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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ed Wood (1994)

Idem
Direção: Tim Burton
EUA, 1994

Quando se pergunta quem é o melhor diretor de cinema de todos os tempos, mesmo entre os críticos as opiniões divergem. Alguns dirão que é Orson Welles. Outros, Coppola, Bergman ou Chaplin. Mas, quando o assunto é o pior diretor, há quase uma unanimidade: Ed Wood, responsável pelas mais bisonhas películas já vistas.

Efeitos especiais paupérrimos, continuidade inexistente, diálogos absurdos... Eram tantas falhas em seus filmes que nem a presença do – já decadente – ator húngaro Béla Lugosi (ícone do terror da produtora Universal) conseguia salvá-los. Cheio de sonhos, porém sem nenhum talento, Ed Wood era uma dessas personalidades fadadas a cair no total esquecimento.

Mas não caiu. Tendo sua vida (ou parte dela) levada às telas por Tim Burton em 1994, Wood (interpretado aqui por aquele que viria a ser o ator preferido de Burton, Johnny Depp), um americano que gostava de se vestir de mulher, tinha tudo para ser retratado como uma figura patética (como de fato era). Mas aqui vira um personagem que mistura graça e lirismo, quase um Dom Quixote. E isso de forma alguma é um demérito ao filme, que consegue, ao mesmo tempo, ser engraçado e inspirador.

A história começa quando Ed, ainda em início de “carreira”, descobre que o produtor George Weiss (Mike Starr) quer financiar a cinebiografia da transexual Christine Jorgensen. Procura Weiss e é informado de que, como não foram conseguidos os direitos de filmagem, a obra terá enredo fictício e se chamará I changed my sex. Empolgado, Ed convence o produtor tanto a contratar seu ídolo Béla Lugosi (Martin Landau, no papel que lhe rendeu o Oscar de coadjuvante), de quem se tornou amigo depois de dar uma carona, como a mudar o título para Glen ou Glenda.

Ed se acha um Orson Welles (por quem, aliás, em uma das melhores cenas do filme, é incentivado, durante um encontro em um bar). Por isso, fica arrasado com o fracasso de público e crítica de seu primeiro filme, o que não o impede de sair em novas empreitadas. Paralelamente, ele sofre reveses em seu namoro com Dolores (Sarah Jessica Parker), que não aceita bem seu transformismo, nem seu estranho círculo de amizades, que do qual também fazem parte seus colaboradores habituais: o já citado Lugosi, o travesti Bunny Breckinridge (interpretado magistralmente por Bill Murray), a ex-estrela de TV Vampira (Lisa Marie), cuja única exigência é não ter nenhuma fala, e o lutador sueco Tor Johnson (George Steele).

Rodado em belíssimo P&B, Ed Wood ganhou vários prêmios, tendo, inclusive, sido indicado ao Oscar de melhor filme (irônico, não?). Ao final, mostra Ed triunfante. Quem conhece a história verdadeira sabe que ela não acaba assim. Triunfo mesmo é o do espectador, que se diverte com esta pequena obra-prima.

Por Leilson de Souza (@NostalgiaNao)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Feitiço do Tempo (1993)

GROUNDHOG DAY
Direção: Harold Hamis
EUA, 1993




Para celebrar a volta do blog, escolhi uma obra que já estava precisando rever há algum tempo e que tem lugar cativo na minha memória cinematográfica. Trate-se de um filme que quem já viu, certamente guarda uma boa lembrança, nem que seja lá no fundo do cérebro.

“O Feitiço do Tempo” (Groundhog Day) é uma película que de tão despretensiosa se torna inesquecível. Porquê? Explico com prazer. A direção assinada pelo ex-Caça Fantasmas Harold Ramis se diferencia, pois não vemos nenhum “vício” de diretor na tela.

Comparado com o que assistimos hoje, esse filme parece até que não é dirigido por ninguém, ele simplesmente nasceu, tinha que acontecer. É aquele caso raro de simples, porém genial.

De quebra ainda temos o sempre versátil Bill Murray (também ex-Caça Fantasma) em uma atuação primorosa. E quem acha que ele só virou bom ator depois de velho é porque nunca viu esse filme.

A história é simples e, como já disse, despretensiosa. O repórter climático de uma emissora de médio porte, Phil Connors (Murray), é enviado para uma pequena cidade onde deve cobrir uma festa local, o Dia da Marmota (daí o título original).


Após cobrir o evento há 2 anos, ele não esconde sua frustração em fazer serviço pela terceira vez. Até que algo mágico acontece: os dias e as situações estão se repetindo. Sempre que ele acorda é o mesmo dia de novo, o da festa da marmota.

Durante essa introdução, conhecemos Phil e sua indisfarçável arrogância e má vontade, sua doce produtora Rita (Andie MacDowel) e o câmera man Larry (o sempre animado Chris Elliot).

A partir daí tem início a melhor parte do filme. Depois que percebe que está preso todo dia no mesmo dia, Phil vive um misto das mais diferentes sensações. Surpresa, irritação, raiva, angústia e até prazer. Tudo, sempre, com muito humor.

Não demora o repórter ranzinza se encanta por sua produtora, Rita. O problema é que ele só tem um dia para conquistá-la, portanto se desdobra e começa a dedicar todos os momentos para tal missão.

A entrega e a atuação de Murray são geniais. A transformação do personagem (de arrogante para bom moço) é algo fora do comum quando o assunto é comédia romântica made in USA.
Já a bonitinha Andie MacDowel está na sua melhor atuação, pelo menos falando dos filmes que vi dela, que são poucos.

O argumento da história não se baseia em vodu ou magia para explicar o feito, muito pelo contrário. Mas não vou revelar o “segredo” para não estragar a surpresa de quem é de outro planeta e ainda não viu essa novela primorosa sobre a vida privada.

“O Feitiço do Tempo” é o clássico exemplo de filme que não envelhece, mesmo sendo reprisado no Intercine mais de 1.000.000 de vezes. Ele fica na memória de quem assiste, vindo à tona e sendo lembrado várias vezes durante toda a vida.

Um estudo sobre crescimento e as mudanças que o amor pode trazer na vida de uma pessoa; é isso que essa mágica película representa. E o melhor: fugindo do conceito americano de romance.

Abordar o tema com humor e fazer bonito é tarefa complicada. Ponto para o diretor Harold Ramis, que aqui cumpre sua missão com êxito.



quarta-feira, 14 de julho de 2010

Beavis e Butthead detonam a América (1996)

BEAVIS AND BUTTHEAD DO AMERICA
Direção: Mike Judge e Yvette Kaplan
EUA, 1996.



O cinema já produziu grandes duplas que fizeram, ou melhor, fazem a cabeça do público até hoje. E muitas novas ainda surgirão durante a presente e futura modernidade. Martin Riggs (Mel Gibson) e Roger Murtaugh (Danny Glover) do filme “Máquina Mortífera”, Ripley (Sigourney Weaver) e a Criatura nos filmes da série “Alien”, Umma Thurman e John Travolta em “Pulp Fiction”, são só alguns GRANDES exemplos.

Já imaginou o Gordo sem o Magro? Jack Lemmon sem Walter Matthau? Oscarito sem Grande Otelo? É difícil, para mim pelo menos. As duplas geralmente criam raízes e fica complicado para o público separá-las, para muitos, eu diria, que é impossível.E não é só no cinema, na música e na literatura as duplas estão sempre lá, uma completando a outra e cativando o público a seu modo.



Enfim, chega de enrolação porque hoje é dia de falar de uma dupla muito especial para mim. Lá nos meus primórdios, 95-96, conheci esse desenho chamado "Beavis and Butt-Head" quando a MTV deixava de engatinhar aqui no Brasil.

Minha mente juvenil em completa expansão, principalmente por podreiras de plantão, adorou o que viu: dois garotos roqueiros que vivem na cidade fictícia de Highland, na fase pós-puberdade, completamente americanizados, viciados em nachos (uma espécie de Doritos), comentando video-clipes e anarquizando tudo!!!

Tá, à primeira vista parece a coisa mais idiota que já foi produzida, só que essa idiotice em excesso é, na verdade, uma crítica aos padrões e à adolescência americanizada da época, e porque não à atual também, afinal, não melhorou muita coisa.



Para mim "Beavis e Butt-Head" está entre as maiores duplas de todos os tempos do meio artístico. Por que? Simples, eles são a escória da sociedade, cabeças de vento, péssimos vizinhos, péssimos alunos e unicamente engraçados.

Agora ponha tudo isso no liquidificador, juntamente com traços simples, diálogos mais simples ainda e todos os ingredientes capazes de deixar um moralista de cabelo, barba e bigode em pé. O resultado? O desenho mais politicamente incorreto já produzido até hoje, o que cai como uma luva aqui, no Estranhezas Cinematográficas.

A série foi criada no ínicio dos anos 90 por Mike Judge (que mais tarde criaria o pop “O Rei do Pedaço”), e foi inspirada na própria infância-adolescência de seu criador, ele mesmo declarou que Butt-Head se baseia em um colega seu de turma que chamava todos da turma para chutar o seu próprio traseiro e se autodemonominava “Traseiro de Ferro” (Iron Butt).



O mais interessante é que, além de criar e escrever, Judge, faz as vozes dos pequenos delinquentes, o que é a marca da registrada da série. As risadas sequenciais e ofegantes da dupla são, de fato, únicas e dão a pitada certa de originalidade, o que estava em grande seca nesse período, porque em se falando em animações adultas, tínhamos apenas os “Simpsons” e alguns outros tímidos exemplos.

O linguajar usado pelos dois é praticamente monossilábico e tipicamente maconheiro: “só”, “legal” e “massa” são 90% dos diálogos, os outros 10% ficam por conta de palavrões impublicáveis aqui.

Essas características tão peculiares e esse “não compromisso” tornaram "Beavis e Butt-Head" um sucesso na época, sucesso que em 96, aumentou o formato e foi parar na telona para o delírio dos fãs.



Por incrível que pareça o filme manteve o espírito da série. Sim, ele consegue até ser ainda mais divertido, levando o espectador a sérios ataques de risos. E, sim, esse é um filme para se ver bêbado e chapado com os amigos.

“Beavis e Butt-Head detonam a América”, foi uma “aposta” da Paramount mediante ao sucesso da série, produzido com o alto orçamento de 12 milhões de dólares (alto para época e para uma animação) . Infelizmente não achei a bilheteria, se alguém souber, por favor, coloque nos comentários.



É até engraçado comparar o filme com os primeiros episódios da séria na televisão, a evolução de gráficos é notável. Agora imagine como vai ser o "Beavis e Butt-Head" do século XXI, isso mesmo, grande chance de, em breve, termos a nova versão televisiva da dupla. Não acredita? Copie e cole no seu navegador esse link: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/07/animacao-dos-anos-90-beavis-butthead-pode-voltar-diz-site.html .

Voltando à história do filme, tudo começa quando a nossa dupla acorda e descobre que sua preciosa TV foi roubada. A partir daí eles saem em busca do que os mantêm vivos e, de quebra, ainda quem sabe arrumar uma transa pelo caminho, ou como eles dizem, faturar.



Não demora muito, eles conhecem Muddy Grimes (dublado por Bruce Willis) que os confunde com matadores profissionais (!!!) e oferece US$ 10 mil para os dois irem a
Las Vegas “fazerem a sua mulher”. Só que os garotinhos, confundem “fazer” com “comer” e acham que se deram muito bem, ainda mais depois de verem a foto da gata Dallas Grimes (dublada por Demi More).

Preciso falar que a dupla topa de prima? Pois bem, na sequência embarcam para Vegas com os sinceros dizeres de Butt-Head: “Beavis, hoje é o melhor dia de nossas vidas, vamos finalmente faturar e ainda ser pagos para isso...”. Simplesmente impagável, sensacional e degradavelmente cômico.

Em Vegas, eles finalmente conhecem Dallas que os dá um perdido, os colocando na linha dos polícias que, agora, querem caçá-los e em pouco tempo eles serão considerados os homens mais perigosos da América (!!!). E, para piorar, Muddy descobre que eles não mataram sua mulher e vai partir atrás da dupla.



A partir daí, Beavis e Butt-Head iniciam uma viagem cruzando (e causando) pelos EUA e o filme entra no seu clímax. Vou deixar de contar para quem ainda não viu descobrir as pérolas que estarão na tela a seguir.

Por isso, se você não é dessa galáxia e não viu essa obra-prima do cinema sem noção corra agora pro Google, Torrent ou locadora e assista, pois é simplesmente obrigatório. Os episódios originais da série também podem ser encontrados com facilidade na rede e no Youtube.

E aí, vale uma sessão com os amigos e umas cervejinhas?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pequenas críticas, grandes filmes


Amigos e amigas, devido ao último post e todas as lembranças nostálgicas dos anos 90, resolvi dedicar uma parte desse insignificante blog para algumas das relíquias da época. Então, peguei um dia para rever 4 grandes filmes do período. Escrevi pequenas resenhas sobre cada um deles e já adianto que podem repetir a minha sessão porque rir é o melhor remédio!

Preferi falar apenas do começo há metade da década, pois os filmes desse período me agradam muito mais e realmente já estava na hora de revê-los. Esses aí marcaram época para mim.
Risada é o que realmente não vai faltar...
A eles...



“Billy Madison – Um Herdeiro Bobalhão” ( Billy Madison, EUA, 1995)


No post passado citei alguns atores que estouraram na década passada pois bem, tive o prazer de rever esse filme bem engraçado capaz de causar boas risadas e o que me impressionou foi descobrir ( era novo quando vi esse filme) que Sandler assina o roteiro junto com o parceiro Tim Hearly, juntos eles escreveram a 4 mãos outros filmes como o engraçado “Um Maluco no golfe” ( Happy Gilmore, EUA, 1996) e o nem tanto “Little Nicky” (Idem, EUA, 2000).

Voltando ao Herdeiro bobalhão (mais uma péssima tradução brasileira, meu povo!!), o filme só podia ter a mão de Sandler na produção porque é feito na medida de seus personagens, principalmente como se sagrou no Saturday Nigth Live da NBC, caretas e vozes bizarras em atitudes hilariantes. Humor insano, isso soa bonito não!?

A história começa quando Billy Madison o filho de um dono de uma grande rede hotéis, Brain Madison (Darrem McGavin) é desprovido de seu pai de tocar o negócio da família, simplesmente porque ele é um completo idiota que só quer saber de farra com os amigos e revistas pornô, e o pior é que a empresa vai parar mãos do ganancioso Eric Gordon (Bradley Whitford), o qual o herdeiro odeia. Billy volta para refazer todas as séries (desde o jardim de infância), cada uma em duas semanas, para mostrar ao seu velho pai que não é “burro” e poder comandar os negócios da família.

O filme conta ainda com a linda Bridgette Wilson de par romântico de Sandler, sempre uma beleza que vale a pena conferir e ainda Chris Farley (outro hilário comediante da época, infelizmente morto no ano 1997) no papel de um cômico motorista escolar , juntamente com o show de Sandler que faz o que quer e nos diverte nesse filme que o lançou definitivamente para o sucesso.


- Jamaica Abaixo de Zero ( Cool Runnings, EUA, 1993)

Realmente me surpreendeu rever esse filme. Bonito, sincero e com uma bela mensagem contra o preconceito como pano de fundo. Sem falar que é uma das últimas atuações do mestre Jonh Candy (falecido precocemente em 1994), sempre com seu carisma hospitaleiro e no papel de quem a vida vem para dar uma lição.

Baseado numa história real, sobre uma incomum pretensão, formação e treinamento de uma equipe jamaicana de Bobsled (espécie de esporte de neve em que deve-se andar com um trenó especial numa rápida pista de gelo) que deseja - e consegue - participar das Olimpíadas de Inverno de 1988.
Produzido por ninguém menos que a Walt Disney, reprisado muita vezes pela Globo na clássica Sessão da Tarde, essa comédia tem o poder de ser emocionante em diversos momentos, a película realmente prende a atenção e você torce pelo sucesso do time Jamaicano, tem algo que cativa.

Jonh Candy é a estrela com seu jeito bonachão, Doug E. Doug está impossível como o Rastafari Sanka.
Uma sessão da tarde de luxo.


- Marte Ataca ( Mars Attack, EUA, 1996)
Uma divertida paródia aos filmes de ficção cientifica, principalmente aqueles primórdios dos anos 50, esse projeto de Tim Burton (sempre maluco e genial) também foi visto por muitos como uma sátira aos filmes-catástrofe que saiam na época, com “Independence Day” ( Idem, EUA,1996), já que Marte Ataca trata a invasão de extraterrestres ao planeta terra de maneira cômica, exatamente na linha contrária dos filmes-catástrofe.
Os efeitos especiais e a trilha sonora são propositalmente precários, os marcianos têm um “design” um tanto quanto peculiar, parecem vindos direto de um HQ. Não por acaso “Marte Ataca” foi inspirado numa revista em quadrinhos de mesmo nome, que como você já deveria saber nunca foi e, nunca será lançado por aqui.
O clima de ficção cientifica barata e a não-pretensão desse projeto que é um grande filme, com um grande elenco, porém não tem ambição em nenhum momento, a não ser a de ser um simplório filme B.
Isso mesmo!
E você já viu um filme B com Jack Nicholson, Michael J. Fox, Glenn Close, Pierce Brosnan e Sarah Jessica Parker?
Não que esse filme seja B, mas se não é B é uma grande homenagem a eles.
Burton mais criativo do que nunca aproveita também para fazer uma paródia ao “american way of life” há começar da casa branca. O presidente (Jack Nicholson) é um banana, a primeira dama (Glenn Close) é uma mulher fútil que só pensa nas roupas que usa. E os dois estão únicos.
E tem mais...
Os militares são uns alienados (diferente dos heróis de guerra de Independence Day) e só pensam em ganhar medalhas, já imprensa é representada como tal: suja e facilmente maleável.
Vale cada minuto de exibição.


- Meu sobrinho é um terror ( Clifford, EUA, 1994)

Deixei o melhor da sessão para o final. Esse filme verdadeiramente marcou minha infância, uma comédia de humor negro espetacular, não existe outro adjetivo para descrevê-la.
Assim como Sandler, Martin Short, que aqui interpreta Clifford começou no Saturday Night Live, aliás, esteve lá por um longo período (1984-2006). Pois é, Short tem a cara do humor escarrado dos anos 90, não entendo como não fez mais sucesso como Carrey ou Sandler.

Não posso deixar de falar também de Charles Grodin que faz o tio neurótico do menino endiabrado. Os produtores de Clifford com certeza viram “Beethoven, O magnífico” (Beethoven, EUA, 1992) 2 anos antes, porque aqui o papel é praticamente o mesmo, um homem de meia idade a beira de um colapso, só que invés de pirar por causa de cachorro, ele perde o senso por causa do seu sobrinho de 10 anos.


Os pais de Clifford (interpretados por Richard Kind e Jennifer Savidge) já estão putos da vida e querem simplesmente matar o garoto e não é pra menos. Logo nos 10 primeiros minutos do filme ele já: acordou seu pai enfiando seu pequeno dinossauro no seu nariz e fez um avião pousar em Los Angeles porque ele está fascinado por um parque de dinossauros que tem na cidade.
É aí que entra o Tio Martin (Charles Grodin). O pai do garoto tem uma reunião em São Francisco e com medo que o moleque arrume mais confusão ele liga para o seu irmão pedindo que fique com Cliff no final de semana. Programão, hein?

Tio Martin quer impressionar a linda Sarah Davis (Mary Steenburgen). Ela quer ter filhos e Martin vê a oportunidade perfeita para provar que pode se dar muito bem com crianças.

Só que Clifford vai fazer qualquer coisa para ir ao tal parque. É ver para crer.

Um filme totalmente sem escrúpulos, que chega a chocar. Martin Short e Grodin formam a dupla perfeita: o pequeno doente e o tio que aos poucos enlouquece com as peripécias do sobrinho, os ingredientes perfeitos para uma boa dose de risadas.
Espetacular!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Peste (1997)


" Máfia escocesa, um malaco latino, um alemão nazista e uma caçada humana com muita grana em jogo... uma boa ideia, porém mal executada.”

Ah, o humor do cinema do anos 90... a década que começou com comédias pouco (ou nada) engraçadas como “Edward Mãos de Tesoura” (Edward Scissorhands, EUA, 1990) e “Uma Linda Mulher” (Pretty Woman, EUA, 1990), filmes feitos como o único intuito de lucrar, que vieram no embalo dos anos 80, mas não chegando nem perto de filmes do final da década anterior como “Os Fantasmas de divertem” (Beetlejuice,EUA,1988) um filmaço de Tim Burton que mescla vários elementos do humor, e tendo um tema que bem trabalhado como foi, vira um bom entretenimento e ainda pode render um bom lucro aos produtores (sanguinários e capitalistas).

O que foi feito para tentar inovar (e não deu certo), ou as histórias românticas colegiais que se eternizaram no anos 80 (e voltaram nos 90) chegou a um certo limite. Então começam a aparecer produções interessantes, como “Quanto mais idiota melhor” ( Wayne’s World, EUA, 1992) e sua divertidíssima continuação “Quanto mais idiota melhor 2” ( Waine’s World, EUA, 1993): um filme baseado num esquete do programa "Saturday Nigth Live", da NBC, que levou Mike Myers direto à fama, nos apresentou um humor junkie, o qual jamais havia sido visto. E esses dois filmes ganharão um post aqui no Estranhezas Cinematográficas em breve.

Em 1993 também vimos coisas boas como “ A Família Buscapé” ( The Beverly Hillbillies, EUA, 1993) uma autêntica gozação ao "american way of life". O que falar então do surgimento de Jim Carrey? Em 1994, com “O Máscara” ( The Mask, EUA, 1994), o personagem Stanley Ipkiss e seu cachorro Milo viraram até desenho depois do sucesso do filme. E é bom lembrar que, antes mesmo do “Máscara”, e no mesmo ano de 1994, Jim Carrey fez o excelente “Ace Ventura – Detetive de Animais “ (Ace Venture, pet detective, EUA, 1994), uma das melhores comédias da década que ganhou uma continuação, também esplêndida.
Outro ator cômico que se consagraria na metade da década de 90, não muito longe dali, no ano de 1995, foi o hoje rei-do-blockbuster Adam Sandler. Com “Billy Madison- Um herdeiro bobalhão” –diga-se de passagem horrível o título nacional- ( Billy Madison, EUA, 1995) o modelo paspalhão estava de volta, agora ao extremo. O próprio Sandler participou do filme "Cônicos e Cômicos" ( Coneheads, EUA, 1993) e “Os Cabeça de Vento” (Airheads,EUA, 1994), primores da década.

Depois de uma breve prévia de um pouco das comédias da década vamos ao ponto central desse artigo que é sobre um filme com uma ideia boa, porém mal executada: o bizarro “O Peste” ( The Pest, EUA, 1997) dirigido por Paul Miller é um adaptação do conto "The Most Dangerous Game" de Richard Connell.
Miller é péssimo. O roteiro que deixa a desejar da primeira fala ao último crédito. Aí fica difícil, fazia tempo que eu não via um filme e pensava “que filme forçado!”, pois bem foi o que eu pensei.

E vamos a ele...
Um alemão nazista querendo caçar um latino que, se sobreviver 24 horas, vai ganhar US$ 50 mil. E o mesmo latino deve os mesmos US$ 50 mil à máfia escocesa (!!!). Parece um enredo que pode dar liga, ainda mais dado o gênero de comédias escatológicas da segunda metade dos anos 90? Acho que sim, mas não é o que acontece, o filme é apelativo demais ( temos cenas de uma cagada sonora na mata, vômitos, hormônio do sexo e muito mais para fazer o espectador esquecer o roteiro pífio e se deixar levar pelo bizarro modelo imposto pelas lentes de Miller).



Portanto, se você procura algo sensato e bem elaborado num filme, você vai odiar esse.

Pestario Vargas o “Pest” (Jonh Leguizamo, chega a arrancar umas risadas, poucas.) é um malaco latino (bem estereótipo, vestindo sempre jaquetas "Sport" da Nike, aquelas que parecem compradas na 25 de março.) que vive de pequenos golpes e sua família insiste que ele vá pelo “caminho certo”. Ele namora Xantha (Tammy

Townsend) e está sempre na companhia de seus amigos (estereótipos) Ninja ( Freddy Rodriguez) e o negro estilo rapper, um tipo que começou a aparecer muito em comédias desde então, Chubby (Aries Spears).


Gustav Skank ( Jeffrey Jones, já teve momentos melhores, mas também arranca mínimas risadas e só) coleciona cabeças empalhadas de homens de todo mundo, o único exemplar que falta em sua coleção é um latino. Num evento popular ele procura sua última vítima, então indica à distância para seu capanga Angus ( Charles Hallahan) o exemplar ideal, só que o capanga se confunde e acha que Pest é o cara, no típico clichê.

Pest também tem um emprego como entregador de comida chinesa, então Gustav faz um pedido e advinha quem vai entregar? Informado por Angus sobre os problemas de Pest com a máfia escocesa, ele oferece ao latino uma bolsa em uma faculdade no valor de US$ 50 mil, o nosso latino-man topa na hora. Só que antes de receber a grana ele vai ter de participar de uma caçada no fim de semana, só que ele ainda não sabe que ele mesmo é a caça.

Até aí eu ainda pensava: “ ele vai caçar o cara, vamos rir um pouco e depois dormir porque amanhã é um novo dia”. Errado, o roteiro daí para frente só fica cada vez mais apelativo e com cenas desnecessárias e mais apelação. Salvo algumas caras e bocas de Leguizamo, alguns trejeitos de Jeffrey Jones que valem pelo menos meio ingresso.


Concluindo...
A ideia mal aproveitada em Pest era o fim de uma era. No final dos anos 90 vierem filmes modernosos e metidos a diferentes como “Quem vai ficar com Mary?” (There's Something About Mary, EUA, 1998) um filminho até que divertido sobre as relações humanas, onde não vejo nada de inovador, é apenas engraçadinho, o mesmo digo de “Shakespeare Apaixonado” (Shakespeare in Love, EUA, 1998), por incrível que parece ganhou o Oscar de melhor filme (!!!) e ainda melhor atriz (Gwyneth Paltrow), melhor atriz coadjuvante (Judi Dench), melhor direção de arte, melhor figurino, melhor trilha sonora de comédia/musical, melhor roteiro original. Filminho engraçadinho, nada mais.

O Pest, pelo menos, não veio com o intuito de ser diferente e modernoso e, sim, bizarro e cheio de piadas absurdas. Chega a dar saudade do meio dos anos 90, um cinema verdadeiramente sem escrúpulos e que, dada a sua ruindade (leia-se genialidade) me atrai muito mais que filminhos engraçadinhos.




Léo Castelo Branco

**

Ficha Técnica

Direção: Paul Miller
Roteiro: David Bar Katz (história e roteiro), John Leguizamo (história)
Gênero: Comédia
Origem: Estados Unidos
Duração: 84 minutos
Elenco : John Leguizamo (Pestario 'Peste' Vargas), Jeffrey Jones (Gustav) Edoardo Ballerini(Himmel)

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