório. Os episódios originais da série também podem ser encontrados com facilidade na rede e no Youtube.

E aí, vale uma sessão com os amigos e umas cervejinhas?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Centopéia Humana (2009)

THE HUMAN CENTIPEDE - THE FIRST SEQUENCE
Direção: Tom Six
Holanda e Reino Unido, 2009.



Existem experiências que só o cinema fantástico é capaz de dar a fórmula e com ela revelar ao mundo algo inovador. Alguns desses experimentos são considerados geniais e inteligentes, outros são arremessados direto no lixo pela crítica especializada, que também nem sempre faz isso com bom senso.

”A Centopéia Humana”
(The Human Centipede – The First Sequence, Holanda e Reino Unido, 2009) é um caso que mistura as duas teorias, o famoso “ame ou odeie” na mais literal linguagem popular. Afinal, um filme onde uma centopéia humana é o personagem principal causa, no mínimo, polêmica. Além dos mais diversos sentimentos que vão de nojo a ódio. Não acredita? Pague pra ver.



Essa produção em conjunto de Holanda e Reino Unido foi toda filmada em vídeo digital e teve orçamento baixíssimo. Simplesmente: “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”. Esse poder de independência cinematográfica, é algo inexprimível, pois qualquer um pode virar um diretor também. Ainda mais nos dias de hoje, onde é quase obrigatório efeitos e direções de arte milionárias à la Avatar, o que é mais um motivo para destacar essa obra corajosa e única. Uma centopéia humana, isso sim é arte!



Escrito e dirigido pelo holandês Tom Six, “A Centopéia Humana”, narra a história de duas turistas americanas em viagem pela Europa, Lindslay ( Ashley C. Willians) e Jenny (Ashlynn Yennie), em sua passagem pela Alemanha decidem ir, de carro, a uma balada mais afastada, só que no meio do caminho o pneu fura e elas acabam ficando sozinhas no meio do nada.

Aí já viu...

Elas decidem procurar ajuda e vão parar na casa do malvadão Dr. Heiter (Dieter Laser), que as recebe prometendo que vai ligar para ajuda. Mas o cientista maluco prefere dopar as gurias e colocar o seu plano maligno de criar uma centopéia humana em ação. As meninas acordam amarradas, junto de um rapaz oriental, que é a outra cobaia... Aí agonia começa a aparecer, aliás, esse é um sentimento que vai permanecer pelo resto da película.

Enfim, o Dr. Heiter volta à cena e descreve a operação detalhadamente para seus pacientes, com um cinismo extremo. Abaixo as imagens dos desenhos explicativos da operação:





Esse filme é para quem tem peito e estômago. Acho que até mais peito que estômago, porque ao contrário do que muitos podem pensar, não é extremamente nojento, mas cheio de torturas psicológicas e humilhações que mexem com o espectador.

Lembrei-me do período nazista muitas vezes durante a exibição e não só por ser todo ambientado na Alemanha. As experiências bizarras dos médicos alemães, como as de Joseph Mengele que, em campos de concentração, injetava tintas azuis nos olhos de crianças judias, unia veias de gêmeos, deixava pessoas em tanques de água gelada para testar sua resistência, amputava e também coletava órgãos de prisioneiros para as mais diversas finalidades. Esses são alguns exemplos desse tortuoso período da Humanidade. Mengele ficou conhecido como “Anjo da Morte” e morreu no Brasil em 1979. Viu, só? O Estranhezas Cinematográficas também é cultura (hahaha).





Depois da pequena aula de História, voltemos à nossa centopéia. A obra demora até mostrar algum tipo de ação, mas na hora que mostra não pára. Esse é um daqueles exemplos de filmes claustrofóbicos em que, cada vez mais, o espectador vai perdendo as esperanças de um final feliz e seus personagens são expostos a situações muito humilhantes.

Por onde tem passado esse filme tem tirado espectadores das salas antes do término da sessões, devido as torturas do maléfico Dr. Heiter. Escabroso, excêntrico e maluco, ele se transformou em ícone para muitos, inclusive ganhando comparações com Freddy Krueger (!!!) e Hannibal. A interpretação do ator alemão é perfeita, fugindo daquele clichê do “cientista maluco”e imprimindo uma expressão doentiamente única. Afinal, ele é estrela.

“A Centopéia Humana” tem momentos previsíveis e alguns clichês que já entramos em overdose de tanto ver por aí, mas ao menos tenta fugir disso (e muitas vezes consegue). Tem ação, suspense em um dos roteiros mais sujos criados para o cinema, tudo isso com uma forte carga emocional capaz de levar o espectador ao limite do suportável.


Léo Castelo Branco**


quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Segredo da Múmia (1982)

O SEGREDO DA MÚMIA
Direção: Ivan Cardoso
Brasil, 1982.



Imagine a cena: um criado daqueles bem clichê de filmes B dos anos 50, que canta ópera e mata quem se colocar no caminho do patrão (que, no caso, é um cientista maluco) e uma múmia serial-killer. Agora imagine tudo isso rodeado de seios, bundas e todos os elementos pornochanchadísticos...

Imaginou?

Agora, visualize isso tudo se passando no Rio de Janeiro da década de 50. Melhorou? Então é isso (e mais um pouco) o que se passa em “O Segredo da Múmia” (Idem, Bra, 1982), esse clássico do cinema –sem noção- nacional que foi esquecido e nunca lançado em DVD, sobrando cópias apenas para garimpeiros de podreiras de plantão, o que é uma pena e um verdadeiro desperdício cultural.



Ivan Cardoso criou esse universo mágico citado acima em 1982, com o seu “Segredo da Múmia”, consolidando-se assim como inventor e mestre do “terrir”.

Para quem não sabe o “terrir” é um sub-gênero que surgiu nos anos 80 (oh, época boa!!!) como nada menos que uma bela desculpa para dar risada e ultrapassar o limite do nonsense, tudo com muita mulher gostosa, defeitos especiais e falhas escabrosas no roteiro. Tem coisa mais linda?

Seguindo essa linha “O Segredo da Múmia” é uma obra cheia de momentos unânimes, irreverentes e divertidíssimos. Afinal, uma múmia no Brasil não pode ser menos que isso.



Expedito Vitus é um cientista dotado de uma extrema inteligência, porém ridicularizado pelos seus colegas e pela mídia em geral porque diz ter descoberto o “elixir da vida”. Tudo muda quando ele encontra a famosa múmia “Runamb” no Egito, e a traz para solo tupiniquin, o que é retratado de forma magistral pelos jornais da época e até o famoso “Repórter Esso” fez questão de noticiar o fato!


Vitus virou um superstar. Mas ele vai além, testando o elixir na múmia. Daí para frente não precisa ser um gênio para saber que a múmia vai levantar querendo matar qualquer um que passar na sua frente. Isso seria normal em qualquer filme, mas aqui a coisa é "made in Brasil", o que torna tudo muito mais divertido.

Wilson Grey está simplesmente genial na pele do excêntrico Dr. Expedito Vitus, em uma interpretação repleta de expressões e caretas dignas de um verdadeiro “cientista maluco”, sua voz também merece destaque, parece que ele está falando para dentro de um funil.

A cereja do bolo fica por conta da criadagem do Dr. Vitus. A empregada Regina, interpretada por Regina Casé em uma performance mais bizarra do que qualquer um dos seus atuais programas de TV e o mordomo Igor (Felipe Falcão) que mais parece o “tio Chico” com síndrome de down, e nos faz rir com suas caras e bocas forçadas e, a todo momento, parece que está literalmente se cagando em cena. “Terrir” é isso: não é beirar o rídiculo, é ir além dele.


Regina (magrinha, como nunca) e Igor têm um “caso” e nos propiciam uma cena antológica que escreveu suas letras na história do cinema nacional, se não, ficará para sempre na minha memória, ainda não sei se pelo susto ou pelo valor histórico de tal “atrocidade”.

De repente, no meio do clímax da história, aparece um letreiro em tela preta: “enquanto isso..” são os dizeres que aparecem na tela. Corta. Regina (com cabelos no sovaco) nua e jogada na cama junto com Igor que a lambe inteira, com tamanha vontade que achei que fosse pular para fora da tela. A cena em si é de um realismo imenso, o que comparado ao resto da atuação da Regina Casé nesse filme lhe valeria o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Nos resta então escutar os pedidos da empregada Regina: “tenha modos, Igor, tenha modos!".

Falando em atores globais e mais conhecidos do grande público, olha só quem faz parte do elenco: Cláudio Marzo, Anselmo Vasconcelos, Evandro Mesquita, Júlio Medaglia, ainda uma participação especialíssima de José Mojica Marins e Maria Zilda Bethlem em apenas uma cena, digamos, bem picante como você poder ver pela foto abaixo:



Com esse time e esse enredo fica impossível perder essa pérola do cinema nacional, isso sem falar do personagem principal, a múmia, que rouba a cena com seu andar meio zumbi e uma força sobrehumana. Tudo aqui é feito em medida milimétrica para arrancar gargalhadas do público. E dá certo.

O diretor Ivan Cardoso, até então só havia dirigido curtas-metragens (o primeiro deles têm um nome sugestivo: “Nosferatu in Brazil”) fez a sua estreia em longas de maneira sublime, com um filme que não tem medo de ser o que é, e tem sim uma identidade. O nome dela é “terrir”.

* Em tempo: o blog Estranhezas Cinematográficas anuncia uma parceria oficial com o Scary Blog (http://scaryblog.zip.net) para o bem do cinema fantástico. Lá vocês encontram notícias atualizadas do mundo do terror, e, a partir de agora, algumas críticas minhas voltadas para o gênero.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas (2010)


2010 começou já tem 5 meses.

E continuo a minha saga de pseudo-crítico de cinema. Sempre vendo a maioria de filmes possíveis e escrevendo alguns longos textos sobre eles (quando dá), o que realmente me traz um prazer imenso.
A proposta inicial desse blog era de falar (criticar, elogiar, meter o pau...) e abrir para a discussão filmes estranhos e trash. Ainda é, só que volta e meia me vejo obrigado a falar de grandes blockbusters de Hollywood. Sendo eles sempre as películas mais comentadas pela crítica e chamativas para o grande público, o que, na verdade, não importa. Porque quem entra aqui sabe que um bom filme vai além da bilheteria e das estrelas no elenco.
E claro que, quem me conhece, sabe que ainda não vi o aclamado “Avatar” (IDEM, EUA, 2009) e não foi por idealismo, pelo contrário, simplesmente não me interessou.
Nada no universo dos NAVI me chamou a atenção e não engulo essa história de consciência social (ambiental) do diretor James Cameron, para mim seus filmes são verdadeiras máquinas de fazer verdinhas, vide “Titanic” (IDEM, EUA, 1997).

Bom, talvez seja um pouco de idealismo sim.
Foda-se.
A única coisa que me interessou em "Avatar" foi a oportunidade de assistir pela primeira vez um filme em 3D no cinema, pois nem isso, nem todas as críticas positivas e o “up” do filme me fez pagar para vê-lo.
Quem sabe em vídeo, quem sabe um dia?
Quer um exemplo do contrário?
“Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, EUA, 2010).

Logo quando o projeto foi anunciado, fiquei muito empolgado. Esperava ver uma versão mais adulta e trabalhada dessa fantasia. E acreditava que Tim Burton poderia transformar esse “clássico” num “belo clássico” ao seu estilo “burtonístico”, tudo isso sem falar nas belas imagens dos personagens pingando pela Internet, antes do filme ser lançado. E olha lá: também poderia ver finalmente meu primeiro filme 3D no cinema.
Tudo lindo?
Nem tanto.
Acho que com toda empolgação esqueci que Tim Burton tem feito filmes (na minha opinião) muito iguais e que cansam. Nada contra Burton, respeito seu trabalho. Particularmente gosto da sua visão do homem-morcego e de “Noiva Cadáver” (Corpse Bride, EUA, 2005) outro belo filme com uma temática gótica.

Pois bem, em Alice imaginei algo diferente. Até pela responsabilidade de ter uma obra dessas nas mãos e tudo que circula à sua volta. Faltou química entre os atores, o roteiro é básico demais e os únicos aspectos que se salvam são: o Pais das Maravilhas, os figurinos de Alice e os efeitos especiais.
Ah, o 3D também, com ele o filme fica ainda mais vivo. Impressionante! Realmente realçaram as cores psicodélicas da fotografia.
Mas o que ficou no ar, foi que faltou algo. Ou “algos”.
Faltou ou repetiu?
Jonhny Depp e Helena Bonhan no elenco, a trilha sonora executada por Danny Elfman e todo aquele universo gótico, apesar de ser um dos filmes mais coloridos que eu já vi, nesse ponto Burton é genial. Consegue impor o obscuro até mesmo na maior das claridades.
Acho que faltou e repetiu.
Faltou criatividade e repetiu-se o estilo “burtonístico”.
Mas insisto em afirmar visualmente: Alice é impecável!

Léo Castelo Branco
**
Ficha Técnica
Diretor: Tim Burton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Michael Sheen, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Matt Lucas, Alan Rickman, Christopher Lee, Crispin Glover, Stephen Fry
Produção: Richard Zanuck, Joe Roth, Jennifer e Suzanne Todd
Roteiro: Linda Woolverton
Fotografia: Dariusz Wolski
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Fantasia
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Classificação: 10 anos

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pequenas críticas, grandes filmes


Amigos e amigas, devido ao último post e todas as lembranças nostálgicas dos anos 90, resolvi dedicar uma parte desse insignificante blog para algumas das relíquias da época. Então, peguei um dia para rever 4 grandes filmes do período. Escrevi pequenas resenhas sobre cada um deles e já adianto que podem repetir a minha sessão porque rir é o melhor remédio!

Preferi falar apenas do começo há metade da década, pois os filmes desse período me agradam muito mais e realmente já estava na hora de revê-los. Esses aí marcaram época para mim.
Risada é o que realmente não vai faltar...
A eles...



“Billy Madison – Um Herdeiro Bobalhão” ( Billy Madison, EUA, 1995)


No post passado citei alguns atores que estouraram na década passada pois bem, tive o prazer de rever esse filme bem engraçado capaz de causar boas risadas e o que me impressionou foi descobrir ( era novo quando vi esse filme) que Sandler assina o roteiro junto com o parceiro Tim Hearly, juntos eles escreveram a 4 mãos outros filmes como o engraçado “Um Maluco no golfe” ( Happy Gilmore, EUA, 1996) e o nem tanto “Little Nicky” (Idem, EUA, 2000).

Voltando ao Herdeiro bobalhão (mais uma péssima tradução brasileira, meu povo!!), o filme só podia ter a mão de Sandler na produção porque é feito na medida de seus personagens, principalmente como se sagrou no Saturday Nigth Live da NBC, caretas e vozes bizarras em atitudes hilariantes. Humor insano, isso soa bonito não!?

A história começa quando Billy Madison o filho de um dono de uma grande rede hotéis, Brain Madison (Darrem McGavin) é desprovido de seu pai de tocar o negócio da família, simplesmente porque ele é um completo idiota que só quer saber de farra com os amigos e revistas pornô, e o pior é que a empresa vai parar mãos do ganancioso Eric Gordon (Bradley Whitford), o qual o herdeiro odeia. Billy volta para refazer todas as séries (desde o jardim de infância), cada uma em duas semanas, para mostrar ao seu velho pai que não é “burro” e poder comandar os negócios da família.

O filme conta ainda com a linda Bridgette Wilson de par romântico de Sandler, sempre uma beleza que vale a pena conferir e ainda Chris Farley (outro hilário comediante da época, infelizmente morto no ano 1997) no papel de um cômico motorista escolar , juntamente com o show de Sandler que faz o que quer e nos diverte nesse filme que o lançou definitivamente para o sucesso.


- Jamaica Abaixo de Zero ( Cool Runnings, EUA, 1993)

Realmente me surpreendeu rever esse filme. Bonito, sincero e com uma bela mensagem contra o preconceito como pano de fundo. Sem falar que é uma das últimas atuações do mestre Jonh Candy (falecido precocemente em 1994), sempre com seu carisma hospitaleiro e no papel de quem a vida vem para dar uma lição.

Baseado numa história real, sobre uma incomum pretensão, formação e treinamento de uma equipe jamaicana de Bobsled (espécie de esporte de neve em que deve-se andar com um trenó especial numa rápida pista de gelo) que deseja - e consegue - participar das Olimpíadas de Inverno de 1988.
Produzido por ninguém menos que a Walt Disney, reprisado muita vezes pela Globo na clássica Sessão da Tarde, essa comédia tem o poder de ser emocionante em diversos momentos, a película realmente prende a atenção e você torce pelo sucesso do time Jamaicano, tem algo que cativa.

Jonh Candy é a estrela com seu jeito bonachão, Doug E. Doug está impossível como o Rastafari Sanka.
Uma sessão da tarde de luxo.


- Marte Ataca ( Mars Attack, EUA, 1996)
Uma divertida paródia aos filmes de ficção cientifica, principalmente aqueles primórdios dos anos 50, esse projeto de Tim Burton (sempre maluco e genial) também foi visto por muitos como uma sátira aos filmes-catástrofe que saiam na época, com “Independence Day” ( Idem, EUA,1996), já que Marte Ataca trata a invasão de extraterrestres ao planeta terra de maneira cômica, exatamente na linha contrária dos filmes-catástrofe.
Os efeitos especiais e a trilha sonora são propositalmente precários, os marcianos têm um “design” um tanto quanto peculiar, parecem vindos direto de um HQ. Não por acaso “Marte Ataca” foi inspirado numa revista em quadrinhos de mesmo nome, que como você já deveria saber nunca foi e, nunca será lançado por aqui.
O clima de ficção cientifica barata e a não-pretensão desse projeto que é um grande filme, com um grande elenco, porém não tem ambição em nenhum momento, a não ser a de ser um simplório filme B.
Isso mesmo!
E você já viu um filme B com Jack Nicholson, Michael J. Fox, Glenn Close, Pierce Brosnan e Sarah Jessica Parker?
Não que esse filme seja B, mas se não é B é uma grande homenagem a eles.
Burton mais criativo do que nunca aproveita também para fazer uma paródia ao “american way of life” há começar da casa branca. O presidente (Jack Nicholson) é um banana, a primeira dama (Glenn Close) é uma mulher fútil que só pensa nas roupas que usa. E os dois estão únicos.
E tem mais...
Os militares são uns alienados (diferente dos heróis de guerra de Independence Day) e só pensam em ganhar medalhas, já imprensa é representada como tal: suja e facilmente maleável.
Vale cada minuto de exibição.


- Meu sobrinho é um terror ( Clifford, EUA, 1994)

Deixei o melhor da sessão para o final. Esse filme verdadeiramente marcou minha infância, uma comédia de humor negro espetacular, não existe outro adjetivo para descrevê-la.
Assim como Sandler, Martin Short, que aqui interpreta Clifford começou no Saturday Night Live, aliás, esteve lá por um longo período (1984-2006). Pois é, Short tem a cara do humor escarrado dos anos 90, não entendo como não fez mais sucesso como Carrey ou Sandler.

Não posso deixar de falar também de Charles Grodin que faz o tio neurótico do menino endiabrado. Os produtores de Clifford com certeza viram “Beethoven, O magnífico” (Beethoven, EUA, 1992) 2 anos antes, porque aqui o papel é praticamente o mesmo, um homem de meia idade a beira de um colapso, só que invés de pirar por causa de cachorro, ele perde o senso por causa do seu sobrinho de 10 anos.


Os pais de Clifford (interpretados por Richard Kind e Jennifer Savidge) já estão putos da vida e querem simplesmente matar o garoto e não é pra menos. Logo nos 10 primeiros minutos do filme ele já: acordou seu pai enfiando seu pequeno dinossauro no seu nariz e fez um avião pousar em Los Angeles porque ele está fascinado por um parque de dinossauros que tem na cidade.
É aí que entra o Tio Martin (Charles Grodin). O pai do garoto tem uma reunião em São Francisco e com medo que o moleque arrume mais confusão ele liga para o seu irmão pedindo que fique com Cliff no final de semana. Programão, hein?

Tio Martin quer impressionar a linda Sarah Davis (Mary Steenburgen). Ela quer ter filhos e Martin vê a oportunidade perfeita para provar que pode se dar muito bem com crianças.

Só que Clifford vai fazer qualquer coisa para ir ao tal parque. É ver para crer.

Um filme totalmente sem escrúpulos, que chega a chocar. Martin Short e Grodin formam a dupla perfeita: o pequeno doente e o tio que aos poucos enlouquece com as peripécias do sobrinho, os ingredientes perfeitos para uma boa dose de risadas.
Espetacular!

sábado, 24 de abril de 2010

Natal Sangrento (1984)


Mais um slasher dos gloriosos anos 80. Nada diferente, só o fato do assassino se vestir de Papai-Noel, de resto temos alguma nudez gratuita e os velhos clichês de sempre.
O que é sim muito divertido.

Realizado em 1984 esse filme bebe na fonte de Sexta-Feira 13 e diversos outros slasher’s da época. Ao ser lançado, causou muita polêmica por mostrar o bom velinho como um ser macabro. Para as crianças da época devia ser de borrar as cuecas, definitivamente.

Estamos em 1971, véspera de natal. O pequeno Billy Chapman (Danny Wagner) está ansioso para chegada do Papai-Noel, ele, seu irmãozinho e seus pais estão indo visitar o vovô no asilo, e pela trilha sonora natalina e a neve da paisagem já sabemos que estamos na época mais feliz do ano.

Será?

As coisas mudariam tragicamente para Billy naquele dia...

O seu avô não fala nada, simplesmente vive em estado vegetativo, deixando a família Chapman preocupada, o vovô está a cada dia pior.
Oh, céus..

Os pais e o irmãozinho saem de cena para falar com os médicos deixando Billy a sós com vovô e, por incrível que parece ele começa a falar. Com trejeitos aterrorizantes e uma cara carrancuda ele diz ao neto que se ele foi um mau menino o Papai-Noel vai vir cobrar, pois ele só agradada os meninos que foram bons o ano todo.

O garoto deve ter se cagado ali mesmo, porém o que estava por vir era muito pior...

Os pais do garoto e o irmãozinho retornam, e olha lá o vovô voltou a estado vegetativo.

Billy e família vão para casa e o garotinho começa a questionar sobre a bondade do bom velinho, será ele uma força do mal?

Onde estaria ele agora?

Assaltando uma loja.
Isso mesmo!

Ele mata o caixa por míseros 32 paus, mostrando que o bom velinho é verdadeiro filho da puta e tem dó não.

Cena seguinte...

Billy e sua família na estrada avistam o Papai-Noel (aquele mesmo fdp) com o carro parado e sinalizando para eles pararem, se Billy ainda não se cagou ainda essa é hora.

O pai para o carro mesmo contra a vontade do menino, e o pior acontece...


Aparentemente, o mau velhinho não quer roubar nada. Ele simplesmente mete uma bala nos cornos do papai, arranca a mamãe do carro e tenta estrupá-la só que ela não quer cooperar, então ele decida simplesmente matá-la cortando sua garganta, Billy corre em direção a uns arbustos (sem ligar pro irmãozinho). Escondido ele ainda vê o papai-noel com sua faca suja de sangue blasfemar e o xingar, para então desistir de procurá-lo e fugir.

O irmãozinho também sobreviveu.

Os dois crescem num orfanato.



No núcleo do orfanato temos a Madre Superior (Lilyan Chauvin) muito severa e sempre pronta para castigar, aquela figura que causa medo e arrepio em qualquer criancinha e com Billy não foi diferente, ele deve ter se borrado muitas vezes. Para sorte dele existe a irmã Margareth (Gilmer Mccornick) que está, ao contrário da Madre Superior, querendo ajudar o garoto Billy ao invés de castigá-lo a cada probleminha.



Na primeira metade do filme, vemos o perfil psicopata sendo formado. Billy tem pesadelos e faz desenhos do Papai-Noel armado com facas e animais sem cabeça, a Madre Superior até tenta força-lo a sentar no colo do bom velinho, mas Billy da um saco e nocauteia o velhote, é ver para crer.

Passam-se 15 primaveras...

Graças a irmã Magareth, Billy ( agora interpretado por Robert Brain Wilson) consegue um emprego numa loja de utensílios em geral. No começo tudo vai bem, até o natal se aproximar e o passado começar a voltar nas lembranças do jovem Billy... para piorar o seu chefe o obriga a vestir-se com trajes natalinos.

Pronto.
O psicopata está formado e para a matança começar é questão de tempo.

Daí pra frente a história é bem previsível e não foge a cartilha.
Seios, sangue e mortes.

E Papai-Noel matando e matando e matando.
O que é sim muito divertido.

Léo Castelo Branco

**

Ficha Técnica

Nome: Natal Sagrento (Silent Night, Deadly night)
Diretor: Charles E. Sellier Jr.
Roteiristas: Paul Caimi, Michael Hickey
Elenco: Lilyan Chauvin, Gilmer McCormick, Toni Hero, Robert Brian Wilson

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vertigem (2009)




Esse fim de semana navegava eu em uma das diversas comunidades para downloads de filmes na Internet me deparei com uma cópia do slasher Francês “Vertigem” ( Vertige, França, 2009), a qual eu já estava atrás faz um bom tempo, apesar de ter sido lançado em DVD por aqui ( milagre!) na minha cidade não encontrei nem rastro.

Como o assunto dos slasher’s foi bem explorado pelo post interior, volto a por o dedo na ferida só que agora é diferente: passaram-se 20 anos dos anos 80 e o filme em questão é francês, fato que nos tira do eixo dos filmes americanos e possibilita ao espectador degustar outra cultura-cinematográfica.

Gostei muito do que vi.

O filme tem grandes momentos de suspense, algumas cenas são claustrofóbicas e se você estiver esparramado no sofá vai se ajeitar e não perder um segundo desse thriller alucinante.

A trama é aquele feijão com arroz de sempre...

“Um grupo de amigos em férias decide se aventurar em uma trilha no alto das montanhas que está fechada. No meio da escalada, eles descobrem que a subida é mais perigosa do que o previsto, principalmente porque logo percebem que não estão sozinhos. A partir desse momento, o que era para ser uma aventura radical se transforma em um terrível pesadelo...”

O assassino em si é um dos piores da história do cinema, o filme é muito melhor até ele aparecer o que deixa o clima menos “claustrofóbico” e mais “americanizado” digamos assim.

Traduzindo: o assassino estragou o suspense, não o filme.

Esse tem momentos gloriosos...

Nos primeiros 40 minutos é puro suspense e as cenas de escalada são de arrepiar para quem tem medo ou qualquer tipo de problema com altura e se você não tem vai sentir um pouco da “vertigem” que o filme tenta passar.

Em um momento em particular, os alpinistas tem de atravessar uma ponte de madeira que está só o cacareco, aos passos curtos os personagem atravessam um a um, numa cena longa em que o diretor Abel Ferry aproveita bem os takes que privilegiam a alta tensão e o temor na expressão dos alpinistas.

Depois que assassino surge, começam as banalidades comuns do gênero, mas não vou dar mais detalhes para não estragar a surpresa.

No entanto...

Vertigem é um filme vibrante, cheio de suspense e francês.
Os fãs do gênero vão gostar.

Léo Castelo Branco

**
Ficha Técnica

Titulo Original: Vertige
Título Traduzido: Vertigem
Gênero: Suspense
Duração: 90min
Diretor: Abel Ferry
Ano de Lançamento: 2009







domingo, 4 de abril de 2010

Bubba Ho-Tep (2002)



Existem momentos que agradeço fortemente por ter Internet, pois sem ela não seria possível assistir a pérolas do Cinema-Cult-B. Fico pensando por que lançam merdas como “O Fada dos dentes” (Tooth Farty, EUA, 2010) e não lançam coisa simples e muito boas como “Bubba Ho-Tep” (Idem,EUA,2002)? Uma obra inovadora, engraçada e diferente do feijão com arroz do cinema americano que paira por aqui, isso não basta?

Se não, conheça a história...
Elvis (interpretado magistralmente por Bruce Campbell) não morreu. Ele está bem vivo, internado num asilo no Texas e com câncer no pênis. Quem morreu foi na verdade Sebastian Haff, um dos cover’s de Elvis com o qual o próprio quis trocar de identidade para voltar as “raízes”, tanto Haff quanto Elvis eram viciados em drogas. E para piorar nosso herói perdeu a única prova que ele é o verdadeiro Elvis Presley e agora depois da fama, sucesso e das drogas lhe restou um asilo e o câncer no pênis.

No mesmo asilo no Texas vive também JFK (Ossie Davis) que aqui é negro (hahaha), isso mesmo negro, mais deixo os porquês para você descobrir no filme onde tudo é muito bem explicado. Baixe legendado aqui (http://www.megaupload.com/?d=4CGU01XC).

JFK é único no asilo que acredita que Haff é o verdadeiro Elvis, e o presidente ainda descobre uma múmia (o Bubba Ho-Tep do título) que está sugando as almas dos velhinhos pelo ânus e juntos essa dupla está pronta para combatê-la! Um roteiro no mínimo curioso que fica ainda melhor com os diálogos dos protagonistas que são muito engraçados.

Campbell (o rei da trilogia “Evil Dead”) está num dos seus melhores papéis, para mim ele é um ser mítico, sempre em atuações brilhantes, hilárias e irreverentes. Aqui no papel do Rei do Rock como um astro decadente que tem a oportunidade de se redimir e se tornar um herói, numa sincera homenagem a Elvis Presley.

Ossie Davis (falecido em 2005) é a cereja do bolo. O JFK tem seu quarto decorado como a própria Casa Branca, dono de um carisma todo especial que ao contracenar com Elvis fica simplesmente perfeito e quem ganha é o publico premiado com cenas impagáveis.

Para quem não sabe Bubba Ho-Tep é uma adaptação do conto de Joe. R. Landale (famoso escritor de contos de horror) com roteiro e direção de Don Coscarelli (da série “Fantasma”) que na minha opinião tem aqui sua obra-prima e nos mostra que o cinema independente é mesmo a salvação do cinema.

Temos a oportunidade de ver Elvis como nunca imaginaríamos ver, num asilo e com seus pensamentos mais profundos e até sacanas, a película ainda conta com a sua narração. É um filme como você nunca viu antes, aquele filme que mesmo engraçado também tem seu drama e quando termina o espectador irá ficar refletindo depois.

Mais que recomendado, obrigatório!  

E obrigado Internet.



Léo Castelo Branco


**

Ficha Técnica

 BUBBA HO-TEP (Bubba Ho-Tep, Estados Unidos, 2002). 92 minutos 
Direção: Don Coscarelli
Roteiro: Don Coscarelli (baseado no conto de Joe R. Lansdale) 
Produção: Dac Coscarelli; Jason R. Savage
Produção Executiva: Don Coscarelli 
Fotografia: Adam Janeiro 
Figurino: Shelley Kay 
Efeitos Visuais: David Hartman 
Edição: Scott J. Gill, Donald Milne 
Desenhos de Produção: Daniel Vechionne 

 Maquiagem: Melanie A. Kay, Robert Kurtzman, Melanie Tooker 
Elenco: Bruce Campbell (Elvis Presley/Sebastian Haff), Ossie Davis (John F. "Jack" Kennedy), Ella Joyce (The Nurse), Heidi Marnhout (Callie), Bob Ivy (Bubba Ho-Tep), Reggie Bannister (Rest Home Administrator), Harrison Young (Bull Thomas) 

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Bastardos Inglórios (2009)




Você é daqueles caras que vasculha podreiras nas prateleiras empoeiradas da sua locadora? É daqueles doidões que vibram com cenas violentas? É maluco ao ponto de preferir filmes que primam pela estranheza, seja pelos seus personagens bizarros ou complexos, seja a história coadjuvante ou imprescindível? Gosta de comer besteiras baratas e ver filmes durante madrugadas, dias e noites adentro?


Então sinta-se em casa...
Começa aqui o blog "Estranhezas Cinematográficas" de Léo Castelo Branco, um espaço para discutir cinema estranho, cinema diferente ou diferente dentro do próprio usual, que seja. Postarei aqui algumas criticas e artigos mais detalhados com opiniões e expressões de blockbuster’s a pérolas da boca do lixo.

Então, vamos ao que interessa. O primeiro filme que lançarei discussão é um grande sucesso e não por isso deixa de ser divertidíssimo. Sei que muita gente aí gostou. Nada mais nada menos que o comentado blockbuster Bastardos Inglórios (Inglorious Bastards, EUA, 2009), o melhor filme de 2009, na minha singela opinião de mini-crítico!

Tarantino me surpreende a cada filme, nesse em questão, o que não me pegou foi a fuga do diretor da sua violência habitual (não sem nos dar o prazer de uma cena em que um soldado judeu estoura a cabeça de um nazista com taco de baseball), mas sim seus personagens ainda mais excêntricos e genuinamente únicos. Tarantino é isso: mulheres e violência em três idiomas.
E nós fãs agradecemos!

Como nada é perfeito e Tarantino também erra, o filme peca pela falta de ação (lê-se movimentação), são cenas de diálogos intermináveis, algumas durando até 10 longos minutos de sotaques misturados e amarrados (!!!), enfim fora isso, o filme é espetacular! Coisa fina, e de Tarantino eu me recuso a esperar outra coisa. Me deliciei com o novo filme do diretor, realmente valeu a pena esperar.

Brad Pitt está em uma das suas melhor atuações como o Tenete Aldo Raine, cômico e carregado o anti-héroi está impecável. Cristolph Waltz interpreta o coronel nazista Hans Lada, no papel que lhe valeu o Oscar, diga-se da passagem. Enfim o elenco é primoroso, apesar de pouco conhecido do grande público, juntamente com um roteiro redondo que misturado a tudo isso tem um ótimo resultado: Tarantino brincando com a história real.

Indispensável para você fã de Tarantino, esse filme é diferente do seu estilo habitual, e particularmente me impressionou essa ousadia, Quentin sabe chocar como poucos, e para falar a verdade a história real poderia ser como no filme. O final é de entrar para dentro da poltrona, fantástico! Ainda mais para um fã do trabalho do diretor.

As 2 horas e meia passam sem cansar o espectador e apesar das longas cenas, aquelas com longos diálogos em italiano ou alemão, mesmos essas são recheadas de descobertas da qual se você ainda não viu, ficará ligado, vidrado eu diria. Acho que valeu a falta de violência desse inovador Tarantino, pra falar a verdade o filme conseguiu me surpreender, não que esperasse mais, esperava sim algo diferente.
E foi na mosca.

Léo Castelo Branco.

**
Ficha Técnica


Filme: Inglorious Basterds
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Shosanna Dreyfus, Christoph Waltz, Eli Roth
Gênero: Ação, Aventura, Drama, mais...
Duração: 153 min.
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Prêmios: Vencedor de 1 Oscar
Distribuidora(s): Universal Pictures do Brasil
Produtora(s): Universal Pictures, The Weinstein Company, A Band Apart, Zehnte Babelsberg

Duro de Matar: o filme de Natal mais explosivo de todos os tempos

Porque o espírito de um filme de natal pode estar no lugar mais inesperado. Todo ano é mais coisa. Em meados de outubro, surge uma leva de f...