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quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Centopéia Humana (2009)

THE HUMAN CENTIPEDE - THE FIRST SEQUENCE
Direção: Tom Six
Holanda e Reino Unido, 2009.



Existem experiências que só o cinema fantástico é capaz de dar a fórmula e com ela revelar ao mundo algo inovador. Alguns desses experimentos são considerados geniais e inteligentes, outros são arremessados direto no lixo pela crítica especializada, que também nem sempre faz isso com bom senso.

”A Centopéia Humana”
(The Human Centipede – The First Sequence, Holanda e Reino Unido, 2009) é um caso que mistura as duas teorias, o famoso “ame ou odeie” na mais literal linguagem popular. Afinal, um filme onde uma centopéia humana é o personagem principal causa, no mínimo, polêmica. Além dos mais diversos sentimentos que vão de nojo a ódio. Não acredita? Pague pra ver.



Essa produção em conjunto de Holanda e Reino Unido foi toda filmada em vídeo digital e teve orçamento baixíssimo. Simplesmente: “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”. Esse poder de independência cinematográfica, é algo inexprimível, pois qualquer um pode virar um diretor também. Ainda mais nos dias de hoje, onde é quase obrigatório efeitos e direções de arte milionárias à la Avatar, o que é mais um motivo para destacar essa obra corajosa e única. Uma centopéia humana, isso sim é arte!



Escrito e dirigido pelo holandês Tom Six, “A Centopéia Humana”, narra a história de duas turistas americanas em viagem pela Europa, Lindslay ( Ashley C. Willians) e Jenny (Ashlynn Yennie), em sua passagem pela Alemanha decidem ir, de carro, a uma balada mais afastada, só que no meio do caminho o pneu fura e elas acabam ficando sozinhas no meio do nada.

Aí já viu...

Elas decidem procurar ajuda e vão parar na casa do malvadão Dr. Heiter (Dieter Laser), que as recebe prometendo que vai ligar para ajuda. Mas o cientista maluco prefere dopar as gurias e colocar o seu plano maligno de criar uma centopéia humana em ação. As meninas acordam amarradas, junto de um rapaz oriental, que é a outra cobaia... Aí agonia começa a aparecer, aliás, esse é um sentimento que vai permanecer pelo resto da película.

Enfim, o Dr. Heiter volta à cena e descreve a operação detalhadamente para seus pacientes, com um cinismo extremo. Abaixo as imagens dos desenhos explicativos da operação:





Esse filme é para quem tem peito e estômago. Acho que até mais peito que estômago, porque ao contrário do que muitos podem pensar, não é extremamente nojento, mas cheio de torturas psicológicas e humilhações que mexem com o espectador.

Lembrei-me do período nazista muitas vezes durante a exibição e não só por ser todo ambientado na Alemanha. As experiências bizarras dos médicos alemães, como as de Joseph Mengele que, em campos de concentração, injetava tintas azuis nos olhos de crianças judias, unia veias de gêmeos, deixava pessoas em tanques de água gelada para testar sua resistência, amputava e também coletava órgãos de prisioneiros para as mais diversas finalidades. Esses são alguns exemplos desse tortuoso período da Humanidade. Mengele ficou conhecido como “Anjo da Morte” e morreu no Brasil em 1979. Viu, só? O Estranhezas Cinematográficas também é cultura (hahaha).





Depois da pequena aula de História, voltemos à nossa centopéia. A obra demora até mostrar algum tipo de ação, mas na hora que mostra não pára. Esse é um daqueles exemplos de filmes claustrofóbicos em que, cada vez mais, o espectador vai perdendo as esperanças de um final feliz e seus personagens são expostos a situações muito humilhantes.

Por onde tem passado esse filme tem tirado espectadores das salas antes do término da sessões, devido as torturas do maléfico Dr. Heiter. Escabroso, excêntrico e maluco, ele se transformou em ícone para muitos, inclusive ganhando comparações com Freddy Krueger (!!!) e Hannibal. A interpretação do ator alemão é perfeita, fugindo daquele clichê do “cientista maluco”e imprimindo uma expressão doentiamente única. Afinal, ele é estrela.

“A Centopéia Humana” tem momentos previsíveis e alguns clichês que já entramos em overdose de tanto ver por aí, mas ao menos tenta fugir disso (e muitas vezes consegue). Tem ação, suspense em um dos roteiros mais sujos criados para o cinema, tudo isso com uma forte carga emocional capaz de levar o espectador ao limite do suportável.


Léo Castelo Branco**


sábado, 19 de junho de 2010

Batman (1989)

BATMAN
Direção: Tim Burton
EUA, 1989.



Todas as crianças têm seus heróis, dentre eles, cada um tem aquele que considera o mais foda. Aquele que passa segurança mesmo sem existir, estando presente como uma espécie de amuleto da alma. Algumas vezes a admiração dura para sempre, outras vezes é esquecida com a chegada da puberdade.

Sim, a minha admiração dura até hoje. E acredito que durará para sempre. Meu super-supremo-super-herói é o BATMAN. Ele é meu preferido justamente por não ter nenhum super poder e ser um “alguém” que está sempre abaixo da lei, ou seja, para muitos ele é um criminoso como qualquer outro. Essa vontade extrema de fazer justiça sempre me chamou atenção e tudo isso começou quando eu via seus antigos desenhos nas gloriosas manhãs do SBT (não, nunca tive paciência para HQs).

Bruce Wayne, ou Batman como preferirem é (além de playboy) aquele homem obcecado pela justiça, dotado em artes marciais e um exímio estrategista, tendo suas ações sempre muito bem planejadas e executadas com maestria. Fala a verdade, o cara é foda!!!



Pois bem, hoje estou aqui para falar da primeira adaptação formal do homem-morcego para as telonas, que até então (1989) só havia tido uma aparição nos cinemas em um filme baseado no seriado Batman e Robin, de Adam West nos anos 60. Não sei a data precisa, portanto, trato esse filme de 1989 como a primeira adaptação do homem-morcego para o cinema.

Quem viu o seriado notou o seu tom escrachado e humorístico, gerando uma famosa sátira: o “filme do Batima”, em que dois brasileiros redublaram episódios da série a deixando, digamos... muito mais engraçada. Também acaba de ser lançado, baseado na antiga série, “Batman: a XXX parody” um filme pornô do morceguinho onde foram gastos U$$ 60 mil só em figurino (!!!), inacreditável, mas é a mais pura verdade. Dúvida? Veja o trailer dessa obra máxima:



Ainda aqui? Ótimo.

Pois escrever sobre esse filme é muito bom. Por que? Explico. Foi um dos muitos clássicos que assisti mais de 100 vezes (e foi mesmo), marcou a minha existência, me recordo, ainda criança sabia decor as falas daquela dublagem tosca da Globo, lembra?



Enfim...

Nostalgia à parte, esse foi o primeiro filme a lucrar de verdade com merchadising , e quando falo merchadising, digo que essa foi a primeira obra cinematográfica a fazer chaveiros, adesivos e todos os tipos de brindes para se promover. Você deve estar se perguntando se valeu a pena. Sim, valeu. Foram gastos U$$ 35 mi e lucrados
U$$ 410 mi. Dava para refazer o filme umas sete vezes.

O diretor escolhido para comandar o projeto foi o ainda novato Tim Burton. Apesar de vir do sucesso “Os fantasmas se divertem” (Beetlejuice, EUA, 1988), ele ainda era novo e inexperiente para muitos, só que provou o contrário combinando a fotografia escura (que ele adora) com personalidade do personagem principal. E deu casamento.

(E quem acha que odeio o Burton, taí a prova que acho que ela faz coisa boa, ou... fazia!?)

“Batman” é o marco do começo da “era das megas produções de Hollywood”. Até então era incomum gastar esse absurdo em um filme de super-heróis. Lembremos de “Capitão América” (Captain America, EUA, 1990) em que temos um roteiro extremamente infantilizado e o protagonista com uma fantasia comprada na 25 de Março, algo absurdamente ridículo e fora de contexto.



Para essa obra não se tornar mais um “obra” trazida das páginas dos quadrinhos, precisavam de um ator de peso, um nome que falasse por si só. Dito e feito, Jack Nicholson foi escalado para o elenco, e melhor, como o vilão mais anarquista de todos os tempos: o incansável Coringa.

Michel Keaton, vestiu a armadura do homem-morcego e, na minha opinião, foi muito bem. Ele já havia trabalhado com Burton em “Os fantasmas de divertem”, porém muita gente foi contra ele no papel por conta de sua baixa estatura e por até então ser conhecido pelos seus papéis em comédias. Para esse papel era preciso ser excêntrico e viver uma certa profundeza psicológica. Ele conseguiu. Keaton acertou, porém com um roteiro pouco a seu favor (alerta: opinião pessoal), que muitas vezes prefere mostrar um Bruce Wayne apaixonado e até um homem de família, do que sua personalidade abalada e sua sede de justiça, isso ficou de fato esquisito.



Essa sede de justiça e, por que não vingança, fica evidente em “Batman – Begins”(Idem, EUA,2005). O Batman do século XXI, do cineasta inglês Christopher Nolan, é mais humano e menos sensível do que o de Burton, mas vou seguir em frente, pois o objetivo desse artigo não é comparar os dois.

A história começa a todo vapor. Com Batman pegando dois batedores de carteira e os deixando “do jeitinho” para a polícia prender e sai de cena falando para um dos marginais: “Eu sou o Batman. Fale pro seus amigos sobre mim”. Detalhe: logo no início já vemos a fotografia de Gothan City de cima, lembrou uma Nova York dos anos 40 com um clima londrino, simplesmente espetacular, em cada detalhe surpreendente.



Depois conhecemos toda a história do Coringa, como ele se transformou no bobo da corte mais filho da puta de toda história, até o encontro com o cavaleiro das trevas, tudo com certo cuidado, a falha do roteiro fica mais evidente quando o assunto é Bruce Wayne. A falta de escuridão em seu personagem aparece e não culpo Keaton porque quando ele está com armadura escura sua nota é dez.



Só que quem rouba a cena é mesmo o Coringa de Jack. Autêntico, divertido e vestindo ternos estilosos. A atuação doentia do ator é impecável e marcante, como na cena em que depois de fazer uma vítima, repete gargalhando uma dez vezes: “estou feliz que você esteja morto...”, até de sair de cena. Simplesmente impressionante!!!

“Batman” tem situações de humor recheadas de ironia, principalmente aquelas que envolvem o Coringa. E não podemos esquecer da Gothan City, com fotografia gótica, elemento presente o tempo todo, em alguns momentos chegando a ser gritante.

Os fãs xiitas não gostaram muito desse filme porque houveram algumas mudanças das histórias originais em quadrinhos - o que para mim, como não-leitor de HQs não a faz a menor diferença. "Batman" é um filmaço sim, com todos os créditos e méritos de clássico de um cinema, hoje, já "old school”.

Léo Castelo Branco

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Segredo da Múmia (1982)

O SEGREDO DA MÚMIA
Direção: Ivan Cardoso
Brasil, 1982.



Imagine a cena: um criado daqueles bem clichê de filmes B dos anos 50, que canta ópera e mata quem se colocar no caminho do patrão (que, no caso, é um cientista maluco) e uma múmia serial-killer. Agora imagine tudo isso rodeado de seios, bundas e todos os elementos pornochanchadísticos...

Imaginou?

Agora, visualize isso tudo se passando no Rio de Janeiro da década de 50. Melhorou? Então é isso (e mais um pouco) o que se passa em “O Segredo da Múmia” (Idem, Bra, 1982), esse clássico do cinema –sem noção- nacional que foi esquecido e nunca lançado em DVD, sobrando cópias apenas para garimpeiros de podreiras de plantão, o que é uma pena e um verdadeiro desperdício cultural.



Ivan Cardoso criou esse universo mágico citado acima em 1982, com o seu “Segredo da Múmia”, consolidando-se assim como inventor e mestre do “terrir”.

Para quem não sabe o “terrir” é um sub-gênero que surgiu nos anos 80 (oh, época boa!!!) como nada menos que uma bela desculpa para dar risada e ultrapassar o limite do nonsense, tudo com muita mulher gostosa, defeitos especiais e falhas escabrosas no roteiro. Tem coisa mais linda?

Seguindo essa linha “O Segredo da Múmia” é uma obra cheia de momentos unânimes, irreverentes e divertidíssimos. Afinal, uma múmia no Brasil não pode ser menos que isso.



Expedito Vitus é um cientista dotado de uma extrema inteligência, porém ridicularizado pelos seus colegas e pela mídia em geral porque diz ter descoberto o “elixir da vida”. Tudo muda quando ele encontra a famosa múmia “Runamb” no Egito, e a traz para solo tupiniquin, o que é retratado de forma magistral pelos jornais da época e até o famoso “Repórter Esso” fez questão de noticiar o fato!


Vitus virou um superstar. Mas ele vai além, testando o elixir na múmia. Daí para frente não precisa ser um gênio para saber que a múmia vai levantar querendo matar qualquer um que passar na sua frente. Isso seria normal em qualquer filme, mas aqui a coisa é "made in Brasil", o que torna tudo muito mais divertido.

Wilson Grey está simplesmente genial na pele do excêntrico Dr. Expedito Vitus, em uma interpretação repleta de expressões e caretas dignas de um verdadeiro “cientista maluco”, sua voz também merece destaque, parece que ele está falando para dentro de um funil.

A cereja do bolo fica por conta da criadagem do Dr. Vitus. A empregada Regina, interpretada por Regina Casé em uma performance mais bizarra do que qualquer um dos seus atuais programas de TV e o mordomo Igor (Felipe Falcão) que mais parece o “tio Chico” com síndrome de down, e nos faz rir com suas caras e bocas forçadas e, a todo momento, parece que está literalmente se cagando em cena. “Terrir” é isso: não é beirar o rídiculo, é ir além dele.


Regina (magrinha, como nunca) e Igor têm um “caso” e nos propiciam uma cena antológica que escreveu suas letras na história do cinema nacional, se não, ficará para sempre na minha memória, ainda não sei se pelo susto ou pelo valor histórico de tal “atrocidade”.

De repente, no meio do clímax da história, aparece um letreiro em tela preta: “enquanto isso..” são os dizeres que aparecem na tela. Corta. Regina (com cabelos no sovaco) nua e jogada na cama junto com Igor que a lambe inteira, com tamanha vontade que achei que fosse pular para fora da tela. A cena em si é de um realismo imenso, o que comparado ao resto da atuação da Regina Casé nesse filme lhe valeria o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Nos resta então escutar os pedidos da empregada Regina: “tenha modos, Igor, tenha modos!".

Falando em atores globais e mais conhecidos do grande público, olha só quem faz parte do elenco: Cláudio Marzo, Anselmo Vasconcelos, Evandro Mesquita, Júlio Medaglia, ainda uma participação especialíssima de José Mojica Marins e Maria Zilda Bethlem em apenas uma cena, digamos, bem picante como você poder ver pela foto abaixo:



Com esse time e esse enredo fica impossível perder essa pérola do cinema nacional, isso sem falar do personagem principal, a múmia, que rouba a cena com seu andar meio zumbi e uma força sobrehumana. Tudo aqui é feito em medida milimétrica para arrancar gargalhadas do público. E dá certo.

O diretor Ivan Cardoso, até então só havia dirigido curtas-metragens (o primeiro deles têm um nome sugestivo: “Nosferatu in Brazil”) fez a sua estreia em longas de maneira sublime, com um filme que não tem medo de ser o que é, e tem sim uma identidade. O nome dela é “terrir”.

* Em tempo: o blog Estranhezas Cinematográficas anuncia uma parceria oficial com o Scary Blog (http://scaryblog.zip.net) para o bem do cinema fantástico. Lá vocês encontram notícias atualizadas do mundo do terror, e, a partir de agora, algumas críticas minhas voltadas para o gênero.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Eu Matei Lúcio Flávio (1979)



O que dizer de um filme rodado no Brasil em 1979, em que temos cenas de sexo ao som de Belchior, palavrões em 90% dos diálogos e um protagonista com um carisma-cafajeste único?

Fácil, ele se encaixa perfeitamente aqui, nesse blog.


“Eu Matei Lúcio Flávio” (Idem, Bra, 1979) é um filme histórico, obrigatório para qualquer cinéfilo de plantão. Obrigatório porque é um dos filmes mais imorais, violentos e sádicos já feito nesse Brasilzão doido. E mais: tem Jece Valadão no papel principal. O que transforma qualquer filme, num GRANDE FILME.


E esse é, sem sombra de dúvida, um grande filme, daqueles que realmente surpreendem o espectador. O roteiro tem suas falhas, sim. Mas nada que ofusca o brilhantismo da obra. E que obra!

Dirigido por Antonio Calmon (hoje roteirista de novelas chinfrins da Rede Bobo) o filme narra de maneira romanceada a história real do policial Mariel Maryscötte de Mattos. Uma figura que não saia das páginas policiais no Rio de Janeiro da década de 70, integrante do famoso Esquadrão da Morte da polícia carioca.



Com uma mensagem extremamente ultra-direitista, o lema “bandido bom é bandido morto” aqui é levado a sério e vai além disso. Porém, não se engane e não assista ao filme com um “certo preconceito”, faça o contrário, assista-o analisado friamente à época em que foi produzido. E ainda, tendo em vista que esse é, de fato, um bom policial nacional. Lembre-se que hoje nos cinemas temos como exemplo o bisonho “Segurança Nacional” (Idem,Bra,2010) que a crítica definiu como “o maior desastre do cinema nacional dos últimos tempos.”


"Eu matei Lúcio Flávio" veio de carona no filme de 1976 do diretor Hector Babenco, “Lúcio Flávio - O Passageiro da Agonia” (Idem, Bra, 1976), porém com uma grande diferença: no filme de Calmon, Lúcio Flávio é apenas um mero coadjuvante, enquanto no de Babenco ele é o personagem principal. Calmon teve mais coragem e ousadia ao fazer seu filme, digamos, “menos pop” e que é um verdadeiro tapa na cara de quem o assiste. Diferente do de Babenco, um filme-denúncia, porém sem a mesma ousadia (alerta: opinião pessoal).




Explicação: Lúcio Flavio foi o bandido fodão dos anos 70 no Rio de Janeiro, uma espécie de Fernandinho Beiramar da época, para se ter uma noção. No filme ele é interpretado por Paulo Ramos, porém aparece muito pouco. Sua existência na história é o que mantém o roteiro de pé, deixando o espectador a espera do combate final: Mariel x Lúcio Flávio.

Mas voltemos ao miolo do filme porque tem gente achando que ando escrevendo demais...

A película mal começa e Mariel (Jece Valadão) já arrebenta, sem dó nem piedade, três manés que estão falando alto durante um show em uma boate da qual ele é segurança, ou, como ele diz, “diretor de disciplina”. Além de exercer essa atividade na noite, Mariel é também salva-vidas durante o dia na praia Copacabana.



Ele acaba por salvar a vida de um velho suicída que tentava morrer afogado, e é aí que conhece a mulher por quem se apaixonaria, a filha do velho, Margarida Maria (Monique Lafond, aqui bela). Uma prostituta maluca que toma pico por Copacabana à fora, e que tem uma forte ligação na história, apesar de os roteiristas, Alberto Magno e Leopoldo Serran, aproveitarem muito mal isso. Já se prepare para uma história muitas vezes nada explicativa. Esse é o grande defeito do filme!

Então acontece um dos diálogos mais impagáveis da película, numa cena mais que hilariante. O velho suicída olha para Mariel e diz: “quantas pessoas você já salvou, valentão?”, “47”, ele responde prontamente, depois o velho homem pede para que ele então salve a vida de sua filha que está “perdida nos abismos da loucura”, o que Mariel aceita. Mas antes o velho diz: “Olha bem para minha filha, é uma puta não é? Tá escrito na cara dela”. Num jeito exclusivamente brasileiro, sincero e visceral. Essa foi uma das muitas cenas que fiz questão rever umas 4 vezes e que fazem o filme realmente valer a pena.

Depois dessa introdução emocionante (e hilariante), Mariel, recebe um convite para tentar entrar na polícia. O que ele consegue, como o melhor aluno da turma. Tinha que ter o clichê, né?



Daí pra frente as coisas começam a esquentar. Mariel pega alguns “bicos”de segurança de políticos até ser chamado para fazer parte do "Esquadrão de Ouro" da polícia, um grupo com os melhores policiais da cidade com carta branca para varrer o crime da cidade do Rio de Janeiro.



Se você ainda não assistiu (o que está esperando!?) e quer mais motivos para assisti-lo, vou descrever em riqueza de detalhes outra cena antológica.

Mariel e seu parceiro interpretado pelo ainda novo, e nem por isso menos fantástico Anselmo Vasconcelos (que hoje é um espécie de ator-fixo no Zorra Total, eca!) recebem um chamado de uma ocorrência em um farmácia. Detalhe: a viatura deles é um fusca amarelo e conversível.

Enquanto nossos heróis não chegam para limpar a cena do crime, três malacos tocam o terror no local. Roubando anfetaminas e remédios, até que um dos assaltantes resolve estruprar a recepcionista e a leva para os fundos. Os outros dois marginais ficam torturando um velho (com uma cara engraçadíssima) e uma criança.



Corta.

De novo, a bela recepcionista e o bandido, agora apenas os dois. O malaco diz: “eu quero pouco papo e muita ação” ela atende de bate-pronto. Tira a roupa e surpreendentemente já está sem sutiã (hahaha!), então pega o bandido de surpresa lhe dando uma “agulhada”. Só que de nada adianta. O rapaz a estupra (ou penetra) com a própria arma, o que causa uma certa sensação enjoativa, numa cena que dói nos olhos do espectador. É ver pra crer, ou ver para sentir.



Mas a festa termina com a chegada de Mariel e seu parceiro ( o qual os roteristas não se preocuparam em nomear), os dois já chegam metendo bala pra tudo quanto é lado e a cena termina com Mariel dando uns dez tiros nos cornos do indivíduo que enfiou o cano na moça. Incrível é o prazer de matar dele, desde o olhar ao sorriso de um verdadeiro filho da puta.

O Mariel de Jece é caracterizado com maestria, retratado como um homem ávido de fama, nobreza e publicidade. Dono de um sadismo implacável. O que notamos logo no início, enquanto ele transa com uma guria (uma das dez durante todo filme) ao som de “A divina comédia humana” de Belchior, e se olhando no espelho solta a pérola: “Mariel, você é o maior”. Depois disso para mim, o brega virou algo genial.



Mesmo com todas as canalhices, o espectador, cria empatia com o personagem, porque além da atuação fantástica de Jece, Mariel um é conquistador que cativa o público, o empolga pra valer. O vejo como um super-herói da época, ou uma espécie de Charles Bronson tupiniquim, só que com mais sangue nos olhos e muito mais comedor.

E tem neguinho aí achando “Tropa de Elite” (Idem, Bra, 2007) inovador, é mole? Calmon fez o mesmo, só que 28 anos antes e pergunte ao Padilha se ele não viu "Eu Matei Lúcio Flávio" antes de produzir o seu longa sobre o BOPE.



"Eu Matei Lúcio Flávio" também foi produzido por Jece Valadão, que era amigo pessoal de Mariel, o que além do talento, ajudou a tornar a sua atuação um primor. Confesso que conheço pouco da trajetória de Jece, mas o que venho descobrindo para fazer esse artigo já é mais do que suficiente para me tornar seu fã de carterinha.

Sem mais delongas, estamos diante de uma obra pró-Estado, facista e imoral. Com música brega, muito sexo, sangue e violência. O que, por incrível que pareça, dá certo e empolga. E, para quem quer saber mais sobre a época e Mariel, recomendo o livro: “Barra Pesada” do jornalista Octavio Ribeiro que faz uma releitura da criminalidade no Brasil, passando pela época do nosso querido Mariel. Vale a pena.



Mesmos se você não gostou de tudo o que foi argumentado a acima, vale a conferida só por poder ver atores como: Otavio Agusto, Vera Gimenez ( mãe da mãe do filho do Mick Jagger), Nildo Parente e Fábio Sabag em papéis diferente dos que você está acostumado a ver.

E para finalizar: uma dica. Uma boa sessão de cinema é assistir a três filmes do período e com o mesmo conteúdo “sutíl”. Comece com “República dos Assassinos” (Idem, Bra, 1979), também de 1979, e que aborda o mesmo tema: o Esquadrão da Morte. Só que aqui o papel principal fica por conta de ninguém menos que o mestre Tarcísio Meira. Na sequência, para não perder o ritmo, siga com "Eu Matei Lúcio Flávio". Para finalizar em grande estilo recomendo “O Torturador”(Idem, Bra, 1981) com Jece Valadão mandando bronca e até um padre que cheira cocaína. Impagável!!!

Ah, bons tempos do cinema nacional.

Léo Castelo Branco
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Ficha Técnica


Eu Matei Lúcio Flávio (1979, Brasil)
Direção: Antonio Calmon
Elenco: Jece Valadão, Monique Lafond,
Anselmo Vasconcelos, Paulo Ramos,
André Di Biasi e Maria Zilda.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Hora do Pesadelo (2010)




Anoiteceu mais cedo e uma chuva típica dos filmes de terror caia, com direito a trovões que iluminavam todo meu quarto, onde eu começa a ver o remake de “A Hora do Pesadelo” (Nigthmare on Elm Street, EUA, 2010).

Cenário perfeito, filme péssimo.

E...

Antes de mais nada eu adoraria falar que esse é o melhor remake dos últimos tempos, que o novo Freddy é realmente melhor que o antigo, - magistralmente interpretado por Robert Englund (Galáxia do Terror) - e também amaria falar que esse filme chega aos pés do original. Infelizmente isso é tecnicamente impossível.

Até fechei um olho e fiz de tudo para tentar esquecer que a película foi produzida por Michael Bay. Isso mesmo, aquele que também produziu (leia-se destruiu) o remake do clássico ‘’O Massacre da Serra Elétrica” (Texas Chainsaw Massacre, EUA, 2003) uma parte da crítica adorou, eu não. Bay ainda produziu bombas como o filme do também novo Jason e ‘’Transformers’’ (Idem, EUA, 2007), além da sequência e o terceiro filme da série que já foi anunciado.

Eca!

A direção ficou por conta de Samuel Bayer, um diretor de video-clipes de bandas como Metallica e Green Day. Dá pra acreditar? Deram na mão de um estreante uma obra tão conceituada. Só pode ser brincadeira!

Apesar de todos os itens citados acima, eu estava com o pensamento positivo, afinal ouvi algumas boas críticas de amigos que já haviam visto o novo visual de Freddy Krueger. Realmente acreditei que o filme poderia dar nova vida a franquia com a saída de Englund e a entrada de Jackie Earle Haley ( o Rorschach de ‘’Watchman’’) no papel do mestre dos pesadelos, seria um novo fôlego, uma tentativa de traduzir Freddy para a uma nova década.

Não culpo Jackie porque com tantos efeitos e tamanha maquiagem o vilão parece mais um alien, ou seja, está totalmente sem expressão. Pronto, os gênios conseguiram acabar com um dos pontos mais carismáticos e que eternizaram para sempre o senhor do pulôver rubro-negro. Mas calma amiguinhos, não foi só isso que o diretor e o produtor conseguiram destruir.

Vem mais por aí...

Passado esse momento em que o fã falou mais alto que o pseudo-crítico, vamos a minha fria análise sobre esse novo pesadelo. Ou Pesadelo seria ver esse filme?

Tudo até que começa bem, com Freddy matando e matando bonito. Não por muito tempo. Logo o espectador entrará em trabalho de tédio, pode acreditar.

Mas vamos a história que é o que interessa.

Jovens da rua Elm em Springwood, começam a morrer um a um em seus sonhos. Eles sonham com Freddy, que até então ninguém sabe quem é. Só descobrimos realmente qual a ligação entre os jovens que vão morrendo ao longo dos longos 90 minutos, depois da metade da projeção, o que mantém um certo suspense. Mas nada demais.

Cabe a mocinha da história Nancy ( a preferida de Freddy) tentar descobrir quem ele é e por que está atrás dos jovens da rua Elm, tudo isso sem dormir. Haja adrenalina e café!

Aí que vem mais uma cagada dos idealizadores dessa ideia desnecessária. Nesse remake Freddy em vida era pedófilo (!!!), já no original ele era “apenas’’ um assassino de criancinhas. Não sei vocês, mas eu sempre torci pro Freddy vencer no final.

E agora? Como poderia torcer para um pedófilo? (hahaha!)

O filme segue e seus protagonistas não tem o menor carisma, a Nancy que no filme original ficou marcada pela interpretação firme de Hethear Langenkamp, nessa nova versão é extremamente chata e sem sal, seu par romântico, antes interpretado por Johnny Deep (em seu primeiro filme, aliás) agora é vivido pelo emo-pop Kyle Gallner outro que abusa no visual e peca em suas atuações. Tipico ídolo teen de revista Capricho.

O roteiro de Wesley Strick (Casa de Vidro e Cabo do Medo) e Eric Heisserer (quem!?) beira o ridículo e foi feito milimetricamente para agradar crianças de 14 anos que não tiveram qualquer ligação com a série até então. A dupla de roteiristas se preocupa demais em contar a história de vida do Freddy, diferente do original, onde Wes Craven se preocupou menos com as origens do mal e mais com clima de suspense e o sarcasmo de Freddy que chupava os dedos e salivava antes de matar suas vítimas. Apesar do orçamento visivelmente baixo do filme de 1984, Englund e Craven criaram um ícone do horror, algo que nem os mesmos esperavam. Diferente dessa bomba que custou muito e agradou pouco. Pelo menos os antigos fãs não agradou em nada, e falo como um.

Difícil comparar os dois, já que esse filme de Bayer não é uma cópia fiel. Eu chamaria de no máximo uma “homenagem meia boca”. Já que os produtores queriam uma nova história porque não explorá-la mais a fundo? Seria algo que o desprenderia do título de “remake” e talvez fosse menos malhado pela crítica. Porém, acredito que em quesito ruindade a nota seria a mesma.
Enfim...



O filme segue e Freddy mantém suas piadinhas sem graças e sua face não humana que parece ter saído de algum filme de ficção aparece pouco, muito pouco. Parece até que o diretor sabia a merda que estava fazendo.

Somos apresentados a várias cenas inexplicáveis como a do namoradinho de Nancy pegando no sono em pleno treino de natação, brincadeira? Tudo é uma grande desculpa para encontrarem com Freddy. Tá, beleza. Afinal ele é o dono do show.

A fotografia é extremamente escura a ponto de deixar o espectador em dúvida quando é sonho ou realidade. O que provoca sono. Seria um plano maligno de Freddy para fazer os espectadores dormirem? Ou o filme teria um fundo metafórico? Não da para dizer o que passou na cabeça dos realizadores desse desrespeitoso remake.

Aliás, dá sim, eles pensaram nas verdinhas, isso sim. O filme feito para a geração que mais consome o horror, a juventude, e não para os verdadeiros fãs desse que foi, na minha opinião, um dos melhores filmes de horror dos anos 80.

A película também peca pela falta de nudez e violência. Saudades dos anos 80. Sei que tem dedo na censura nisso aí, mas está claro, como falei acima, a intenção dos idealizadores de atingirem um público mais jovem.

O novo Freddy não me fez sequer me lembrar do original. A chuva que despencava dos céus em ritmo frenético me assustava mais que ele. O que fizeram com você, Freddy?

Sua face agora, diferente do personagem de Englund, é moldada por efeitos e maquiagem extremos o que tira todo o realismo que o caracterizou. O filme quase não tem violência, até tem, mas é pouco para quem conhece o assassino dos sonhos de outros carnavais.

Quando a trilha sonora ficava mais escabrosa era o sinal que o dono do show ia aparecer, é o bom e velho susto-fácil. E o suspense do original? Cadê? Nem para deixarem um pouquinho.

Apesar de ser criado um clima de suspense até descobrirmos que Freddy era pedófilo (rarara!) e a ligação dos personagens que vão sendo picotados por ele, isso passa em branco se comparado ao clássico de 1984. Dá até vontade de chorar.

Vontade de chorar mesmo é saber que teremos a parte 2, já anunciada para 2012, e comandada pelo mesmo time de ‘gênios’’. Tai um bom motivo para o mundo acabar em 2012.

Termino com um pedido: mesmo que você já tenho visto o filme original, assista-o antes de ver esse remake. Vai sentir a diferença escabrosa e passar a odiar mortalmente Bay e sua corja de caça-niqueis, como eu odeio. Eles são verdadeiros serial-killers, serial-killers de grandes clássicos do cinema fantástico.

Eu gostaria de acordar de um pesadelo e descobrir que esse filme não foi feito.

Alguém ai me belisca?


Léo Castelo Branco

**
Ficha Técnica

Diretor: Samuel Bayer
Elenco: Jackie Earle Haley, Rooney Mara, Kyle Gallner, Katie Cassidy, Thomas Dekker, Kellan Lutz, Clancy Brown, Connie Britton.
Produção: Michael Bay, Andrew Form, Bradley Fuller
Roteiro: Eric Heisserer
Fotografia: Jeff Cutter
Trilha Sonora: Steve Jablonsky
Duração: 95 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Terror
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: New Line Cinema /
*Platinum Dunes 
Classificação: 16 anos


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas (2010)


2010 começou já tem 5 meses.

E continuo a minha saga de pseudo-crítico de cinema. Sempre vendo a maioria de filmes possíveis e escrevendo alguns longos textos sobre eles (quando dá), o que realmente me traz um prazer imenso.
A proposta inicial desse blog era de falar (criticar, elogiar, meter o pau...) e abrir para a discussão filmes estranhos e trash. Ainda é, só que volta e meia me vejo obrigado a falar de grandes blockbusters de Hollywood. Sendo eles sempre as películas mais comentadas pela crítica e chamativas para o grande público, o que, na verdade, não importa. Porque quem entra aqui sabe que um bom filme vai além da bilheteria e das estrelas no elenco.
E claro que, quem me conhece, sabe que ainda não vi o aclamado “Avatar” (IDEM, EUA, 2009) e não foi por idealismo, pelo contrário, simplesmente não me interessou.
Nada no universo dos NAVI me chamou a atenção e não engulo essa história de consciência social (ambiental) do diretor James Cameron, para mim seus filmes são verdadeiras máquinas de fazer verdinhas, vide “Titanic” (IDEM, EUA, 1997).

Bom, talvez seja um pouco de idealismo sim.
Foda-se.
A única coisa que me interessou em "Avatar" foi a oportunidade de assistir pela primeira vez um filme em 3D no cinema, pois nem isso, nem todas as críticas positivas e o “up” do filme me fez pagar para vê-lo.
Quem sabe em vídeo, quem sabe um dia?
Quer um exemplo do contrário?
“Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, EUA, 2010).

Logo quando o projeto foi anunciado, fiquei muito empolgado. Esperava ver uma versão mais adulta e trabalhada dessa fantasia. E acreditava que Tim Burton poderia transformar esse “clássico” num “belo clássico” ao seu estilo “burtonístico”, tudo isso sem falar nas belas imagens dos personagens pingando pela Internet, antes do filme ser lançado. E olha lá: também poderia ver finalmente meu primeiro filme 3D no cinema.
Tudo lindo?
Nem tanto.
Acho que com toda empolgação esqueci que Tim Burton tem feito filmes (na minha opinião) muito iguais e que cansam. Nada contra Burton, respeito seu trabalho. Particularmente gosto da sua visão do homem-morcego e de “Noiva Cadáver” (Corpse Bride, EUA, 2005) outro belo filme com uma temática gótica.

Pois bem, em Alice imaginei algo diferente. Até pela responsabilidade de ter uma obra dessas nas mãos e tudo que circula à sua volta. Faltou química entre os atores, o roteiro é básico demais e os únicos aspectos que se salvam são: o Pais das Maravilhas, os figurinos de Alice e os efeitos especiais.
Ah, o 3D também, com ele o filme fica ainda mais vivo. Impressionante! Realmente realçaram as cores psicodélicas da fotografia.
Mas o que ficou no ar, foi que faltou algo. Ou “algos”.
Faltou ou repetiu?
Jonhny Depp e Helena Bonhan no elenco, a trilha sonora executada por Danny Elfman e todo aquele universo gótico, apesar de ser um dos filmes mais coloridos que eu já vi, nesse ponto Burton é genial. Consegue impor o obscuro até mesmo na maior das claridades.
Acho que faltou e repetiu.
Faltou criatividade e repetiu-se o estilo “burtonístico”.
Mas insisto em afirmar visualmente: Alice é impecável!

Léo Castelo Branco
**
Ficha Técnica
Diretor: Tim Burton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Michael Sheen, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Matt Lucas, Alan Rickman, Christopher Lee, Crispin Glover, Stephen Fry
Produção: Richard Zanuck, Joe Roth, Jennifer e Suzanne Todd
Roteiro: Linda Woolverton
Fotografia: Dariusz Wolski
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Fantasia
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Classificação: 10 anos

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pequenas críticas, grandes filmes


Amigos e amigas, devido ao último post e todas as lembranças nostálgicas dos anos 90, resolvi dedicar uma parte desse insignificante blog para algumas das relíquias da época. Então, peguei um dia para rever 4 grandes filmes do período. Escrevi pequenas resenhas sobre cada um deles e já adianto que podem repetir a minha sessão porque rir é o melhor remédio!

Preferi falar apenas do começo há metade da década, pois os filmes desse período me agradam muito mais e realmente já estava na hora de revê-los. Esses aí marcaram época para mim.
Risada é o que realmente não vai faltar...
A eles...



“Billy Madison – Um Herdeiro Bobalhão” ( Billy Madison, EUA, 1995)


No post passado citei alguns atores que estouraram na década passada pois bem, tive o prazer de rever esse filme bem engraçado capaz de causar boas risadas e o que me impressionou foi descobrir ( era novo quando vi esse filme) que Sandler assina o roteiro junto com o parceiro Tim Hearly, juntos eles escreveram a 4 mãos outros filmes como o engraçado “Um Maluco no golfe” ( Happy Gilmore, EUA, 1996) e o nem tanto “Little Nicky” (Idem, EUA, 2000).

Voltando ao Herdeiro bobalhão (mais uma péssima tradução brasileira, meu povo!!), o filme só podia ter a mão de Sandler na produção porque é feito na medida de seus personagens, principalmente como se sagrou no Saturday Nigth Live da NBC, caretas e vozes bizarras em atitudes hilariantes. Humor insano, isso soa bonito não!?

A história começa quando Billy Madison o filho de um dono de uma grande rede hotéis, Brain Madison (Darrem McGavin) é desprovido de seu pai de tocar o negócio da família, simplesmente porque ele é um completo idiota que só quer saber de farra com os amigos e revistas pornô, e o pior é que a empresa vai parar mãos do ganancioso Eric Gordon (Bradley Whitford), o qual o herdeiro odeia. Billy volta para refazer todas as séries (desde o jardim de infância), cada uma em duas semanas, para mostrar ao seu velho pai que não é “burro” e poder comandar os negócios da família.

O filme conta ainda com a linda Bridgette Wilson de par romântico de Sandler, sempre uma beleza que vale a pena conferir e ainda Chris Farley (outro hilário comediante da época, infelizmente morto no ano 1997) no papel de um cômico motorista escolar , juntamente com o show de Sandler que faz o que quer e nos diverte nesse filme que o lançou definitivamente para o sucesso.


- Jamaica Abaixo de Zero ( Cool Runnings, EUA, 1993)

Realmente me surpreendeu rever esse filme. Bonito, sincero e com uma bela mensagem contra o preconceito como pano de fundo. Sem falar que é uma das últimas atuações do mestre Jonh Candy (falecido precocemente em 1994), sempre com seu carisma hospitaleiro e no papel de quem a vida vem para dar uma lição.

Baseado numa história real, sobre uma incomum pretensão, formação e treinamento de uma equipe jamaicana de Bobsled (espécie de esporte de neve em que deve-se andar com um trenó especial numa rápida pista de gelo) que deseja - e consegue - participar das Olimpíadas de Inverno de 1988.
Produzido por ninguém menos que a Walt Disney, reprisado muita vezes pela Globo na clássica Sessão da Tarde, essa comédia tem o poder de ser emocionante em diversos momentos, a película realmente prende a atenção e você torce pelo sucesso do time Jamaicano, tem algo que cativa.

Jonh Candy é a estrela com seu jeito bonachão, Doug E. Doug está impossível como o Rastafari Sanka.
Uma sessão da tarde de luxo.


- Marte Ataca ( Mars Attack, EUA, 1996)
Uma divertida paródia aos filmes de ficção cientifica, principalmente aqueles primórdios dos anos 50, esse projeto de Tim Burton (sempre maluco e genial) também foi visto por muitos como uma sátira aos filmes-catástrofe que saiam na época, com “Independence Day” ( Idem, EUA,1996), já que Marte Ataca trata a invasão de extraterrestres ao planeta terra de maneira cômica, exatamente na linha contrária dos filmes-catástrofe.
Os efeitos especiais e a trilha sonora são propositalmente precários, os marcianos têm um “design” um tanto quanto peculiar, parecem vindos direto de um HQ. Não por acaso “Marte Ataca” foi inspirado numa revista em quadrinhos de mesmo nome, que como você já deveria saber nunca foi e, nunca será lançado por aqui.
O clima de ficção cientifica barata e a não-pretensão desse projeto que é um grande filme, com um grande elenco, porém não tem ambição em nenhum momento, a não ser a de ser um simplório filme B.
Isso mesmo!
E você já viu um filme B com Jack Nicholson, Michael J. Fox, Glenn Close, Pierce Brosnan e Sarah Jessica Parker?
Não que esse filme seja B, mas se não é B é uma grande homenagem a eles.
Burton mais criativo do que nunca aproveita também para fazer uma paródia ao “american way of life” há começar da casa branca. O presidente (Jack Nicholson) é um banana, a primeira dama (Glenn Close) é uma mulher fútil que só pensa nas roupas que usa. E os dois estão únicos.
E tem mais...
Os militares são uns alienados (diferente dos heróis de guerra de Independence Day) e só pensam em ganhar medalhas, já imprensa é representada como tal: suja e facilmente maleável.
Vale cada minuto de exibição.


- Meu sobrinho é um terror ( Clifford, EUA, 1994)

Deixei o melhor da sessão para o final. Esse filme verdadeiramente marcou minha infância, uma comédia de humor negro espetacular, não existe outro adjetivo para descrevê-la.
Assim como Sandler, Martin Short, que aqui interpreta Clifford começou no Saturday Night Live, aliás, esteve lá por um longo período (1984-2006). Pois é, Short tem a cara do humor escarrado dos anos 90, não entendo como não fez mais sucesso como Carrey ou Sandler.

Não posso deixar de falar também de Charles Grodin que faz o tio neurótico do menino endiabrado. Os produtores de Clifford com certeza viram “Beethoven, O magnífico” (Beethoven, EUA, 1992) 2 anos antes, porque aqui o papel é praticamente o mesmo, um homem de meia idade a beira de um colapso, só que invés de pirar por causa de cachorro, ele perde o senso por causa do seu sobrinho de 10 anos.


Os pais de Clifford (interpretados por Richard Kind e Jennifer Savidge) já estão putos da vida e querem simplesmente matar o garoto e não é pra menos. Logo nos 10 primeiros minutos do filme ele já: acordou seu pai enfiando seu pequeno dinossauro no seu nariz e fez um avião pousar em Los Angeles porque ele está fascinado por um parque de dinossauros que tem na cidade.
É aí que entra o Tio Martin (Charles Grodin). O pai do garoto tem uma reunião em São Francisco e com medo que o moleque arrume mais confusão ele liga para o seu irmão pedindo que fique com Cliff no final de semana. Programão, hein?

Tio Martin quer impressionar a linda Sarah Davis (Mary Steenburgen). Ela quer ter filhos e Martin vê a oportunidade perfeita para provar que pode se dar muito bem com crianças.

Só que Clifford vai fazer qualquer coisa para ir ao tal parque. É ver para crer.

Um filme totalmente sem escrúpulos, que chega a chocar. Martin Short e Grodin formam a dupla perfeita: o pequeno doente e o tio que aos poucos enlouquece com as peripécias do sobrinho, os ingredientes perfeitos para uma boa dose de risadas.
Espetacular!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Peste (1997)


" Máfia escocesa, um malaco latino, um alemão nazista e uma caçada humana com muita grana em jogo... uma boa ideia, porém mal executada.”

Ah, o humor do cinema do anos 90... a década que começou com comédias pouco (ou nada) engraçadas como “Edward Mãos de Tesoura” (Edward Scissorhands, EUA, 1990) e “Uma Linda Mulher” (Pretty Woman, EUA, 1990), filmes feitos como o único intuito de lucrar, que vieram no embalo dos anos 80, mas não chegando nem perto de filmes do final da década anterior como “Os Fantasmas de divertem” (Beetlejuice,EUA,1988) um filmaço de Tim Burton que mescla vários elementos do humor, e tendo um tema que bem trabalhado como foi, vira um bom entretenimento e ainda pode render um bom lucro aos produtores (sanguinários e capitalistas).

O que foi feito para tentar inovar (e não deu certo), ou as histórias românticas colegiais que se eternizaram no anos 80 (e voltaram nos 90) chegou a um certo limite. Então começam a aparecer produções interessantes, como “Quanto mais idiota melhor” ( Wayne’s World, EUA, 1992) e sua divertidíssima continuação “Quanto mais idiota melhor 2” ( Waine’s World, EUA, 1993): um filme baseado num esquete do programa "Saturday Nigth Live", da NBC, que levou Mike Myers direto à fama, nos apresentou um humor junkie, o qual jamais havia sido visto. E esses dois filmes ganharão um post aqui no Estranhezas Cinematográficas em breve.

Em 1993 também vimos coisas boas como “ A Família Buscapé” ( The Beverly Hillbillies, EUA, 1993) uma autêntica gozação ao "american way of life". O que falar então do surgimento de Jim Carrey? Em 1994, com “O Máscara” ( The Mask, EUA, 1994), o personagem Stanley Ipkiss e seu cachorro Milo viraram até desenho depois do sucesso do filme. E é bom lembrar que, antes mesmo do “Máscara”, e no mesmo ano de 1994, Jim Carrey fez o excelente “Ace Ventura – Detetive de Animais “ (Ace Venture, pet detective, EUA, 1994), uma das melhores comédias da década que ganhou uma continuação, também esplêndida.
Outro ator cômico que se consagraria na metade da década de 90, não muito longe dali, no ano de 1995, foi o hoje rei-do-blockbuster Adam Sandler. Com “Billy Madison- Um herdeiro bobalhão” –diga-se de passagem horrível o título nacional- ( Billy Madison, EUA, 1995) o modelo paspalhão estava de volta, agora ao extremo. O próprio Sandler participou do filme "Cônicos e Cômicos" ( Coneheads, EUA, 1993) e “Os Cabeça de Vento” (Airheads,EUA, 1994), primores da década.

Depois de uma breve prévia de um pouco das comédias da década vamos ao ponto central desse artigo que é sobre um filme com uma ideia boa, porém mal executada: o bizarro “O Peste” ( The Pest, EUA, 1997) dirigido por Paul Miller é um adaptação do conto "The Most Dangerous Game" de Richard Connell.
Miller é péssimo. O roteiro que deixa a desejar da primeira fala ao último crédito. Aí fica difícil, fazia tempo que eu não via um filme e pensava “que filme forçado!”, pois bem foi o que eu pensei.

E vamos a ele...
Um alemão nazista querendo caçar um latino que, se sobreviver 24 horas, vai ganhar US$ 50 mil. E o mesmo latino deve os mesmos US$ 50 mil à máfia escocesa (!!!). Parece um enredo que pode dar liga, ainda mais dado o gênero de comédias escatológicas da segunda metade dos anos 90? Acho que sim, mas não é o que acontece, o filme é apelativo demais ( temos cenas de uma cagada sonora na mata, vômitos, hormônio do sexo e muito mais para fazer o espectador esquecer o roteiro pífio e se deixar levar pelo bizarro modelo imposto pelas lentes de Miller).



Portanto, se você procura algo sensato e bem elaborado num filme, você vai odiar esse.

Pestario Vargas o “Pest” (Jonh Leguizamo, chega a arrancar umas risadas, poucas.) é um malaco latino (bem estereótipo, vestindo sempre jaquetas "Sport" da Nike, aquelas que parecem compradas na 25 de março.) que vive de pequenos golpes e sua família insiste que ele vá pelo “caminho certo”. Ele namora Xantha (Tammy

Townsend) e está sempre na companhia de seus amigos (estereótipos) Ninja ( Freddy Rodriguez) e o negro estilo rapper, um tipo que começou a aparecer muito em comédias desde então, Chubby (Aries Spears).


Gustav Skank ( Jeffrey Jones, já teve momentos melhores, mas também arranca mínimas risadas e só) coleciona cabeças empalhadas de homens de todo mundo, o único exemplar que falta em sua coleção é um latino. Num evento popular ele procura sua última vítima, então indica à distância para seu capanga Angus ( Charles Hallahan) o exemplar ideal, só que o capanga se confunde e acha que Pest é o cara, no típico clichê.

Pest também tem um emprego como entregador de comida chinesa, então Gustav faz um pedido e advinha quem vai entregar? Informado por Angus sobre os problemas de Pest com a máfia escocesa, ele oferece ao latino uma bolsa em uma faculdade no valor de US$ 50 mil, o nosso latino-man topa na hora. Só que antes de receber a grana ele vai ter de participar de uma caçada no fim de semana, só que ele ainda não sabe que ele mesmo é a caça.

Até aí eu ainda pensava: “ ele vai caçar o cara, vamos rir um pouco e depois dormir porque amanhã é um novo dia”. Errado, o roteiro daí para frente só fica cada vez mais apelativo e com cenas desnecessárias e mais apelação. Salvo algumas caras e bocas de Leguizamo, alguns trejeitos de Jeffrey Jones que valem pelo menos meio ingresso.


Concluindo...
A ideia mal aproveitada em Pest era o fim de uma era. No final dos anos 90 vierem filmes modernosos e metidos a diferentes como “Quem vai ficar com Mary?” (There's Something About Mary, EUA, 1998) um filminho até que divertido sobre as relações humanas, onde não vejo nada de inovador, é apenas engraçadinho, o mesmo digo de “Shakespeare Apaixonado” (Shakespeare in Love, EUA, 1998), por incrível que parece ganhou o Oscar de melhor filme (!!!) e ainda melhor atriz (Gwyneth Paltrow), melhor atriz coadjuvante (Judi Dench), melhor direção de arte, melhor figurino, melhor trilha sonora de comédia/musical, melhor roteiro original. Filminho engraçadinho, nada mais.

O Pest, pelo menos, não veio com o intuito de ser diferente e modernoso e, sim, bizarro e cheio de piadas absurdas. Chega a dar saudade do meio dos anos 90, um cinema verdadeiramente sem escrúpulos e que, dada a sua ruindade (leia-se genialidade) me atrai muito mais que filminhos engraçadinhos.




Léo Castelo Branco

**

Ficha Técnica

Direção: Paul Miller
Roteiro: David Bar Katz (história e roteiro), John Leguizamo (história)
Gênero: Comédia
Origem: Estados Unidos
Duração: 84 minutos
Elenco : John Leguizamo (Pestario 'Peste' Vargas), Jeffrey Jones (Gustav) Edoardo Ballerini(Himmel)

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