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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Curtinhas de Léo Castelo Branco - Parte 4 - Os clássicos

Viciados em cinema, apaixonados pelas películas e analfabetos funcionais Léo Castelo Branco está de volta dissecando mais obras cinematográficas para vocês. Depois de uma overdose do gênero fantástico, era preciso dar um tempo. Mudar um pouco os ares.

Hoje vou falar sobre alguns clássicos, novos e antigos, que marcaram minha última sessão. São eles “Um Estranho no Ninho”, “Mississipi em Chamas” e “Cisne Negro”. 3 grandes obras, uma de cada geração. Se você já as viu é um verdadeiro admirador dos verdadeiros clássicos, se não viu leia as resenhas e não perca tempo, aproveite que o final de semana está chegando.

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Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, EUA, 1975)


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A vida como ela é+Jack Nicholson e Louise Fletcher inspirados+entrega total do elenco e produção= uma das maiores obras da sétima arte

Uma obra quase real. Na minha visão, apenas saber desse fato já valeria para ver “O Estranho no Ninho” com outros olhos, mais aguçados. Não bastasse isso, o filme é simples e genial, realmente fora de série. Se todas essas qualidades ainda não lhe convenceram, essa obra do diretor Milos Forman e produzida por Michael Douglas e Saul Zaentz pode ser vista tanto pela ótica da comédia , como pela dramática. Baseado no livro de Ken Kesey, que o escreveu através de experiências vividas em manicômios de verdade, “O Estranho no Ninho” é um filme muito próximo da realidade. Na história o condenado Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson) se passa por louco para evitar trabalhar no campo e acaba sendo transferido para um manicômio, onde vai alterar a rotina dos presentes e entrar em conflito com as rígidas normas de controle estabelecidas pela instituição e seguidas à risca pela enfermeira Mildred Ratched (Louise Fletcher). Jack Nicholson está sublime e sua atuação é o fio condutor que transforma as páginas do livro em imagens no cinema, atuação essa que lhe rendeu a estatueta de melhor ator no ano de 1976. Só por ele o filme já seria excepcional, mas o roteiro de Bo Goldman e Lawrence Hauben desenvolve uma dezena de personagens que são fundamentais nos argumentos da estória. Durante todo o filme é difícil ver uma atuação isolada, porque cada um tem o seu brilho e um “louco” da o tom para outro, como uma família em perfeita sincronia. Vale citar a atuação dos ainda novinhos Brad Dourif, Danny De Vito e Christoper Lloyd que mais tarde viriam brilhar em outros clássicos em nossas telinhas e telonas. Reza a lenda que Jack Nicholson se internou durante 2 meses em um hospício para construir cada detalhe do personagem. Não sei o que ele fez, mas deu certo. O seu MacMurphy está nos detalhes e em atitudes inesperadas, desde bater na mesa do diretor da instituição como quem mata uma mosca até o modo como ele cativa os demais. No fim o que fica é que todos nós somos “loucos”, cada um tem suas manias, alternamos momentos alegres e tristes. Essa é lei da vida, e em “O Estranho no Ninho” ela é mostrada de várias formas, por isso essa obra prima da sétima arte está tão próxima da realidade. Se você não viu, comece a duvidar do seu gosto pelo cinema.

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Mississipi em Chamas (Mississipi Burning, EUA, 1988)

* Direção segura+trilha marcante+pouca inovação= um clássico controverso

Esse com toda certeza é o mais contraditório dessa edição das Curtinhas de Léo Castelo Branco. Tive 2 impressões com esse filme, uma boa e outra ruim, mas vamos por partes. Assisti “Mississipi em Chamas” quando era mais novo e ingênuo, ainda no colégio, quando estudávamos sobre o preconceito. Na época o adorei e idolatrei. Ao assistir pela segunda vez, agora madurecido me surgiram algumas dúvidas, que contarei após lhes apresentar a sinopse desse controverso clássico. “Mississipi em Chamas” se passa em uma cidade no Sul dos EUA, nos anos 60, época que a KKK estava a pleno vapor. Na cena de abertura dois jovens brancos e um negro são perseguidos em alta velocidade, depois de muita correria eles vêem que é a polícia e param. Um homem branco aparece e após falar “Você já está com o cheiro dos negros, judeuzinho” atira sem pestanejar na cabeça do rapaz branco que estava no volante. E assim os créditos aparecem na tela, juntamente com a certeza que vem chumbo grosso pela frente. O FBI é chamado para resolver o crime, os agentes Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willian Dafoe) vão até o local e sustentam um clichê de um jeito pouco disfarçado (aí começaram os meus questionamentos). Rupert é mais caipira e não gosta de sempre agir de acordo com as regras para fazer justiça, já Ward é mais centrado e certinho (leia-se almofadinha). Logo na primeira cena dos dois, o diretor Alan Parker (“O Expresso da Meia Noite”) mostra que a convivência entre eles não vai ser das mais fáceis, até que descubram que tem mais do que pensam em comum e se unam de verdade para fazer o bem. Clichê, né? Basta lembrar de Riggs e Murtaugh, a dupla explosiva de “Máquina Mortífera” que no início tinha um comportamento parecido e depois de “se resolverem” se transformaram em uma dupla de tiras perfeitos. Não que não goste de “Máquina Mortífera”, pelo contrário, gosto muito, mas em “Mississipi em Chamas”esperava algo fora dos padrões, até porque o tema escolhido era muito pouco explorado na época. Outro detalhe negativo que me chamou a atenção nessa revisão foi à passividade dos negros da cidade, nunca tentavam nada e quando tentavam era apenas superficial. O filme esquece de retratar os processos de mobilização negra que já explodiam nos EUA e Martin Luther King só é citado em piadas racistas dos sulistas. No final, resta ao FBI dos homens brancos salvar a pátria, e cá entre nós, na vida real e na época essa instituição demonstrava ter outros interesses. Mas como afirmei no começo, não é só de coisas ruins que é feito “Mississipi em Chamas”, para mim aliás ele continua um clássico intacto, dentro das suas limitações é claro. A direção firme de Parker leva o espectador de fato a viver a experiência de sentir-se em uma cidade do sul dos EUA nos anos 60, em alguns momentos chega a dar claustrofobia o exagero de detalhes e o clima que vai ficando cada vez mais tenso para os agentes do FBI. A trilha que não fica mais de 5 minutos sem aparecer é assombrosa, uma batida sequencial que parece saída de uma roda de macumba é capaz de deixar os ânimos ainda mais aflorados. As cenas de violência são muito bem feitas e estão presentes durante todas às 2 horas da fita, o que reforça o sadismo da KKK. Entre mortos e feridos,“Mississipi em Chamas” é um clássico que merece respeito, acima de tudo pela direção sempre segura de Alan Parker e também pelas cenas de ação bem fortes e bem construídas. Mas, na minha opinião, poderia pegar mais na ferida e tocar ainda mais o espectador para esse problema que ainda hoje é presente.

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Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010)

*Estilo Darren Aronofsky+Natalie Portman divina+ detalhes inquietos= Um novo clássico

Um passeio doentio pelas dores e prazeres de seus personagens. Assim poderia ser descrito o trabalho do diretor americano Darren Aronofsky, que também é perturbador sem deixar de ser vibrante. Apesar de não ser um profundo conhecedor da sua obra, o pouco que conheço já me faz admirá-lo como poucos. E “Cisne Negro” foi fundamental para essa admiração aumentar. Confesso que não estava com a mínima vontade de ver, imaginei que fosse um drama chato e repetitivo. Fui convencido pela minha namorada que sabe muito bem reconhecer aquele filme que se sobressai quando vê um, então fomos lá ver o que para mim ainda era inesperado. O resultado foi surpreendente, muito acima do esperado. Na história,bailarina (Natalie Portman) se vê de frente com a oportunidade de interpretar o papel principal de “Lago dos Cisnes”, escrito por Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin, mas ela terá mostrar seu lado negro, além do angelical que já tem, para poder ser a estrela do espetáculo. A obra mostra, de maneira sublime, cada passo dessa transformação, nada se perde na câmera de Aronofsky que capta cada lágrimas, sorrisos, o sofrimento do treinamento (em cenas que chegam a dar agonia), o sabor da vitória e da derrota, a inveja das outras bailarinas e a obsessão da mãe. Tudo isso retratado nos mínimos detalhes. É praticamente como se sentíssemos as mesmas sensações da protagonista. Natalie Portman aqui vive sua melhor atuação, a estatueta que levou foi mais que merecida. A sua transformação nesse personagem lembra o McMurphy de Jack Nicholson citado acima em “O Estranho no Ninho”, claro que são mudanças diferentes, mas com a mesma intenção: levar o espectador ao limite. “Cisne Negro” é um filme que mostra os dois lados, seja a dor ou prazer, a vitória ou a derrota, de um jeito muito detalhista e vezes sombrio. O melhor filme que vi nos últimos tempos sem sombra de dúvidas, e como o propósito desse post era falar de clássicos, esse é um da nova geração. Mesmo lançada recentemente, a obra de Darren Aronofsky já se eternizou. E o Oscar não tem nada haver com isso.

Mandem opiniões, críticas e sugestões de filmes pelos comentários. E Siga o Estranhezas Cinematográficas (@cinemaestranho) no Twitter para ficar atento as novidades.

Texto escrito por Léo Castelo Branco (@leocastelob)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Trilogia - Evil Dead.

Caros amigos, cinéfilos e visitantes. O Estranhezas Cinematográficas (@cinemaestranho), mais uma vez, está de volta, só que dessa vez para ficar e com novidade. Nossa equipe (antes só o Léo Castelo Branco) agora ganhou um reforço, e já era tempo. Leilson de Souza é fã de cinema em todas as suas vertentes, ligado nas redes sociais e está iniciando nas criticas cinematográficas.

E não é que ele surpreendeu? Na sua estreia, faz uma bela análise dos 3 filmes da consagrada série B “Evil Dead”. Leia abaixo e se surpreenda também:








The Evil Dead - A Morte do Demônio (1981)

Cinco jovens vão passar alguns dias em uma cabana na floresta e são atormentados – para dizer o mínimo – por forças do mal. Não parece clichê, é. Mas nunca um clichê foi revirado com tanta energia e criatividade como em “Evil Dead” (“A morte do demônio”, no Brasil), de 1981. Estreia na direção de um ex-ajudante dos irmãos Coen, o jovem Sam Raimi (com pouco menos de 22 anos na época), e estrelado pelo carismático canastrão Bruce Campbell, este clássico do gore é uma demonstração de que se pode fazer um (bom) filme com pouco dinheiro.Ao contrário de suas seqüências, essa parte não tem humor e investe em um horror gráfico e exagerado. O que se vê na tela é sangue e espertos truques de câmera. Ah, sim, antes que me esqueça, a história: Ash (Campbell), sua namorada, Linda (Betsy Baker), sua irmã e um casal de amigos (cujos nomes não fazem a menor diferença) vão passar um final de semana em uma casa no meio do mato (alerta de clichê!) e acabam encontrando pertences de um arqueólogo, entre eles o “Livro dos Mortos” sumério e uma fita cassete com trechos narrados deste último. É claro que, ao contrário do que o bom senso recomendaria (bom senso? Num filme de terror? Sério?), eles tocam a tal fita, o que provoca o despertar de ferozes entes demoníacos (que, claro, o espectador nunca vê; pouco dinheiro, lembra?). Daí pra frente é uma sucessão de coisas grotescas, que incluem desmembramentos, cabeças falantes e árvores estupradoras.Sem dar um minuto de fôlego ao azarado Ash, a insanidade prossegue até o último minuto, deixando o público esperando a (inevitável?) continuação. Resumindo: “Evil Dead” é obrigatório – e isso, sim, é clichê – para os verdadeiros fãs de horror, porém altamente contra-indicado a pessoas sensíveis e estômagos fracos.

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The Evil D
ead 2 - Uma Noite Alucinante 2 (1987) Dir: Sam Raimi

Ao contrário do que dizem os críticos mais chatos (ou desatentos), “Evil Dead II” (“Uma noite alucinante 2”, no Brasil), de 1987, não é um mero upgrade do primeiro filme. Olhando com mais atenção, percebe-se claramente a intenção do diretor (novamente Sam Raimi) de usar os primeiros minutos como um resumo dos eventos anteriores (eliminando tudo que fosse supérfluo). Aqui, Ash (Bruce Campbell), depois de se livrar da endemoniada namorada Linda, ser ele mesmo possuído e ter problemas até com a própria mão, é surpreendido pela chegada de Annie, filha do professor Knowby (o arqueólogo dono da cabana, para quem não se lembra), e de um colega dele, além de outras pessoas. A primeira impressão que Annie tem é de que Ash é um assassino, o que faz com que ele logo seja confinado no porão, onde entra em cena Henrietta, esposa morta-viva de Knowby e também uma das criaturas mais pavorosas já vistas (por mim, claro) no cinema. Desfeitos os mal-entendidos, tem-se a seguir uma mistura de comédia de humor negro com pastelão (sem esquecer do horror, evidentemente), com destaque para os muitos litros de sangue (verde) e a já icônica imagem de Ash com a motosserra afixada ao braço. (Falando nisso, aqui vai uma curiosidade: a cena do chafariz de sangue vindo da parede é uma homenagem a “A Hora do Pesadelo” (1984), de Wes Craven.). Aqui também descobrimos que o verdadeiro nome do “Livro dos Mortos” é “Necronomicon” (foi “emprestado” da obra de H.P. Lovecraft). Mas enfim, este filme, se não inaugurou o gênero “terrir”, ao menos tornou Raimi um dos seus maiores expoentes, além de nos proporcionar quase 1h30min do mais puro cinema fantástico (e trash).

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Army of Darkness: Evil Dead 3 - Uma Noite Alucinante 3 (1992)

O ano era 1992. Ninguém esperava outro “Evil dead” (mesmo porque ainda não havia internet para nos informar desse tipo de coisa). Mas Sam Raimi surpreendeu e lançou “Army of Darkness” (“Uma noite alucinante 3”, no Brasil), continuação direta das aventuras – ou seriam agruras? – de Ashley “Ash” Williams (sim, esse é o nome dele, apesar de nunca ter sido citado). Como visto no fim do longa anterior, ele é transportado à Idade Média e, como sempre, tratado como um elemento hostil. Depois de provar seu valor, o que implica em destruir um desmorto, Ash é aclamado e, com ajuda do Sábio, conselheiro de Lorde Arthur (“lorde”, não “rei”) descobre um meio de voltar a sua época. Como não poderia deixar de ser, esse meio envolve o famigerado Necronomicon. E lá vai o anti-herói uma vez mais se embrenhar na floresta, onde se depara com antigas e novas ameaças (o que inclui uma contraparte maligna, o “Evil Ash”). Chegando ao livro, Ash deve recitar 3 palavras mágicas (“klaatu barada nikto”, tiradas de “O dia em que a Terra parou”, de 1951) para poder manuseá-lo com segurança. Mas erra a última e provoca o despertar do tal “exército dos mortos” do título. Devido ao excesso de humor (e a quase total ausência de bizarrices como as dos anteriores), esse é considerado um filme “menor”, quase uma “Sessão da Tarde”. Eu, particularmente, vejo como uma conclusão bem digna da série, que põe no bolso muito blockbuster feito hoje. Em tempo: se puder, procure o desolador (e muito mais engraçado) final original.

* Por Leilson de Souza (@NostalgiaNao)


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Curtinhas de Léo Castelo Branco - Parte 3 - A volta




Os Mercenários (The Expendables,EUA,2010)

Stallone em plena forma+viagem no tempo+nostalgia boa= Um autêntico FILME PRA MACHO!

Quando surgiram os créditos inicias e os nomes de peso do cinema de ação pipocando na tela me senti aliviado, pois era o sinal que minha ansiedade estava para acabar. Como muitos, esperei bastante para ver o resultado dessa união de testosterona, e aguardava um verdadeiro FILME PRA MACHO!!! As críticas por aí estão muito divididas, alguns amaram outros odiaram. Eu gostei. O filme cumpriu com êxito seu objetivo que era entrar na máquina do tempo e reviver aquele velho cinema de ação dos anos 80. Explosões de exércitos inteiros, piadinhas sem graça (tão sem graças que se tornam hilárias!!), resgate da mocinha revolucionária, um traidor dentro da equipe, um malvado ditador latino americano e bala pra tudo quanto é lado!!! Está tudo lá, dentro de um roteiro pífio que beira o ridículo, mas história pra que? Com um time desses a diversão está garantida. O filme ri de si mesmo, se leva na brincadeira, e é ai que está a graça toda da coisa. A cena em que temos Bruce Willis, Stallone e Arnold Schwarzenegger reunidos é impagável e de total improviso, mas o filme reserva surpresas muito melhores e dignas de uma imensa nostalgia. Que saudade de filmes como “Duro de Matar”, “Comando para Matar”, “Rambo – Programado para matar”, “Máquina Mortifera” e “Robocop”. Em “Os Mercenários” o humor é evidente, mas o que me invadiu mesmo e vale ressaltar, foi a nostalgia, que falta fazem os filmes de ação de um tempo pré-CGI, depois dos efeitos especiais parece que os cineastas, em grande parte, se tornaram mais preguiçosos e passaram a valorizar menos o talento humano. Outro fato que o espectador deve notar é que "Os Mercenários" é de Stallone e Jason Stahan, o resto do elenco são coadjuvantes de luxo que aparecem nas horas certas, devidamente armados até os dentes ou com golpes e malabarismos cheios de estilo. O destaque especial fica para Terry Crews, o ex jogador de futebol americano se superou em uma de suas melhores atuações, que com certeza deve abrir as portas para ele no cinema de ação. Apesar de serem estilos diferentes, acho Crews muito mais carismático que Stahan que ficou com o "papel principal". Os defeitos existem. O principal deles é a falta de mortes, principalmente dos atores do alto escalão, também é estranho todas as estrelas estarem no mesmo time, com uma exceção que não é tão exceção assim - quem não viu vai descobrir. Mas somando tudo valeu esperar esse legítimo FILME PRA MACHO, ele chegou onde queria. E para os que não gostaram, encarem a vida com mais bom humor!!

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JVCD (Idem,França,2008)
Um novo Van Damme+Belíssima fotografia+Desabafo= um filme inimaginável

Surpreendente! Esse é o adjetivo para descrever o belga Jean-Claude Van Damme numa atuação nunca antes vista, vivendo ele mesmo. Isso mesmo. A história mostra a decadência do ator refletida no seu cansaço, forma física e em sérios problemas como a perda da guarda da sua filha. Portador de uma fotografia cinzenta, muitas vezes incolor, ”JVCD” é um drama forte e com personalidade do começo ao fim. Já imaginou Van Damme num filme assim? Nem eu. O resultado dessa “loucura” é sublime e se você não gostar, vai pelo menos ver uma obra completamente diferente de todas que o mestre do filmes de pancada já encarnou e só por isso “JVCD” já vale a exibição. Outro ponto forte do filme é poder ver e até sentir o descontentamento de Van Damme com a mídia em geral. Em um certo momento ele faz uma oração e seu corpo se eleva como num sonho, então Jean-Claude desabafa e derrama lágrimas que, com certeza, são sinceras e verdadeiras. Ele fala sobre tudo que já citei e mais um pouco. Essa cena ficou martelando na minha cabeça depois que a sessão acabou, quem diria que o astro de filmes como “Timecop” (“Guardião do Tempo” no Brasil) e “Grande Dragão Branco”, obras essas com grande aceitação popular e exibidas exatas 4300.857 vezes na TV aberta estrelaria uma película tão próxima da realidade como essa. Em uma frase: eu não perderia se fosse você!

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Cloverfield – Monstro (Cloverfield,EUA,2008)
Caos+medo+gritaria= Mais do mesmo

Ainda não entendi por que tanto barulho por esse “disaster-movie”, com elementos já usados anteriormente em “Cannibal Holocaust” e copiado descaradamente em “A Bruxa de Blair”. A mistura desses gêneros sob a ótica do diretor Matt Reeves não me agradou e apesar de todo marketing viral feito antes do lançamento do filme em 2008, só resolvi vê-lo agora e ainda pela coincidência de encontrá-lo passando em um canal de TV a cabo. Não me arrependi. A obra é um amontoado de gritaria, caos, medo e...mais gritaria. Tudo isso registrado por uma pequena câmera portátil, assim como já vimos em outros filmes do gênero, só que agora o terror atinge toda a Big Apple e temos um monstro ao estilo Godzilla destruindo tudo o que vê pela frente. O filme narra a história de cinco jovens, um deles está de mudança para o Japão (terra dos verdadeiros monstros gigantes!!!) e tudo começa na festa de despedida do dito cujo. Um dos seus colegas fica encarregado de filmar tudo o que acontece na festa e não demora muito para a ação começar. O ponto alto da película é mostrar o caos que toma conta de NY de uma maneira diferente, com uma fotografia bem obscura e ousada, mas não adianta porque o resto não empolga. Os personagens também não são nem um pouco carismáticos e o roteirista Drew Goddard deixa eles tão apequenados perto do terror e do próprio mostro que eu não me recordo o nome de nenhum deles. Talvez essa tenha sido a intenção dele e dos produtores, mas eu senti falta, ficou uma espécie de vazio. O monstro, personagem principal, vai sendo mostrado aos poucos e no final também não é grande coisa. Muito efeito especial por nada. “Cloverfield – Monstro” é uma tentativa do cinema americano de fazer, mais uma vez, um filme com grandes monstros só que peca pela falta de originalidade, tentando reinventar a roda sem sucesso.

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O Bebê de Rosemary (Rosemary's baby,EUA,1968)
Suspense com pitada de horror+mistério envolvente+roteiro impecável= Um dos melhores filmes da história

Taí um verdadeiro exemplo de cinema clássico e único. O diretor polonês Roman Polansky, ainda um cineasta em acessão na época, se consolidaria com essa obra de suspense com pequenas pitadas de horror. O casal Guy (Joe Cassavetes) e Rosemary Woodhouse (Mia Farrow) está de mudança para o seu novo apartamento e logo esperam ter um filho. Tudo vai de vento em poupa até conhecerem o casal de vizinhos Minie (Ruth Gordon, no papel que lhe rendeu um Oscar) e Roman (Sidney Blackmer) e pioram ainda mais depois que Rosemary fica grávida de fato. Ela começa a ter sonhos estranhos, ouve barulho nas paredes e enquanto isso o espectador fica sem saber no que acreditar. Sonho ou realidade? Seriam os vizinhos culpados? O marido? Uma história encaixada com milimétrica perfeição em um roteiro maravilhoso, também escrito por Polansky, que deixa o espectador com um senso de ambiguidade na cabeça. Se você não é dessa galáxia e não viu essa obra única, faça como eu, alugue!!!

Escrito por Léo Castelo Branco

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Curtinhas de Léo Castelo Branco - Parte 2 - A revanche



O Golpista do Ano (I Love you, Phillip Morris,EUA,2009)
Ótima narração+Hollywood mentirosa+Jim Carrey impecável = a melhor comédia dramática dos últimos anos

Qual a melhor maneira de se contar uma história? O que realmente a torna de fato interessante? Os personagens, a narração ou as surpresas reveladas no transcorrer do quebra-cabeça da trama? No caso de “O Golpista do Ano” (lixo de tradução) temos todas as alternativas e, de fato, uma história muito bem contada, somada a um protagonista cativante que transborda carisma em um filme que dá pano pra múltiplas interpretações. Com pequenas e grandes reviravoltas no roteiro, “O Golpista do Ano” narra a história real de Steve Russell, um gay espertalhão que vivia de pequenos golpes e burlou diversas vezes o sistema penitenciário do estado do Texas, deixando George Bush, governador do estado na época, puto dos córnos (fato que o roteiro faz questão de frisar com ênfase). Steve fugiu 4 vezes da cadeia, dos modos mais inusitados, enganando o sistema e deixando Bush com cara de tacho, literalmente. Na primeira incursão na cadeia, ele conhece e se apaixona por Phillip Morris (Ewan McGregor, muito bem) e daí pra frente somos apresentados a uma história de amor com as trapaças de Steve de pano de fundo. O personagem de Carrey é aquele tipo que acredita estar acima de tudo e de todos e pode manipular qualquer um, já McGregor está uma menina definitivamente, o que é prova de uma interpretação digna de aplausos. O problema é que o filme insiste, já nos créditos iniciais, em frisar que tudo que se passará a seguir são fatos reais, o que não é verdade. Não acredita? Ou você não sabia que Hollywood é patologicamente mentirosa? Tudo bem, porque a atuação de Jim Carrey apaga qualquer coisa, mais uma vez, ele provou ser um excelente ator multi-gênero e o roteiro juntamente com a narração são os melhores que vi nos últimos anos.

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A Orfã (Orphan,EUA,2009)
Ambiente clichezento+personagens burros+boas atuações juvenis = um filme mediano

Sabe quando você assiste a um filme e tem a sensação de que a história foi mal aproveitada, que poderia ir mais além? Pois bem, senti exatamente isso ao fim da sessão de “A Orfã”. Eu diria que tirando o roteiro que segue a risca quase todos os clichês do gênero, recheado de cenas que parecem já vistas antes em outros filmes, personagens burros que não enxergam o óbvio e um final preguiçoso, até que seria um bom filme. Mas também não é péssimo, é sim salvo pelas boas interpretações juvenis, principalmente da orfã malvada Esther (Isabelle Fuhrman) e da garotinha que faz papel de surda (Aryana Engineer). A história tinha tudo para ser perfeita, mas o diretor espanhol Jaume Collet alterna momentos de extremo suspense com cenas clichezentas o que dá um resultado normal, no máximo podemos chamar esse “A Orfã”de um filme mediano.

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“O Sequestro do Metro” (The Taking of Pelhan 1 2 3,EUA,2009)
Denzel Washington + Jonh Travolta+filme paradão = sessão entretenimento

Denzel Washington é Walter Garber, um funcionário do Metro de Nova York, cuja vida vai ser muito afetada devido ao sequestro em uma das estações. John Travolta é Ryder, o autor do crime, que, como líder de uma gangue de quatro pessoas altamente armadas, ameaça executar os passageiros que estão nos vagões a menos que o resgate seja pago dentro de uma hora. Tá, beleza é só mais uma história clichê, já vista antes em diversas outras obras do gênero, como em “Assalto sobre trilhos”, por exemplo. E, em “O Sequestro do Metro” a coisa não é muito diferente, porém é sempre bom ver Denzel Washington e Jonh Travolta trabalhando separadamente, melhor então juntos. Seria melhor ainda se o filme tivesse mais ritmo, cansa ver os dois protagonistas desperdiçando seus talentos ficando quase o filme todo falando através de um rádio. E a ação? Que o espectador pagou pra ver? Enfim, direto e reto: uma sessão entretenimento, nada mais. Detalhe: o filme é um remake de uma obra de 1974 e Garber foi interpretado por Walter Matthau, já o personagem de Jonh Travolta ficou a cargo do não muito conhecido Robert Shaw.
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“Quanto mais idiota melhor” (Wayne’s World, EUA,1992)
Elenco impecável+risadas múltiplas+rock and roll = uma das melhores comédias dos anos 90

Relembrar é viver, sempre! Ainda mais pra esse filme besta feito para imbecis e que eu adoro. Imbecil ou não, cansei de rever e rachar o bico nos saudosos anos 90. Essa obra hilária traz para a telona nossa dupla Waney (Mike Myers) e Garth (Dana Carvey) que já faziam sucesso no Saturday Night Live. No novo formato, os dois têm um programa altamente cômico em uma rede fechada de TV, só que tudo muda quando eles recebem convite para estrelar um programa em uma grande rede de televisão norteamericana. As confusões e o estilo “todo desleixado” dos protagonistas mantêm os espectadores prontos a rirem a qualquer momento e a obra tem sua missão cumprida, com êxito. É diversão garantida! “Quanto mais idiota melhor" contém nos diálogos gírias exclusivas da época como: “detonar”, “no duro” e “da pesada”, e muito mais daqueles ingredientes que tornam tudo mais nostálgico (no bom sentido), falando em diálogos, os dos protagonistas são intocáveis!!! Ah, a trilha sonora também tem muito rock pesado, uma boa pedida para quem gosta do gênero. Para finalizar, “Quanto mais idiota melhor” é especial porque ri de si mesmo, atitude que falta a muitas comédias contemporâneas.

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Léo Castelo Branco.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Curtinhas de Léo Castelo Branco

Iniciando mais um nova e esquisita fase no Estranhezas Cinematográficas, apresento-lhes: as "Curtinhas de Léo Castelo Branco". Vez ou outra, aqui, você vai encontrar um apanhado de pequenas críticas de filmes mais atuais e outras indicações sem a menor ordem cronológica. Tudo para você aproveitar ao máximo (ou não) sua sessão de cinema.

Discurso feito, vamos aos filmes…

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Karate Kid (Idem, Harold Zwart, EUA, 2010)
Acrobacias de Chan+ pré adolescência bombando+ mudanças drásticas na história original = mais um péssimo e desnecessário remake

Qual o propósito de fazer um remake onde a ambientação da história original muda mais de 20.000 Km? E se o filme original tratava de karatê, porque esse tem que falar de Kung-Fu? Pergunte ao Harold Zwart, diretor de mais um remake sem o menor sentido e depois me explique, porque fiquei realmente curioso. Esse “Karate Kid” bebe na mesma fonte do original, mantendo aquela apelação emocional que força o espectador a escolher o lado do protagonista (Jaden Smith, sem carisma) e se for muito sensível até mesmo chorar no final. Afinal, essa é a proposta de uma obras dessas: entreter pelo tempo de exibição. Só que as 2 horas e 6 minutos cansam, as acrobacias de Chan e o excesso de pré-adolescência no roteiro também não ajudam, mas talvez o público-alvo deva gostar. A história é totalmente diferente do original, se passando na China, quando o garoto Dre se muda com a mãe para Beijing e começa a enfrentar problemas de adaptação principalmente quando se “apaixona” pela bonitinha Mei Ying (Han Wen Wen) e é atacado por uma gang de garotos inconsequentes que mais parecem vilões de filmes de guerra do Vietnam. Sr. Han (Chan) é o zelador do prédio para o qual Dre se muda e, aos poucos começa a gostar do garoto, e lhe ensinar o verdadeiro Kung-Fu para ele poder lutar num torneio onde poderá derrotar os garotos que lhe bateram no ínicio do filme. Não sei vocês, mas eu já cansei de Chan faz tempo, as suas acrobracias parecem coisa de circo e as atuações são todas muito parecidas. E ainda, logo eu, que nunca fui fã de série "Karate Kid" senti saudades de Ralph Macchio e Pat Morita. A questão é que esse "remake" fica muito abaixo do original, feito única e exclusivamente para o público juvenil que não teve contato com os filmes que marcaram época e fizeram muitos garotinhos começarem a praticar karatê.

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O Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, Jon Favreau, EUA, 2010)
A estrela de Tony Stark + Mike Rourke tímido + personagens demais = “apenas” uma boa sequência

Sempre digo e vocês sabem, é difícil uma sequência fazer jus ao original. E se tratando exclusivamente de cinema é praticamente impossível. Pois bem, com esse pensamento fui ver a continuação de “Homem de Ferro”, esperando dar boas risadas com o personagem Tony Stark (Robert Doney Jr.), encontrar algumas boas sequências de ação e nada mais que um filme divertido, porém inferior ao original. Acertei em cheio. Doney Jr. está impossível, divertidíssimo em uma atuação impecável, as cenas de ação são muito boas e com um certo charme, tirando o excesso de efeitos computadorizados nas cenas finais e ainda posso dizer também que a obra, vista como um todo, é realmente inferior ao primeiro como era de se esperar. Mike Rourke é o vilão-clichê típico de filmes de super-heróis. E discordo de grande parte da crítica que diz que ele “roubou a cena”. Tirando a melhor cena do filme, a primeira batalha vilão-herói que ocorre durante uma corrida em Mônaco em que ele se apresenta muito bem, o resto da película é apenas normal, o que se falando de Mike Rourke é pouco, não? Outro problema é o excesso de personagens na história, o que pode dificultar bem o entendimento do espectador, principalmente daqueles que não viram o original. O que fica claro é: Tony Stark é quem comanda o show. E, na minha opinião, é a melhor atuação de um herói, quando não usa armadura, do cinema.

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Marley e Eu (Marley and me, David Frankel, EUA, 2008)
História bonitinha+ adaptação de best-seller+ lição de vida = um filme engraçadinho

Para quem acha que sou um dos críticos de cinema mais insesíveis que já habitou a face da terra, se morda de raiva porque eu gostei,sim, desse bonitinho conto sobre crescimento, evolução e a vontade das pessoas se tornarem felizes com elas mesmas. Adaptado do best-seller autobiográfico de Jonh Grogan, “Marley e Eu” narra a história da chegada de um cachorro de raça labrador na vida do casal Grogan (Jennifer Aniston e Owen Wilson), o que era para ser uma espécie de treino para eles antes de terem filhos, até descobrirem que compraram “o pior cão do mundo”. O cachorro é muito bonitinho sim, só que o filme vai muito além dele, combinando drama e humor (contendo alguns exageros do gênero) e jogando na tela muitas situações cotidianas como casamento, trabalho e a formação de uma família. Gostei do resultado, um filme-entretenimento que faz pensar. E o cachorro ajuda, claro…



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Psicopata Americano (American Psycho, Mary Harron, EUA, 2000)
Christian Bale além do Batman+decadência do american way of life+ideia criativa e ousada= obra imperdível

Taí um filme que sempre adiei para ver, todo mundo buzinava na minha orelha dizendo que era do caralho, insano e um dos melhores filmes de serial-killers da história. Verdade, “Psicopata Americano” é um filmaço. Adaptado de um romance de Bret Easton Ellis, “American Psycho”, narra a vida de Patrick Bateman, um filhinho de papai que frequenta os melhores restaurantes de NY, usa as roupas mais caras, tem mais cremes hidratantes que a Monique Evans e tem como principal hobby, junto com seus amiguinhos, ver quem tem o mais estilizado cartão de visitas (!!!). Apesar de ter tudo, Bateman, sente-se vazio e encontra a solução dos seus problemas matando. Ele assassina suas vítimas ouvindo Phill Collins entre outras músicas dignas de um Yuppie e o engraçado é ver tantos artigos de luxo (mostrados a exaustão no começo do filme) dividirem espaço com facas, serras elétricas, entre outros artigos de Filmes-B. Muito original a ideia dessa obra que mistura humor, cinismo, sangue e muita criatividade na melhor atuação da carreira do até então futuro Batman - Christian Bale. Sem esquecer da crítica visível a alta e vazia sociedade norteamericana (e porque não mundial) mostrando que dinheiro não compra amor, gratidão entre outros tantos sentimentos.

Duro de Matar: o filme de Natal mais explosivo de todos os tempos

Porque o espírito de um filme de natal pode estar no lugar mais inesperado. Todo ano é mais coisa. Em meados de outubro, surge uma leva de f...