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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Eu Matei Lúcio Flávio (1979)



O que dizer de um filme rodado no Brasil em 1979, em que temos cenas de sexo ao som de Belchior, palavrões em 90% dos diálogos e um protagonista com um carisma-cafajeste único?

Fácil, ele se encaixa perfeitamente aqui, nesse blog.


“Eu Matei Lúcio Flávio” (Idem, Bra, 1979) é um filme histórico, obrigatório para qualquer cinéfilo de plantão. Obrigatório porque é um dos filmes mais imorais, violentos e sádicos já feito nesse Brasilzão doido. E mais: tem Jece Valadão no papel principal. O que transforma qualquer filme, num GRANDE FILME.


E esse é, sem sombra de dúvida, um grande filme, daqueles que realmente surpreendem o espectador. O roteiro tem suas falhas, sim. Mas nada que ofusca o brilhantismo da obra. E que obra!

Dirigido por Antonio Calmon (hoje roteirista de novelas chinfrins da Rede Bobo) o filme narra de maneira romanceada a história real do policial Mariel Maryscötte de Mattos. Uma figura que não saia das páginas policiais no Rio de Janeiro da década de 70, integrante do famoso Esquadrão da Morte da polícia carioca.



Com uma mensagem extremamente ultra-direitista, o lema “bandido bom é bandido morto” aqui é levado a sério e vai além disso. Porém, não se engane e não assista ao filme com um “certo preconceito”, faça o contrário, assista-o analisado friamente à época em que foi produzido. E ainda, tendo em vista que esse é, de fato, um bom policial nacional. Lembre-se que hoje nos cinemas temos como exemplo o bisonho “Segurança Nacional” (Idem,Bra,2010) que a crítica definiu como “o maior desastre do cinema nacional dos últimos tempos.”


"Eu matei Lúcio Flávio" veio de carona no filme de 1976 do diretor Hector Babenco, “Lúcio Flávio - O Passageiro da Agonia” (Idem, Bra, 1976), porém com uma grande diferença: no filme de Calmon, Lúcio Flávio é apenas um mero coadjuvante, enquanto no de Babenco ele é o personagem principal. Calmon teve mais coragem e ousadia ao fazer seu filme, digamos, “menos pop” e que é um verdadeiro tapa na cara de quem o assiste. Diferente do de Babenco, um filme-denúncia, porém sem a mesma ousadia (alerta: opinião pessoal).




Explicação: Lúcio Flavio foi o bandido fodão dos anos 70 no Rio de Janeiro, uma espécie de Fernandinho Beiramar da época, para se ter uma noção. No filme ele é interpretado por Paulo Ramos, porém aparece muito pouco. Sua existência na história é o que mantém o roteiro de pé, deixando o espectador a espera do combate final: Mariel x Lúcio Flávio.

Mas voltemos ao miolo do filme porque tem gente achando que ando escrevendo demais...

A película mal começa e Mariel (Jece Valadão) já arrebenta, sem dó nem piedade, três manés que estão falando alto durante um show em uma boate da qual ele é segurança, ou, como ele diz, “diretor de disciplina”. Além de exercer essa atividade na noite, Mariel é também salva-vidas durante o dia na praia Copacabana.



Ele acaba por salvar a vida de um velho suicída que tentava morrer afogado, e é aí que conhece a mulher por quem se apaixonaria, a filha do velho, Margarida Maria (Monique Lafond, aqui bela). Uma prostituta maluca que toma pico por Copacabana à fora, e que tem uma forte ligação na história, apesar de os roteiristas, Alberto Magno e Leopoldo Serran, aproveitarem muito mal isso. Já se prepare para uma história muitas vezes nada explicativa. Esse é o grande defeito do filme!

Então acontece um dos diálogos mais impagáveis da película, numa cena mais que hilariante. O velho suicída olha para Mariel e diz: “quantas pessoas você já salvou, valentão?”, “47”, ele responde prontamente, depois o velho homem pede para que ele então salve a vida de sua filha que está “perdida nos abismos da loucura”, o que Mariel aceita. Mas antes o velho diz: “Olha bem para minha filha, é uma puta não é? Tá escrito na cara dela”. Num jeito exclusivamente brasileiro, sincero e visceral. Essa foi uma das muitas cenas que fiz questão rever umas 4 vezes e que fazem o filme realmente valer a pena.

Depois dessa introdução emocionante (e hilariante), Mariel, recebe um convite para tentar entrar na polícia. O que ele consegue, como o melhor aluno da turma. Tinha que ter o clichê, né?



Daí pra frente as coisas começam a esquentar. Mariel pega alguns “bicos”de segurança de políticos até ser chamado para fazer parte do "Esquadrão de Ouro" da polícia, um grupo com os melhores policiais da cidade com carta branca para varrer o crime da cidade do Rio de Janeiro.



Se você ainda não assistiu (o que está esperando!?) e quer mais motivos para assisti-lo, vou descrever em riqueza de detalhes outra cena antológica.

Mariel e seu parceiro interpretado pelo ainda novo, e nem por isso menos fantástico Anselmo Vasconcelos (que hoje é um espécie de ator-fixo no Zorra Total, eca!) recebem um chamado de uma ocorrência em um farmácia. Detalhe: a viatura deles é um fusca amarelo e conversível.

Enquanto nossos heróis não chegam para limpar a cena do crime, três malacos tocam o terror no local. Roubando anfetaminas e remédios, até que um dos assaltantes resolve estruprar a recepcionista e a leva para os fundos. Os outros dois marginais ficam torturando um velho (com uma cara engraçadíssima) e uma criança.



Corta.

De novo, a bela recepcionista e o bandido, agora apenas os dois. O malaco diz: “eu quero pouco papo e muita ação” ela atende de bate-pronto. Tira a roupa e surpreendentemente já está sem sutiã (hahaha!), então pega o bandido de surpresa lhe dando uma “agulhada”. Só que de nada adianta. O rapaz a estupra (ou penetra) com a própria arma, o que causa uma certa sensação enjoativa, numa cena que dói nos olhos do espectador. É ver pra crer, ou ver para sentir.



Mas a festa termina com a chegada de Mariel e seu parceiro ( o qual os roteristas não se preocuparam em nomear), os dois já chegam metendo bala pra tudo quanto é lado e a cena termina com Mariel dando uns dez tiros nos cornos do indivíduo que enfiou o cano na moça. Incrível é o prazer de matar dele, desde o olhar ao sorriso de um verdadeiro filho da puta.

O Mariel de Jece é caracterizado com maestria, retratado como um homem ávido de fama, nobreza e publicidade. Dono de um sadismo implacável. O que notamos logo no início, enquanto ele transa com uma guria (uma das dez durante todo filme) ao som de “A divina comédia humana” de Belchior, e se olhando no espelho solta a pérola: “Mariel, você é o maior”. Depois disso para mim, o brega virou algo genial.



Mesmo com todas as canalhices, o espectador, cria empatia com o personagem, porque além da atuação fantástica de Jece, Mariel um é conquistador que cativa o público, o empolga pra valer. O vejo como um super-herói da época, ou uma espécie de Charles Bronson tupiniquim, só que com mais sangue nos olhos e muito mais comedor.

E tem neguinho aí achando “Tropa de Elite” (Idem, Bra, 2007) inovador, é mole? Calmon fez o mesmo, só que 28 anos antes e pergunte ao Padilha se ele não viu "Eu Matei Lúcio Flávio" antes de produzir o seu longa sobre o BOPE.



"Eu Matei Lúcio Flávio" também foi produzido por Jece Valadão, que era amigo pessoal de Mariel, o que além do talento, ajudou a tornar a sua atuação um primor. Confesso que conheço pouco da trajetória de Jece, mas o que venho descobrindo para fazer esse artigo já é mais do que suficiente para me tornar seu fã de carterinha.

Sem mais delongas, estamos diante de uma obra pró-Estado, facista e imoral. Com música brega, muito sexo, sangue e violência. O que, por incrível que pareça, dá certo e empolga. E, para quem quer saber mais sobre a época e Mariel, recomendo o livro: “Barra Pesada” do jornalista Octavio Ribeiro que faz uma releitura da criminalidade no Brasil, passando pela época do nosso querido Mariel. Vale a pena.



Mesmos se você não gostou de tudo o que foi argumentado a acima, vale a conferida só por poder ver atores como: Otavio Agusto, Vera Gimenez ( mãe da mãe do filho do Mick Jagger), Nildo Parente e Fábio Sabag em papéis diferente dos que você está acostumado a ver.

E para finalizar: uma dica. Uma boa sessão de cinema é assistir a três filmes do período e com o mesmo conteúdo “sutíl”. Comece com “República dos Assassinos” (Idem, Bra, 1979), também de 1979, e que aborda o mesmo tema: o Esquadrão da Morte. Só que aqui o papel principal fica por conta de ninguém menos que o mestre Tarcísio Meira. Na sequência, para não perder o ritmo, siga com "Eu Matei Lúcio Flávio". Para finalizar em grande estilo recomendo “O Torturador”(Idem, Bra, 1981) com Jece Valadão mandando bronca e até um padre que cheira cocaína. Impagável!!!

Ah, bons tempos do cinema nacional.

Léo Castelo Branco
**

Ficha Técnica


Eu Matei Lúcio Flávio (1979, Brasil)
Direção: Antonio Calmon
Elenco: Jece Valadão, Monique Lafond,
Anselmo Vasconcelos, Paulo Ramos,
André Di Biasi e Maria Zilda.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Hora do Pesadelo (2010)




Anoiteceu mais cedo e uma chuva típica dos filmes de terror caia, com direito a trovões que iluminavam todo meu quarto, onde eu começa a ver o remake de “A Hora do Pesadelo” (Nigthmare on Elm Street, EUA, 2010).

Cenário perfeito, filme péssimo.

E...

Antes de mais nada eu adoraria falar que esse é o melhor remake dos últimos tempos, que o novo Freddy é realmente melhor que o antigo, - magistralmente interpretado por Robert Englund (Galáxia do Terror) - e também amaria falar que esse filme chega aos pés do original. Infelizmente isso é tecnicamente impossível.

Até fechei um olho e fiz de tudo para tentar esquecer que a película foi produzida por Michael Bay. Isso mesmo, aquele que também produziu (leia-se destruiu) o remake do clássico ‘’O Massacre da Serra Elétrica” (Texas Chainsaw Massacre, EUA, 2003) uma parte da crítica adorou, eu não. Bay ainda produziu bombas como o filme do também novo Jason e ‘’Transformers’’ (Idem, EUA, 2007), além da sequência e o terceiro filme da série que já foi anunciado.

Eca!

A direção ficou por conta de Samuel Bayer, um diretor de video-clipes de bandas como Metallica e Green Day. Dá pra acreditar? Deram na mão de um estreante uma obra tão conceituada. Só pode ser brincadeira!

Apesar de todos os itens citados acima, eu estava com o pensamento positivo, afinal ouvi algumas boas críticas de amigos que já haviam visto o novo visual de Freddy Krueger. Realmente acreditei que o filme poderia dar nova vida a franquia com a saída de Englund e a entrada de Jackie Earle Haley ( o Rorschach de ‘’Watchman’’) no papel do mestre dos pesadelos, seria um novo fôlego, uma tentativa de traduzir Freddy para a uma nova década.

Não culpo Jackie porque com tantos efeitos e tamanha maquiagem o vilão parece mais um alien, ou seja, está totalmente sem expressão. Pronto, os gênios conseguiram acabar com um dos pontos mais carismáticos e que eternizaram para sempre o senhor do pulôver rubro-negro. Mas calma amiguinhos, não foi só isso que o diretor e o produtor conseguiram destruir.

Vem mais por aí...

Passado esse momento em que o fã falou mais alto que o pseudo-crítico, vamos a minha fria análise sobre esse novo pesadelo. Ou Pesadelo seria ver esse filme?

Tudo até que começa bem, com Freddy matando e matando bonito. Não por muito tempo. Logo o espectador entrará em trabalho de tédio, pode acreditar.

Mas vamos a história que é o que interessa.

Jovens da rua Elm em Springwood, começam a morrer um a um em seus sonhos. Eles sonham com Freddy, que até então ninguém sabe quem é. Só descobrimos realmente qual a ligação entre os jovens que vão morrendo ao longo dos longos 90 minutos, depois da metade da projeção, o que mantém um certo suspense. Mas nada demais.

Cabe a mocinha da história Nancy ( a preferida de Freddy) tentar descobrir quem ele é e por que está atrás dos jovens da rua Elm, tudo isso sem dormir. Haja adrenalina e café!

Aí que vem mais uma cagada dos idealizadores dessa ideia desnecessária. Nesse remake Freddy em vida era pedófilo (!!!), já no original ele era “apenas’’ um assassino de criancinhas. Não sei vocês, mas eu sempre torci pro Freddy vencer no final.

E agora? Como poderia torcer para um pedófilo? (hahaha!)

O filme segue e seus protagonistas não tem o menor carisma, a Nancy que no filme original ficou marcada pela interpretação firme de Hethear Langenkamp, nessa nova versão é extremamente chata e sem sal, seu par romântico, antes interpretado por Johnny Deep (em seu primeiro filme, aliás) agora é vivido pelo emo-pop Kyle Gallner outro que abusa no visual e peca em suas atuações. Tipico ídolo teen de revista Capricho.

O roteiro de Wesley Strick (Casa de Vidro e Cabo do Medo) e Eric Heisserer (quem!?) beira o ridículo e foi feito milimetricamente para agradar crianças de 14 anos que não tiveram qualquer ligação com a série até então. A dupla de roteiristas se preocupa demais em contar a história de vida do Freddy, diferente do original, onde Wes Craven se preocupou menos com as origens do mal e mais com clima de suspense e o sarcasmo de Freddy que chupava os dedos e salivava antes de matar suas vítimas. Apesar do orçamento visivelmente baixo do filme de 1984, Englund e Craven criaram um ícone do horror, algo que nem os mesmos esperavam. Diferente dessa bomba que custou muito e agradou pouco. Pelo menos os antigos fãs não agradou em nada, e falo como um.

Difícil comparar os dois, já que esse filme de Bayer não é uma cópia fiel. Eu chamaria de no máximo uma “homenagem meia boca”. Já que os produtores queriam uma nova história porque não explorá-la mais a fundo? Seria algo que o desprenderia do título de “remake” e talvez fosse menos malhado pela crítica. Porém, acredito que em quesito ruindade a nota seria a mesma.
Enfim...



O filme segue e Freddy mantém suas piadinhas sem graças e sua face não humana que parece ter saído de algum filme de ficção aparece pouco, muito pouco. Parece até que o diretor sabia a merda que estava fazendo.

Somos apresentados a várias cenas inexplicáveis como a do namoradinho de Nancy pegando no sono em pleno treino de natação, brincadeira? Tudo é uma grande desculpa para encontrarem com Freddy. Tá, beleza. Afinal ele é o dono do show.

A fotografia é extremamente escura a ponto de deixar o espectador em dúvida quando é sonho ou realidade. O que provoca sono. Seria um plano maligno de Freddy para fazer os espectadores dormirem? Ou o filme teria um fundo metafórico? Não da para dizer o que passou na cabeça dos realizadores desse desrespeitoso remake.

Aliás, dá sim, eles pensaram nas verdinhas, isso sim. O filme feito para a geração que mais consome o horror, a juventude, e não para os verdadeiros fãs desse que foi, na minha opinião, um dos melhores filmes de horror dos anos 80.

A película também peca pela falta de nudez e violência. Saudades dos anos 80. Sei que tem dedo na censura nisso aí, mas está claro, como falei acima, a intenção dos idealizadores de atingirem um público mais jovem.

O novo Freddy não me fez sequer me lembrar do original. A chuva que despencava dos céus em ritmo frenético me assustava mais que ele. O que fizeram com você, Freddy?

Sua face agora, diferente do personagem de Englund, é moldada por efeitos e maquiagem extremos o que tira todo o realismo que o caracterizou. O filme quase não tem violência, até tem, mas é pouco para quem conhece o assassino dos sonhos de outros carnavais.

Quando a trilha sonora ficava mais escabrosa era o sinal que o dono do show ia aparecer, é o bom e velho susto-fácil. E o suspense do original? Cadê? Nem para deixarem um pouquinho.

Apesar de ser criado um clima de suspense até descobrirmos que Freddy era pedófilo (rarara!) e a ligação dos personagens que vão sendo picotados por ele, isso passa em branco se comparado ao clássico de 1984. Dá até vontade de chorar.

Vontade de chorar mesmo é saber que teremos a parte 2, já anunciada para 2012, e comandada pelo mesmo time de ‘gênios’’. Tai um bom motivo para o mundo acabar em 2012.

Termino com um pedido: mesmo que você já tenho visto o filme original, assista-o antes de ver esse remake. Vai sentir a diferença escabrosa e passar a odiar mortalmente Bay e sua corja de caça-niqueis, como eu odeio. Eles são verdadeiros serial-killers, serial-killers de grandes clássicos do cinema fantástico.

Eu gostaria de acordar de um pesadelo e descobrir que esse filme não foi feito.

Alguém ai me belisca?


Léo Castelo Branco

**
Ficha Técnica

Diretor: Samuel Bayer
Elenco: Jackie Earle Haley, Rooney Mara, Kyle Gallner, Katie Cassidy, Thomas Dekker, Kellan Lutz, Clancy Brown, Connie Britton.
Produção: Michael Bay, Andrew Form, Bradley Fuller
Roteiro: Eric Heisserer
Fotografia: Jeff Cutter
Trilha Sonora: Steve Jablonsky
Duração: 95 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Terror
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: New Line Cinema /
*Platinum Dunes 
Classificação: 16 anos


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas (2010)


2010 começou já tem 5 meses.

E continuo a minha saga de pseudo-crítico de cinema. Sempre vendo a maioria de filmes possíveis e escrevendo alguns longos textos sobre eles (quando dá), o que realmente me traz um prazer imenso.
A proposta inicial desse blog era de falar (criticar, elogiar, meter o pau...) e abrir para a discussão filmes estranhos e trash. Ainda é, só que volta e meia me vejo obrigado a falar de grandes blockbusters de Hollywood. Sendo eles sempre as películas mais comentadas pela crítica e chamativas para o grande público, o que, na verdade, não importa. Porque quem entra aqui sabe que um bom filme vai além da bilheteria e das estrelas no elenco.
E claro que, quem me conhece, sabe que ainda não vi o aclamado “Avatar” (IDEM, EUA, 2009) e não foi por idealismo, pelo contrário, simplesmente não me interessou.
Nada no universo dos NAVI me chamou a atenção e não engulo essa história de consciência social (ambiental) do diretor James Cameron, para mim seus filmes são verdadeiras máquinas de fazer verdinhas, vide “Titanic” (IDEM, EUA, 1997).

Bom, talvez seja um pouco de idealismo sim.
Foda-se.
A única coisa que me interessou em "Avatar" foi a oportunidade de assistir pela primeira vez um filme em 3D no cinema, pois nem isso, nem todas as críticas positivas e o “up” do filme me fez pagar para vê-lo.
Quem sabe em vídeo, quem sabe um dia?
Quer um exemplo do contrário?
“Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, EUA, 2010).

Logo quando o projeto foi anunciado, fiquei muito empolgado. Esperava ver uma versão mais adulta e trabalhada dessa fantasia. E acreditava que Tim Burton poderia transformar esse “clássico” num “belo clássico” ao seu estilo “burtonístico”, tudo isso sem falar nas belas imagens dos personagens pingando pela Internet, antes do filme ser lançado. E olha lá: também poderia ver finalmente meu primeiro filme 3D no cinema.
Tudo lindo?
Nem tanto.
Acho que com toda empolgação esqueci que Tim Burton tem feito filmes (na minha opinião) muito iguais e que cansam. Nada contra Burton, respeito seu trabalho. Particularmente gosto da sua visão do homem-morcego e de “Noiva Cadáver” (Corpse Bride, EUA, 2005) outro belo filme com uma temática gótica.

Pois bem, em Alice imaginei algo diferente. Até pela responsabilidade de ter uma obra dessas nas mãos e tudo que circula à sua volta. Faltou química entre os atores, o roteiro é básico demais e os únicos aspectos que se salvam são: o Pais das Maravilhas, os figurinos de Alice e os efeitos especiais.
Ah, o 3D também, com ele o filme fica ainda mais vivo. Impressionante! Realmente realçaram as cores psicodélicas da fotografia.
Mas o que ficou no ar, foi que faltou algo. Ou “algos”.
Faltou ou repetiu?
Jonhny Depp e Helena Bonhan no elenco, a trilha sonora executada por Danny Elfman e todo aquele universo gótico, apesar de ser um dos filmes mais coloridos que eu já vi, nesse ponto Burton é genial. Consegue impor o obscuro até mesmo na maior das claridades.
Acho que faltou e repetiu.
Faltou criatividade e repetiu-se o estilo “burtonístico”.
Mas insisto em afirmar visualmente: Alice é impecável!

Léo Castelo Branco
**
Ficha Técnica
Diretor: Tim Burton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Michael Sheen, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Matt Lucas, Alan Rickman, Christopher Lee, Crispin Glover, Stephen Fry
Produção: Richard Zanuck, Joe Roth, Jennifer e Suzanne Todd
Roteiro: Linda Woolverton
Fotografia: Dariusz Wolski
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Fantasia
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Classificação: 10 anos

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pequenas críticas, grandes filmes


Amigos e amigas, devido ao último post e todas as lembranças nostálgicas dos anos 90, resolvi dedicar uma parte desse insignificante blog para algumas das relíquias da época. Então, peguei um dia para rever 4 grandes filmes do período. Escrevi pequenas resenhas sobre cada um deles e já adianto que podem repetir a minha sessão porque rir é o melhor remédio!

Preferi falar apenas do começo há metade da década, pois os filmes desse período me agradam muito mais e realmente já estava na hora de revê-los. Esses aí marcaram época para mim.
Risada é o que realmente não vai faltar...
A eles...



“Billy Madison – Um Herdeiro Bobalhão” ( Billy Madison, EUA, 1995)


No post passado citei alguns atores que estouraram na década passada pois bem, tive o prazer de rever esse filme bem engraçado capaz de causar boas risadas e o que me impressionou foi descobrir ( era novo quando vi esse filme) que Sandler assina o roteiro junto com o parceiro Tim Hearly, juntos eles escreveram a 4 mãos outros filmes como o engraçado “Um Maluco no golfe” ( Happy Gilmore, EUA, 1996) e o nem tanto “Little Nicky” (Idem, EUA, 2000).

Voltando ao Herdeiro bobalhão (mais uma péssima tradução brasileira, meu povo!!), o filme só podia ter a mão de Sandler na produção porque é feito na medida de seus personagens, principalmente como se sagrou no Saturday Nigth Live da NBC, caretas e vozes bizarras em atitudes hilariantes. Humor insano, isso soa bonito não!?

A história começa quando Billy Madison o filho de um dono de uma grande rede hotéis, Brain Madison (Darrem McGavin) é desprovido de seu pai de tocar o negócio da família, simplesmente porque ele é um completo idiota que só quer saber de farra com os amigos e revistas pornô, e o pior é que a empresa vai parar mãos do ganancioso Eric Gordon (Bradley Whitford), o qual o herdeiro odeia. Billy volta para refazer todas as séries (desde o jardim de infância), cada uma em duas semanas, para mostrar ao seu velho pai que não é “burro” e poder comandar os negócios da família.

O filme conta ainda com a linda Bridgette Wilson de par romântico de Sandler, sempre uma beleza que vale a pena conferir e ainda Chris Farley (outro hilário comediante da época, infelizmente morto no ano 1997) no papel de um cômico motorista escolar , juntamente com o show de Sandler que faz o que quer e nos diverte nesse filme que o lançou definitivamente para o sucesso.


- Jamaica Abaixo de Zero ( Cool Runnings, EUA, 1993)

Realmente me surpreendeu rever esse filme. Bonito, sincero e com uma bela mensagem contra o preconceito como pano de fundo. Sem falar que é uma das últimas atuações do mestre Jonh Candy (falecido precocemente em 1994), sempre com seu carisma hospitaleiro e no papel de quem a vida vem para dar uma lição.

Baseado numa história real, sobre uma incomum pretensão, formação e treinamento de uma equipe jamaicana de Bobsled (espécie de esporte de neve em que deve-se andar com um trenó especial numa rápida pista de gelo) que deseja - e consegue - participar das Olimpíadas de Inverno de 1988.
Produzido por ninguém menos que a Walt Disney, reprisado muita vezes pela Globo na clássica Sessão da Tarde, essa comédia tem o poder de ser emocionante em diversos momentos, a película realmente prende a atenção e você torce pelo sucesso do time Jamaicano, tem algo que cativa.

Jonh Candy é a estrela com seu jeito bonachão, Doug E. Doug está impossível como o Rastafari Sanka.
Uma sessão da tarde de luxo.


- Marte Ataca ( Mars Attack, EUA, 1996)
Uma divertida paródia aos filmes de ficção cientifica, principalmente aqueles primórdios dos anos 50, esse projeto de Tim Burton (sempre maluco e genial) também foi visto por muitos como uma sátira aos filmes-catástrofe que saiam na época, com “Independence Day” ( Idem, EUA,1996), já que Marte Ataca trata a invasão de extraterrestres ao planeta terra de maneira cômica, exatamente na linha contrária dos filmes-catástrofe.
Os efeitos especiais e a trilha sonora são propositalmente precários, os marcianos têm um “design” um tanto quanto peculiar, parecem vindos direto de um HQ. Não por acaso “Marte Ataca” foi inspirado numa revista em quadrinhos de mesmo nome, que como você já deveria saber nunca foi e, nunca será lançado por aqui.
O clima de ficção cientifica barata e a não-pretensão desse projeto que é um grande filme, com um grande elenco, porém não tem ambição em nenhum momento, a não ser a de ser um simplório filme B.
Isso mesmo!
E você já viu um filme B com Jack Nicholson, Michael J. Fox, Glenn Close, Pierce Brosnan e Sarah Jessica Parker?
Não que esse filme seja B, mas se não é B é uma grande homenagem a eles.
Burton mais criativo do que nunca aproveita também para fazer uma paródia ao “american way of life” há começar da casa branca. O presidente (Jack Nicholson) é um banana, a primeira dama (Glenn Close) é uma mulher fútil que só pensa nas roupas que usa. E os dois estão únicos.
E tem mais...
Os militares são uns alienados (diferente dos heróis de guerra de Independence Day) e só pensam em ganhar medalhas, já imprensa é representada como tal: suja e facilmente maleável.
Vale cada minuto de exibição.


- Meu sobrinho é um terror ( Clifford, EUA, 1994)

Deixei o melhor da sessão para o final. Esse filme verdadeiramente marcou minha infância, uma comédia de humor negro espetacular, não existe outro adjetivo para descrevê-la.
Assim como Sandler, Martin Short, que aqui interpreta Clifford começou no Saturday Night Live, aliás, esteve lá por um longo período (1984-2006). Pois é, Short tem a cara do humor escarrado dos anos 90, não entendo como não fez mais sucesso como Carrey ou Sandler.

Não posso deixar de falar também de Charles Grodin que faz o tio neurótico do menino endiabrado. Os produtores de Clifford com certeza viram “Beethoven, O magnífico” (Beethoven, EUA, 1992) 2 anos antes, porque aqui o papel é praticamente o mesmo, um homem de meia idade a beira de um colapso, só que invés de pirar por causa de cachorro, ele perde o senso por causa do seu sobrinho de 10 anos.


Os pais de Clifford (interpretados por Richard Kind e Jennifer Savidge) já estão putos da vida e querem simplesmente matar o garoto e não é pra menos. Logo nos 10 primeiros minutos do filme ele já: acordou seu pai enfiando seu pequeno dinossauro no seu nariz e fez um avião pousar em Los Angeles porque ele está fascinado por um parque de dinossauros que tem na cidade.
É aí que entra o Tio Martin (Charles Grodin). O pai do garoto tem uma reunião em São Francisco e com medo que o moleque arrume mais confusão ele liga para o seu irmão pedindo que fique com Cliff no final de semana. Programão, hein?

Tio Martin quer impressionar a linda Sarah Davis (Mary Steenburgen). Ela quer ter filhos e Martin vê a oportunidade perfeita para provar que pode se dar muito bem com crianças.

Só que Clifford vai fazer qualquer coisa para ir ao tal parque. É ver para crer.

Um filme totalmente sem escrúpulos, que chega a chocar. Martin Short e Grodin formam a dupla perfeita: o pequeno doente e o tio que aos poucos enlouquece com as peripécias do sobrinho, os ingredientes perfeitos para uma boa dose de risadas.
Espetacular!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Peste (1997)


" Máfia escocesa, um malaco latino, um alemão nazista e uma caçada humana com muita grana em jogo... uma boa ideia, porém mal executada.”

Ah, o humor do cinema do anos 90... a década que começou com comédias pouco (ou nada) engraçadas como “Edward Mãos de Tesoura” (Edward Scissorhands, EUA, 1990) e “Uma Linda Mulher” (Pretty Woman, EUA, 1990), filmes feitos como o único intuito de lucrar, que vieram no embalo dos anos 80, mas não chegando nem perto de filmes do final da década anterior como “Os Fantasmas de divertem” (Beetlejuice,EUA,1988) um filmaço de Tim Burton que mescla vários elementos do humor, e tendo um tema que bem trabalhado como foi, vira um bom entretenimento e ainda pode render um bom lucro aos produtores (sanguinários e capitalistas).

O que foi feito para tentar inovar (e não deu certo), ou as histórias românticas colegiais que se eternizaram no anos 80 (e voltaram nos 90) chegou a um certo limite. Então começam a aparecer produções interessantes, como “Quanto mais idiota melhor” ( Wayne’s World, EUA, 1992) e sua divertidíssima continuação “Quanto mais idiota melhor 2” ( Waine’s World, EUA, 1993): um filme baseado num esquete do programa "Saturday Nigth Live", da NBC, que levou Mike Myers direto à fama, nos apresentou um humor junkie, o qual jamais havia sido visto. E esses dois filmes ganharão um post aqui no Estranhezas Cinematográficas em breve.

Em 1993 também vimos coisas boas como “ A Família Buscapé” ( The Beverly Hillbillies, EUA, 1993) uma autêntica gozação ao "american way of life". O que falar então do surgimento de Jim Carrey? Em 1994, com “O Máscara” ( The Mask, EUA, 1994), o personagem Stanley Ipkiss e seu cachorro Milo viraram até desenho depois do sucesso do filme. E é bom lembrar que, antes mesmo do “Máscara”, e no mesmo ano de 1994, Jim Carrey fez o excelente “Ace Ventura – Detetive de Animais “ (Ace Venture, pet detective, EUA, 1994), uma das melhores comédias da década que ganhou uma continuação, também esplêndida.
Outro ator cômico que se consagraria na metade da década de 90, não muito longe dali, no ano de 1995, foi o hoje rei-do-blockbuster Adam Sandler. Com “Billy Madison- Um herdeiro bobalhão” –diga-se de passagem horrível o título nacional- ( Billy Madison, EUA, 1995) o modelo paspalhão estava de volta, agora ao extremo. O próprio Sandler participou do filme "Cônicos e Cômicos" ( Coneheads, EUA, 1993) e “Os Cabeça de Vento” (Airheads,EUA, 1994), primores da década.

Depois de uma breve prévia de um pouco das comédias da década vamos ao ponto central desse artigo que é sobre um filme com uma ideia boa, porém mal executada: o bizarro “O Peste” ( The Pest, EUA, 1997) dirigido por Paul Miller é um adaptação do conto "The Most Dangerous Game" de Richard Connell.
Miller é péssimo. O roteiro que deixa a desejar da primeira fala ao último crédito. Aí fica difícil, fazia tempo que eu não via um filme e pensava “que filme forçado!”, pois bem foi o que eu pensei.

E vamos a ele...
Um alemão nazista querendo caçar um latino que, se sobreviver 24 horas, vai ganhar US$ 50 mil. E o mesmo latino deve os mesmos US$ 50 mil à máfia escocesa (!!!). Parece um enredo que pode dar liga, ainda mais dado o gênero de comédias escatológicas da segunda metade dos anos 90? Acho que sim, mas não é o que acontece, o filme é apelativo demais ( temos cenas de uma cagada sonora na mata, vômitos, hormônio do sexo e muito mais para fazer o espectador esquecer o roteiro pífio e se deixar levar pelo bizarro modelo imposto pelas lentes de Miller).



Portanto, se você procura algo sensato e bem elaborado num filme, você vai odiar esse.

Pestario Vargas o “Pest” (Jonh Leguizamo, chega a arrancar umas risadas, poucas.) é um malaco latino (bem estereótipo, vestindo sempre jaquetas "Sport" da Nike, aquelas que parecem compradas na 25 de março.) que vive de pequenos golpes e sua família insiste que ele vá pelo “caminho certo”. Ele namora Xantha (Tammy

Townsend) e está sempre na companhia de seus amigos (estereótipos) Ninja ( Freddy Rodriguez) e o negro estilo rapper, um tipo que começou a aparecer muito em comédias desde então, Chubby (Aries Spears).


Gustav Skank ( Jeffrey Jones, já teve momentos melhores, mas também arranca mínimas risadas e só) coleciona cabeças empalhadas de homens de todo mundo, o único exemplar que falta em sua coleção é um latino. Num evento popular ele procura sua última vítima, então indica à distância para seu capanga Angus ( Charles Hallahan) o exemplar ideal, só que o capanga se confunde e acha que Pest é o cara, no típico clichê.

Pest também tem um emprego como entregador de comida chinesa, então Gustav faz um pedido e advinha quem vai entregar? Informado por Angus sobre os problemas de Pest com a máfia escocesa, ele oferece ao latino uma bolsa em uma faculdade no valor de US$ 50 mil, o nosso latino-man topa na hora. Só que antes de receber a grana ele vai ter de participar de uma caçada no fim de semana, só que ele ainda não sabe que ele mesmo é a caça.

Até aí eu ainda pensava: “ ele vai caçar o cara, vamos rir um pouco e depois dormir porque amanhã é um novo dia”. Errado, o roteiro daí para frente só fica cada vez mais apelativo e com cenas desnecessárias e mais apelação. Salvo algumas caras e bocas de Leguizamo, alguns trejeitos de Jeffrey Jones que valem pelo menos meio ingresso.


Concluindo...
A ideia mal aproveitada em Pest era o fim de uma era. No final dos anos 90 vierem filmes modernosos e metidos a diferentes como “Quem vai ficar com Mary?” (There's Something About Mary, EUA, 1998) um filminho até que divertido sobre as relações humanas, onde não vejo nada de inovador, é apenas engraçadinho, o mesmo digo de “Shakespeare Apaixonado” (Shakespeare in Love, EUA, 1998), por incrível que parece ganhou o Oscar de melhor filme (!!!) e ainda melhor atriz (Gwyneth Paltrow), melhor atriz coadjuvante (Judi Dench), melhor direção de arte, melhor figurino, melhor trilha sonora de comédia/musical, melhor roteiro original. Filminho engraçadinho, nada mais.

O Pest, pelo menos, não veio com o intuito de ser diferente e modernoso e, sim, bizarro e cheio de piadas absurdas. Chega a dar saudade do meio dos anos 90, um cinema verdadeiramente sem escrúpulos e que, dada a sua ruindade (leia-se genialidade) me atrai muito mais que filminhos engraçadinhos.




Léo Castelo Branco

**

Ficha Técnica

Direção: Paul Miller
Roteiro: David Bar Katz (história e roteiro), John Leguizamo (história)
Gênero: Comédia
Origem: Estados Unidos
Duração: 84 minutos
Elenco : John Leguizamo (Pestario 'Peste' Vargas), Jeffrey Jones (Gustav) Edoardo Ballerini(Himmel)

sábado, 24 de abril de 2010

Natal Sangrento (1984)


Mais um slasher dos gloriosos anos 80. Nada diferente, só o fato do assassino se vestir de Papai-Noel, de resto temos alguma nudez gratuita e os velhos clichês de sempre.
O que é sim muito divertido.

Realizado em 1984 esse filme bebe na fonte de Sexta-Feira 13 e diversos outros slasher’s da época. Ao ser lançado, causou muita polêmica por mostrar o bom velinho como um ser macabro. Para as crianças da época devia ser de borrar as cuecas, definitivamente.

Estamos em 1971, véspera de natal. O pequeno Billy Chapman (Danny Wagner) está ansioso para chegada do Papai-Noel, ele, seu irmãozinho e seus pais estão indo visitar o vovô no asilo, e pela trilha sonora natalina e a neve da paisagem já sabemos que estamos na época mais feliz do ano.

Será?

As coisas mudariam tragicamente para Billy naquele dia...

O seu avô não fala nada, simplesmente vive em estado vegetativo, deixando a família Chapman preocupada, o vovô está a cada dia pior.
Oh, céus..

Os pais e o irmãozinho saem de cena para falar com os médicos deixando Billy a sós com vovô e, por incrível que parece ele começa a falar. Com trejeitos aterrorizantes e uma cara carrancuda ele diz ao neto que se ele foi um mau menino o Papai-Noel vai vir cobrar, pois ele só agradada os meninos que foram bons o ano todo.

O garoto deve ter se cagado ali mesmo, porém o que estava por vir era muito pior...

Os pais do garoto e o irmãozinho retornam, e olha lá o vovô voltou a estado vegetativo.

Billy e família vão para casa e o garotinho começa a questionar sobre a bondade do bom velinho, será ele uma força do mal?

Onde estaria ele agora?

Assaltando uma loja.
Isso mesmo!

Ele mata o caixa por míseros 32 paus, mostrando que o bom velinho é verdadeiro filho da puta e tem dó não.

Cena seguinte...

Billy e sua família na estrada avistam o Papai-Noel (aquele mesmo fdp) com o carro parado e sinalizando para eles pararem, se Billy ainda não se cagou ainda essa é hora.

O pai para o carro mesmo contra a vontade do menino, e o pior acontece...


Aparentemente, o mau velhinho não quer roubar nada. Ele simplesmente mete uma bala nos cornos do papai, arranca a mamãe do carro e tenta estrupá-la só que ela não quer cooperar, então ele decida simplesmente matá-la cortando sua garganta, Billy corre em direção a uns arbustos (sem ligar pro irmãozinho). Escondido ele ainda vê o papai-noel com sua faca suja de sangue blasfemar e o xingar, para então desistir de procurá-lo e fugir.

O irmãozinho também sobreviveu.

Os dois crescem num orfanato.



No núcleo do orfanato temos a Madre Superior (Lilyan Chauvin) muito severa e sempre pronta para castigar, aquela figura que causa medo e arrepio em qualquer criancinha e com Billy não foi diferente, ele deve ter se borrado muitas vezes. Para sorte dele existe a irmã Margareth (Gilmer Mccornick) que está, ao contrário da Madre Superior, querendo ajudar o garoto Billy ao invés de castigá-lo a cada probleminha.



Na primeira metade do filme, vemos o perfil psicopata sendo formado. Billy tem pesadelos e faz desenhos do Papai-Noel armado com facas e animais sem cabeça, a Madre Superior até tenta força-lo a sentar no colo do bom velinho, mas Billy da um saco e nocauteia o velhote, é ver para crer.

Passam-se 15 primaveras...

Graças a irmã Magareth, Billy ( agora interpretado por Robert Brain Wilson) consegue um emprego numa loja de utensílios em geral. No começo tudo vai bem, até o natal se aproximar e o passado começar a voltar nas lembranças do jovem Billy... para piorar o seu chefe o obriga a vestir-se com trajes natalinos.

Pronto.
O psicopata está formado e para a matança começar é questão de tempo.

Daí pra frente a história é bem previsível e não foge a cartilha.
Seios, sangue e mortes.

E Papai-Noel matando e matando e matando.
O que é sim muito divertido.

Léo Castelo Branco

**

Ficha Técnica

Nome: Natal Sagrento (Silent Night, Deadly night)
Diretor: Charles E. Sellier Jr.
Roteiristas: Paul Caimi, Michael Hickey
Elenco: Lilyan Chauvin, Gilmer McCormick, Toni Hero, Robert Brian Wilson

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vertigem (2009)




Esse fim de semana navegava eu em uma das diversas comunidades para downloads de filmes na Internet me deparei com uma cópia do slasher Francês “Vertigem” ( Vertige, França, 2009), a qual eu já estava atrás faz um bom tempo, apesar de ter sido lançado em DVD por aqui ( milagre!) na minha cidade não encontrei nem rastro.

Como o assunto dos slasher’s foi bem explorado pelo post interior, volto a por o dedo na ferida só que agora é diferente: passaram-se 20 anos dos anos 80 e o filme em questão é francês, fato que nos tira do eixo dos filmes americanos e possibilita ao espectador degustar outra cultura-cinematográfica.

Gostei muito do que vi.

O filme tem grandes momentos de suspense, algumas cenas são claustrofóbicas e se você estiver esparramado no sofá vai se ajeitar e não perder um segundo desse thriller alucinante.

A trama é aquele feijão com arroz de sempre...

“Um grupo de amigos em férias decide se aventurar em uma trilha no alto das montanhas que está fechada. No meio da escalada, eles descobrem que a subida é mais perigosa do que o previsto, principalmente porque logo percebem que não estão sozinhos. A partir desse momento, o que era para ser uma aventura radical se transforma em um terrível pesadelo...”

O assassino em si é um dos piores da história do cinema, o filme é muito melhor até ele aparecer o que deixa o clima menos “claustrofóbico” e mais “americanizado” digamos assim.

Traduzindo: o assassino estragou o suspense, não o filme.

Esse tem momentos gloriosos...

Nos primeiros 40 minutos é puro suspense e as cenas de escalada são de arrepiar para quem tem medo ou qualquer tipo de problema com altura e se você não tem vai sentir um pouco da “vertigem” que o filme tenta passar.

Em um momento em particular, os alpinistas tem de atravessar uma ponte de madeira que está só o cacareco, aos passos curtos os personagem atravessam um a um, numa cena longa em que o diretor Abel Ferry aproveita bem os takes que privilegiam a alta tensão e o temor na expressão dos alpinistas.

Depois que assassino surge, começam as banalidades comuns do gênero, mas não vou dar mais detalhes para não estragar a surpresa.

No entanto...

Vertigem é um filme vibrante, cheio de suspense e francês.
Os fãs do gênero vão gostar.

Léo Castelo Branco

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Ficha Técnica

Titulo Original: Vertige
Título Traduzido: Vertigem
Gênero: Suspense
Duração: 90min
Diretor: Abel Ferry
Ano de Lançamento: 2009







sexta-feira, 9 de abril de 2010

The Slumber Party Massacre (1982)



“Um maníaco com uma furadeira, nudez e muito sangue... Ah, os anos 80...”

Você lê o título e o ano em que esse filme foi feito e já pensa automaticamente ser mais um do amontoado de filmes slasher’s que vieram na onda Sexta-Feira 13 no começo dos anos 80. Aquele do assassino indestrutível, dos gritos, do sangue e cabeças rolando a película inteira. Está certo. Mas só pelo fato desse ser um filme de horror produzido e dirigido por Amy Holden (uma mulher!), já merece no mínimo ser discutido, diferente de suas continuações (com exceção da parte 2 que é bem trash-engraçada) que são péssimas.

É difícil ver uma mulher produzindo, quanto mais dirigindo um filme do gênero. Aqui temos os dois exemplos. E tem mais um: o roteiro é assinado por Rita Mae Brown outra mulher, que para quem não sabe é uma escritora de histórias de mistérios com uma tendência feminista, seus romances geralmente tem lesbianismo e muito fetishe. Picante, né? Um slasher feito com um toque feminino, pois já saiba de bate-pronto que não tenta a nenhum instante ser bonitinho. Pelo contrário.



Em Slumber Party Massacre (no Brasil traduzido como “O Massacre”)  não temos nada de lesbianismo, tem sim muita nudez gratuita e muito sangue digno de um slasher movie que tem 11 mortes em 76 minutos de duração.  Haja fôlego!

O filme começa em velocidade-máxima, com créditos iniciais numa trilha sonora perturbadora que permanece ao logo de quase todo filme, algumas vezes mudando a música, porém mantendo-se sempre aterrorizante e seqüencial.



Na primeira cena vemos um garoto de bicicleta entregando os jornais nas casas com a manchete que anuncia que o loco assassino Russ Thorn ( Michel Villella) fugiu do manicômio, só que a principio ninguém liga ( vide cartilha slasher). Na seqüência conhecemos Trish Devereaux (Michelle Michaels) e seus pais que estão indo passar o fim de semana fora, deixando a casa só para ela, para melhorar (leia-se esquentar) as coisas ela chama as amigas para uma “festa do pijama” naquela noite.

Desde o início o psicopata da furadeira está sempre presente, causando algum frisson de suspense. Nos primeiros minutos ele já mata uma garota e rouba o seu furgão próximo a escola de Trish para depois observar atentamente de dentro do veículo as suas próximas vítimas passarem, escutando elas próprias se sentenciarem falando sobre a festa na casa de Trish  ( numa cena que me lembrou os antigos filmes de espionagem)... Certamente ele estará presente nessa farra e sua furadeira também, mas não sem antes matar a garotinha que esqueceu seus livros na escola onde todo mundo já foi embora...



Tudo é rápido DEMAIS, o que é um defeito dado ao pequeno orçamento de 250 mil U$$, mas temos também diálogos divertidíssimos e até uma referencia a série de horror “Além da Imaginação” Red Serling quando as garotas cantam a música de abertura da série.

Outro defeito é o abuso do bom e velho “susto-fácil”,  pois depois de um começo com dois assassinatos brutais temos que agüentar quase 20 minutos de sustos previsíveis e diálogos sem sentido (um atrás do outro) que parecem estar ali apenas para encher lingüiça do roteiro, uma pena porque eu realmente esperava mais do roteiro escrito por Rita.

O filme segue e vemos Thorn que não abre a boca (só no final) apenas mata brutalmente com sua furadeira,  estraçalha e arrebenta os jovens que aparecem pelo caminho, tudo muito simples e sem mais delongas. Seguindo a cartilha da época.

Slumber Party Massacre é um filme divertido, se você encará-lo como tal, se levar em conta a época em que foi feito e para qual público. É uma película que se leva a sério até assustando algumas vezes quando foge do “susto-fácil” e nas fortes investidas da trilha sonora juntamente com o barulho da furadeira do assassino na carne dos pobres jovens, por outro lado é aquele tipo completamente previsível e que se você procurar falhas vai encontrar certamente.

Valeu ver uma mulher a frente de um trabalho tão sangrento, apesar de ficar aquela impressão que faltou um pouco mais de suspense, tudo é jogado na cara do espectador sem dó, o mesmo feijão com arroz de sempre, porém inferior aos mestres Jason, Leatherface e Michael Myers. Mas vale a diversão, afinal o filme tem todos os ingredientes de anos 80 e dos slasher’s movies.

Por fim ainda vejo esse filme com um certo charme. Feminino? Por que não...

Léo Castelo Branco



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O Massacre
(The Slumber Party Massacre, EUA, 1982)
Títulos Alternativos: Don't Open the Door / The Overnight Massacre / Sleepless Nights / The Slumber Party Murders / Slumberparty Massacre 
Diretora: Amy Holden Jones
Produtora: Amy Holden Jones
Roteiro: Rita Mae Brown
Elenco: Michelle Michaels, Robin Stille, Michael Villella, Debra Deliso
Trilha Sonora: Ralph Jones
Gênero: Comédia, Terror 
Duração: 77 min. 
Tipo: Longa-metragem / Colorido 

Duro de Matar: o filme de Natal mais explosivo de todos os tempos

Porque o espírito de um filme de natal pode estar no lugar mais inesperado. Todo ano é mais coisa. Em meados de outubro, surge uma leva de f...