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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ed Wood (1994)

Idem
Direção: Tim Burton
EUA, 1994

Quando se pergunta quem é o melhor diretor de cinema de todos os tempos, mesmo entre os críticos as opiniões divergem. Alguns dirão que é Orson Welles. Outros, Coppola, Bergman ou Chaplin. Mas, quando o assunto é o pior diretor, há quase uma unanimidade: Ed Wood, responsável pelas mais bisonhas películas já vistas.

Efeitos especiais paupérrimos, continuidade inexistente, diálogos absurdos... Eram tantas falhas em seus filmes que nem a presença do – já decadente – ator húngaro Béla Lugosi (ícone do terror da produtora Universal) conseguia salvá-los. Cheio de sonhos, porém sem nenhum talento, Ed Wood era uma dessas personalidades fadadas a cair no total esquecimento.

Mas não caiu. Tendo sua vida (ou parte dela) levada às telas por Tim Burton em 1994, Wood (interpretado aqui por aquele que viria a ser o ator preferido de Burton, Johnny Depp), um americano que gostava de se vestir de mulher, tinha tudo para ser retratado como uma figura patética (como de fato era). Mas aqui vira um personagem que mistura graça e lirismo, quase um Dom Quixote. E isso de forma alguma é um demérito ao filme, que consegue, ao mesmo tempo, ser engraçado e inspirador.

A história começa quando Ed, ainda em início de “carreira”, descobre que o produtor George Weiss (Mike Starr) quer financiar a cinebiografia da transexual Christine Jorgensen. Procura Weiss e é informado de que, como não foram conseguidos os direitos de filmagem, a obra terá enredo fictício e se chamará I changed my sex. Empolgado, Ed convence o produtor tanto a contratar seu ídolo Béla Lugosi (Martin Landau, no papel que lhe rendeu o Oscar de coadjuvante), de quem se tornou amigo depois de dar uma carona, como a mudar o título para Glen ou Glenda.

Ed se acha um Orson Welles (por quem, aliás, em uma das melhores cenas do filme, é incentivado, durante um encontro em um bar). Por isso, fica arrasado com o fracasso de público e crítica de seu primeiro filme, o que não o impede de sair em novas empreitadas. Paralelamente, ele sofre reveses em seu namoro com Dolores (Sarah Jessica Parker), que não aceita bem seu transformismo, nem seu estranho círculo de amizades, que do qual também fazem parte seus colaboradores habituais: o já citado Lugosi, o travesti Bunny Breckinridge (interpretado magistralmente por Bill Murray), a ex-estrela de TV Vampira (Lisa Marie), cuja única exigência é não ter nenhuma fala, e o lutador sueco Tor Johnson (George Steele).

Rodado em belíssimo P&B, Ed Wood ganhou vários prêmios, tendo, inclusive, sido indicado ao Oscar de melhor filme (irônico, não?). Ao final, mostra Ed triunfante. Quem conhece a história verdadeira sabe que ela não acaba assim. Triunfo mesmo é o do espectador, que se diverte com esta pequena obra-prima.

Por Leilson de Souza (@NostalgiaNao)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Curtinhas de Léo Castelo Branco - Parte 4 - Os clássicos

Viciados em cinema, apaixonados pelas películas e analfabetos funcionais Léo Castelo Branco está de volta dissecando mais obras cinematográficas para vocês. Depois de uma overdose do gênero fantástico, era preciso dar um tempo. Mudar um pouco os ares.

Hoje vou falar sobre alguns clássicos, novos e antigos, que marcaram minha última sessão. São eles “Um Estranho no Ninho”, “Mississipi em Chamas” e “Cisne Negro”. 3 grandes obras, uma de cada geração. Se você já as viu é um verdadeiro admirador dos verdadeiros clássicos, se não viu leia as resenhas e não perca tempo, aproveite que o final de semana está chegando.

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Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, EUA, 1975)


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A vida como ela é+Jack Nicholson e Louise Fletcher inspirados+entrega total do elenco e produção= uma das maiores obras da sétima arte

Uma obra quase real. Na minha visão, apenas saber desse fato já valeria para ver “O Estranho no Ninho” com outros olhos, mais aguçados. Não bastasse isso, o filme é simples e genial, realmente fora de série. Se todas essas qualidades ainda não lhe convenceram, essa obra do diretor Milos Forman e produzida por Michael Douglas e Saul Zaentz pode ser vista tanto pela ótica da comédia , como pela dramática. Baseado no livro de Ken Kesey, que o escreveu através de experiências vividas em manicômios de verdade, “O Estranho no Ninho” é um filme muito próximo da realidade. Na história o condenado Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson) se passa por louco para evitar trabalhar no campo e acaba sendo transferido para um manicômio, onde vai alterar a rotina dos presentes e entrar em conflito com as rígidas normas de controle estabelecidas pela instituição e seguidas à risca pela enfermeira Mildred Ratched (Louise Fletcher). Jack Nicholson está sublime e sua atuação é o fio condutor que transforma as páginas do livro em imagens no cinema, atuação essa que lhe rendeu a estatueta de melhor ator no ano de 1976. Só por ele o filme já seria excepcional, mas o roteiro de Bo Goldman e Lawrence Hauben desenvolve uma dezena de personagens que são fundamentais nos argumentos da estória. Durante todo o filme é difícil ver uma atuação isolada, porque cada um tem o seu brilho e um “louco” da o tom para outro, como uma família em perfeita sincronia. Vale citar a atuação dos ainda novinhos Brad Dourif, Danny De Vito e Christoper Lloyd que mais tarde viriam brilhar em outros clássicos em nossas telinhas e telonas. Reza a lenda que Jack Nicholson se internou durante 2 meses em um hospício para construir cada detalhe do personagem. Não sei o que ele fez, mas deu certo. O seu MacMurphy está nos detalhes e em atitudes inesperadas, desde bater na mesa do diretor da instituição como quem mata uma mosca até o modo como ele cativa os demais. No fim o que fica é que todos nós somos “loucos”, cada um tem suas manias, alternamos momentos alegres e tristes. Essa é lei da vida, e em “O Estranho no Ninho” ela é mostrada de várias formas, por isso essa obra prima da sétima arte está tão próxima da realidade. Se você não viu, comece a duvidar do seu gosto pelo cinema.

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Mississipi em Chamas (Mississipi Burning, EUA, 1988)

* Direção segura+trilha marcante+pouca inovação= um clássico controverso

Esse com toda certeza é o mais contraditório dessa edição das Curtinhas de Léo Castelo Branco. Tive 2 impressões com esse filme, uma boa e outra ruim, mas vamos por partes. Assisti “Mississipi em Chamas” quando era mais novo e ingênuo, ainda no colégio, quando estudávamos sobre o preconceito. Na época o adorei e idolatrei. Ao assistir pela segunda vez, agora madurecido me surgiram algumas dúvidas, que contarei após lhes apresentar a sinopse desse controverso clássico. “Mississipi em Chamas” se passa em uma cidade no Sul dos EUA, nos anos 60, época que a KKK estava a pleno vapor. Na cena de abertura dois jovens brancos e um negro são perseguidos em alta velocidade, depois de muita correria eles vêem que é a polícia e param. Um homem branco aparece e após falar “Você já está com o cheiro dos negros, judeuzinho” atira sem pestanejar na cabeça do rapaz branco que estava no volante. E assim os créditos aparecem na tela, juntamente com a certeza que vem chumbo grosso pela frente. O FBI é chamado para resolver o crime, os agentes Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willian Dafoe) vão até o local e sustentam um clichê de um jeito pouco disfarçado (aí começaram os meus questionamentos). Rupert é mais caipira e não gosta de sempre agir de acordo com as regras para fazer justiça, já Ward é mais centrado e certinho (leia-se almofadinha). Logo na primeira cena dos dois, o diretor Alan Parker (“O Expresso da Meia Noite”) mostra que a convivência entre eles não vai ser das mais fáceis, até que descubram que tem mais do que pensam em comum e se unam de verdade para fazer o bem. Clichê, né? Basta lembrar de Riggs e Murtaugh, a dupla explosiva de “Máquina Mortífera” que no início tinha um comportamento parecido e depois de “se resolverem” se transformaram em uma dupla de tiras perfeitos. Não que não goste de “Máquina Mortífera”, pelo contrário, gosto muito, mas em “Mississipi em Chamas”esperava algo fora dos padrões, até porque o tema escolhido era muito pouco explorado na época. Outro detalhe negativo que me chamou a atenção nessa revisão foi à passividade dos negros da cidade, nunca tentavam nada e quando tentavam era apenas superficial. O filme esquece de retratar os processos de mobilização negra que já explodiam nos EUA e Martin Luther King só é citado em piadas racistas dos sulistas. No final, resta ao FBI dos homens brancos salvar a pátria, e cá entre nós, na vida real e na época essa instituição demonstrava ter outros interesses. Mas como afirmei no começo, não é só de coisas ruins que é feito “Mississipi em Chamas”, para mim aliás ele continua um clássico intacto, dentro das suas limitações é claro. A direção firme de Parker leva o espectador de fato a viver a experiência de sentir-se em uma cidade do sul dos EUA nos anos 60, em alguns momentos chega a dar claustrofobia o exagero de detalhes e o clima que vai ficando cada vez mais tenso para os agentes do FBI. A trilha que não fica mais de 5 minutos sem aparecer é assombrosa, uma batida sequencial que parece saída de uma roda de macumba é capaz de deixar os ânimos ainda mais aflorados. As cenas de violência são muito bem feitas e estão presentes durante todas às 2 horas da fita, o que reforça o sadismo da KKK. Entre mortos e feridos,“Mississipi em Chamas” é um clássico que merece respeito, acima de tudo pela direção sempre segura de Alan Parker e também pelas cenas de ação bem fortes e bem construídas. Mas, na minha opinião, poderia pegar mais na ferida e tocar ainda mais o espectador para esse problema que ainda hoje é presente.

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Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010)

*Estilo Darren Aronofsky+Natalie Portman divina+ detalhes inquietos= Um novo clássico

Um passeio doentio pelas dores e prazeres de seus personagens. Assim poderia ser descrito o trabalho do diretor americano Darren Aronofsky, que também é perturbador sem deixar de ser vibrante. Apesar de não ser um profundo conhecedor da sua obra, o pouco que conheço já me faz admirá-lo como poucos. E “Cisne Negro” foi fundamental para essa admiração aumentar. Confesso que não estava com a mínima vontade de ver, imaginei que fosse um drama chato e repetitivo. Fui convencido pela minha namorada que sabe muito bem reconhecer aquele filme que se sobressai quando vê um, então fomos lá ver o que para mim ainda era inesperado. O resultado foi surpreendente, muito acima do esperado. Na história,bailarina (Natalie Portman) se vê de frente com a oportunidade de interpretar o papel principal de “Lago dos Cisnes”, escrito por Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin, mas ela terá mostrar seu lado negro, além do angelical que já tem, para poder ser a estrela do espetáculo. A obra mostra, de maneira sublime, cada passo dessa transformação, nada se perde na câmera de Aronofsky que capta cada lágrimas, sorrisos, o sofrimento do treinamento (em cenas que chegam a dar agonia), o sabor da vitória e da derrota, a inveja das outras bailarinas e a obsessão da mãe. Tudo isso retratado nos mínimos detalhes. É praticamente como se sentíssemos as mesmas sensações da protagonista. Natalie Portman aqui vive sua melhor atuação, a estatueta que levou foi mais que merecida. A sua transformação nesse personagem lembra o McMurphy de Jack Nicholson citado acima em “O Estranho no Ninho”, claro que são mudanças diferentes, mas com a mesma intenção: levar o espectador ao limite. “Cisne Negro” é um filme que mostra os dois lados, seja a dor ou prazer, a vitória ou a derrota, de um jeito muito detalhista e vezes sombrio. O melhor filme que vi nos últimos tempos sem sombra de dúvidas, e como o propósito desse post era falar de clássicos, esse é um da nova geração. Mesmo lançada recentemente, a obra de Darren Aronofsky já se eternizou. E o Oscar não tem nada haver com isso.

Mandem opiniões, críticas e sugestões de filmes pelos comentários. E Siga o Estranhezas Cinematográficas (@cinemaestranho) no Twitter para ficar atento as novidades.

Texto escrito por Léo Castelo Branco (@leocastelob)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Especial – Maratona Stephen King

Cinéfilos, estranhos, lunáticos e curiosos, quem vos fala é Léo Castelo Branco de volta ao Estranhezas Cinematográficas. Passei algum tempo em recesso, mas estou de volta, agora para ficar. E não estou sozinho, nosso amigo Leilson estreou aqui no blog mandando muito bem com a sua resenha sobre o clássico absoluto de Sam Raimi, a trilogia “Evil Dead” e depois com a crítica de “Abismo do Medo”.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Passei um final de semana literalmente internado no meu quarto revendo, o que na minha opinião, são 3 dos maiores clássicos do grande mestre Stephen King .

São eles “A Tempestade do Século”, “IT – Uma Obra Prima do Medo” e “Carrie – A estranha”. O clima frio em São Paulo ajudou e fez com que o suspense permeasse por todo final de semana. E não tem coisa melhor do que ver um filme do gênero nestas circunstâncias, não é?

Se você não é dessa galáxia e não conhece Stephen King, vou fazer um breve resumo. King é um dos maiores escritores fantásticos da atualidade, com livros publicados em mais de 40 países e diversas obras adaptadas para o cinema. Ele também se destacou fora do gênero horror-suspense-fantástico em filmes acima da média como “À Espera de um Milagre”, “Conta Comigo” e “Lembranças de um Verão”.

Abaixo minhas pequenas criticas sobre as obras escolhidas:

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A Tempestade do Século ( The Storm of the Century, 1999, EUA)

* Suspense de saltar da cadeira+Melhor vilão depois de Jack Torrence+ Película ao melhor estilo King= Obra prima do gênero

Esse filme com certeza foi o mais curioso do final de semana. Eu havia visto há anos atrás quando foi lançado, lembro de minha mãe ter alugado, assisti me cagando todo, pois ainda era novinho. Dessa vez o que me deixava assustado é saber exatamente como ele terminava e nada mais. Pensei que pudesse afetar o suspense e deixar a película sem graça, mas logo na primeira cena vi que isso não iria acontecer, devido aos infinitos mistérios que dão alicerce a toda trama. Fiquei puto por ter esquecido essa obra prima, cheia de simbolismo e verdades assustadoras. Realmente um filme que faz você pensar após o seu final, o que é raro hoje em dia, principalmente falando do gênero fantástico. “A Tempestade do Século” é uma pequena mini-série americana (3 capítulos de 1h25) lançada por aqui em 2 fitas VHS. A duração total é de 4h15, mas que passam voando divido ao suspense que permeia até o último segundo da exibição. Uma ilha pacata e distante nos EUA chamada Little Tall tem tudo para quem busca sossego: isolamento, tranquilidade e um povo unido (ao menos é o que parece). Uma tempestade se aproxima e pode acabar com esse sossego, noticiários afirmam que essa será a nevasca mais forte de todos os tempos. O xerife Mike cuida para que tudo saia como esperado durante a tempestade, montando um abrigo para que todos fiquem juntos. Tudo ia como planejado, até um homem estranho e seu cajado chegarem a ilha. Andre Linoge, mata a cajadadas uma senhora dentro de sua casa e espera a polícia chegar sentado e sorrindo. Quando ele é preso e a tempestade chega coisas mais estranhas começam a acontecer. Suicídios e assassinatos improváveis ocorrem sempre acompanhados da mensagem “Dêem o que quero e eu vou embora” escrita em sangue próxima ao local do crime. Fica cada vez mais difícil não ligar as mortes a Linoge, mesmo preso. A partir daí a coisa começa a ficar preta e o mistério de saber o que ele realmente quer fica sempre batendo a porta incomodando o espectador. Interpretado por Colm Feore, esse é o melhor vilão de King desde Jack Torrence (“O Ilmuniado”). Com sua face obscura e diálogos bem articulados, Linoge não necessita de efeitos especiais ou gráficos para fazer o espectador pular da poltrona, muito pelo contrário, sua principal arma é a verdade. Ele usa e abusa dela, jogando-a constantemente na cara dos ilhéus. É isso que faz de “A Tempestade do Século” um filme original e tão acima da média. Ao descobrir os podres da população de Little Tall, começamos a ver que não existem heróis ou vilões, apenas interesses. É ai que King quer chegar: usar o suspense para fazer uma critica severa as relações humanas. E isso assusta muito.

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IT – Uma Obra Prima do Medo (IT, 1990, EUA)

* Enredo e narração perfeitos+Palhaço demoníaco+Cenas desnecessárias= Bom filme

Se você como eu odeia clichês e está com os olhos cansados das mesmices do gênero, pode ter certeza que, no mínimo, “IT – Uma Obra Prima do Medo” vai surpreender você. Essa adaptação do livro “A Coisa” de Stephen King, não demora a nos apresenta ao vilão da trama, o demoníaco palhaço Pennywise, que sem delongas já tira a vida de uma criança inocente. O ser maléfico aparece apenas para as crianças, que pouco a pouco vão sumindo do mapa da cidade de Derry, Maine. Até que um grupo de 7 pequeninos, porém valentes (The Lucky Seven) decide ir para cima do monstro, conseguindo depois de um certo esforço derrotá-lo. Feito isso, o esquadrão mirim faz uma promessa que se o palhaço voltar, eles também voltariam para acabar de uma vez por todas com o vilão. É claro que ele volta, 30 anos depois e de fôlego renovado. Até ai pode parecer mais um clichê, só que o interessante é como o diretor Tommy Lee Wallace mostra isso ao espectador. Uma a uma as crianças, agora já adultas, vão recebendo ligações do único integrante do grupo que ainda mora em Derry. Cada um que recebe a notícia, após o choque, volta no tempo e relembra o terror de Pennywise e assim a história vai se encaixando como um quebra-cabeça, aos poucos, sem pressa, afinal o filme tem 180 minutos. A segunda parte se concentra na volta deles a Derry e posteriormente no combate ao mostro, que tentar fazer tudo para deixá-los desunidos e mandá-los para longe. A maioria deles pensa em desistir, mas para conseguir derrotar Pennywise eles precisam estar unidos, assim como eram quando pequenos. Do meio para o fim o filme deixa um pouco a desejar, principalmente pela falta de ritmo e cenas desnecessárias que parecem estar ali apenas para encher linguiça. O final é previsível, porém não deixa de ser interessante. A moral da história? Adultos são mais fracos na hora de enfrentar seus medos do que as crianças.

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Carrie – A Estranha (Carrie, 1976, EUA)

* Personagens clássicos+Enredo cativante+Toque especial de Bryan de Palma=Um clássico com vida própria

Já imaginou sofrer abusos e humilhações todos os dias, não ter sequer um amigo e ainda por cima ter uma mãe que lhe considera fruto do pecado? Bem-vindos à vida de Carrie White. Ela é tímida, fechada, desorientada e vitima constante de bullying de suas colegas. Sua mãe Margaret White (Piper Laurie- aqui em uma atuação magistral) é uma fanática religiosa que violenta a própria filha para que ela cumpra suas obrigações religiosas. Além de toda essa confusão, a garota vai descobrindo que possui poderes telecinéticos, ou seja, pode mexer objetos com a mente. E esse poder fica ainda mais forte quando ela tem algum tipo de estresse. Não precisa ser muito inteligente para imaginar os fatos que sucedem o roteiro, porém esse é dos pontos altos da obra do diretor Bryam de Palma, que através de uma história previsível expõe dois vilões constantemente presentes nas histórias de King: fanatismo religioso e preconceito. Esses exemplos cabem nos 3 filmes criticados neste post, só para deixar mais próximo os que não conhecem bem o estilo de autor. A cena da transformação de Carrie, no baile da escola, é simplesmente sublime. De Palma sabia o que estava fazendo e com maestria torna lento o clímax da mudança, de bela rainha do baile a perversa deusa da morte. Essa atitude mexe propositalmente com a vontade do espectador, que espera ansiosamente por esse momento. É como se o diretor brincasse com quem assiste, nada menos que genial! E não foi à toa que dessa obra surgiram para fama, além dó próprio Bryan de Palma, Jonh Travolta e Sissy Spacek (que concorreu ao Oscar pelo papel). Se você não viu, assista já!

E aí vocês curtiram a maratona? Mandem suas opiniões, críticias e sugestões de filmes pelos comentários. E Siga o Estranhezas Cinematográficas (@cinemaestranho) no Twitter para ficar atento as novidades.

Texto escrito por Léo Castelo Branco (@leocastelob)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Abismo do medo

THE DESCENT
Direção: Neill Marshall
Reino Unido, 2005



Pen
se: que filme de terror original você viu nos últimos, digamos, 10 anos? (Por “original”, entenda-se “que não é remake, continuação, prequel ou adaptação”.) Difícil lembrar, não? E filme de terror bom? Contou nos dedos? Pois bem: “Abismo do medo”, do britânico Neil Marshall, consegue ser as duas coisas. E partindo de uma premissa simples, porém eficiente.


A história começa quando Sarah (Shauna Macdnald) perde marido e filha em um acidente de carro na Escócia. Passado um ano, ela é convencida pelas amigas Juno (Natalie Mendoza), Beth (Alex Reid), Sam (MyAnna Buring) e Rebecca (Saskia Mulder) a explorar um complexo de cavernas nas Montanhas Apalaches (Carolina do Norte, EUA). A elas junta-se Holly (Nora-Jane Noone), nova amiga de Juno. Chegando às cavernas, elas passam por várias situações adversas, que só pioram com a companhia de estranhas – e mortais – criaturas.


Por se passar em um cenário tão irregular, e ter um rol de personagens exclusivamente feminino, o filme consegue evitar vários lugares-comuns do gênero (ninguém morre por estar fazendo sexo, por exemplo). E Marshall, que até então só havia dirigido o bem-recebido “Dog Soldiers” (2002), tira o melhor proveito possível de sua ambiência claustrofóbica e do inspirado elenco.


Também merecem destaque o roteiro, que não se vale de soluções fáceis, e o trabalho das equipes de efeitos especias e maquiagem, que dá vida a seres cuja aparência provoca um misto de medo e asco. Cabe, no entanto, uma ressalva: em algumas cenas, de tão escuras, não se pode ver com limpidez o que acontece.

Por Leilson de Souza (@NostalgiaNao)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Trilogia - Evil Dead.

Caros amigos, cinéfilos e visitantes. O Estranhezas Cinematográficas (@cinemaestranho), mais uma vez, está de volta, só que dessa vez para ficar e com novidade. Nossa equipe (antes só o Léo Castelo Branco) agora ganhou um reforço, e já era tempo. Leilson de Souza é fã de cinema em todas as suas vertentes, ligado nas redes sociais e está iniciando nas criticas cinematográficas.

E não é que ele surpreendeu? Na sua estreia, faz uma bela análise dos 3 filmes da consagrada série B “Evil Dead”. Leia abaixo e se surpreenda também:








The Evil Dead - A Morte do Demônio (1981)

Cinco jovens vão passar alguns dias em uma cabana na floresta e são atormentados – para dizer o mínimo – por forças do mal. Não parece clichê, é. Mas nunca um clichê foi revirado com tanta energia e criatividade como em “Evil Dead” (“A morte do demônio”, no Brasil), de 1981. Estreia na direção de um ex-ajudante dos irmãos Coen, o jovem Sam Raimi (com pouco menos de 22 anos na época), e estrelado pelo carismático canastrão Bruce Campbell, este clássico do gore é uma demonstração de que se pode fazer um (bom) filme com pouco dinheiro.Ao contrário de suas seqüências, essa parte não tem humor e investe em um horror gráfico e exagerado. O que se vê na tela é sangue e espertos truques de câmera. Ah, sim, antes que me esqueça, a história: Ash (Campbell), sua namorada, Linda (Betsy Baker), sua irmã e um casal de amigos (cujos nomes não fazem a menor diferença) vão passar um final de semana em uma casa no meio do mato (alerta de clichê!) e acabam encontrando pertences de um arqueólogo, entre eles o “Livro dos Mortos” sumério e uma fita cassete com trechos narrados deste último. É claro que, ao contrário do que o bom senso recomendaria (bom senso? Num filme de terror? Sério?), eles tocam a tal fita, o que provoca o despertar de ferozes entes demoníacos (que, claro, o espectador nunca vê; pouco dinheiro, lembra?). Daí pra frente é uma sucessão de coisas grotescas, que incluem desmembramentos, cabeças falantes e árvores estupradoras.Sem dar um minuto de fôlego ao azarado Ash, a insanidade prossegue até o último minuto, deixando o público esperando a (inevitável?) continuação. Resumindo: “Evil Dead” é obrigatório – e isso, sim, é clichê – para os verdadeiros fãs de horror, porém altamente contra-indicado a pessoas sensíveis e estômagos fracos.

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The Evil D
ead 2 - Uma Noite Alucinante 2 (1987) Dir: Sam Raimi

Ao contrário do que dizem os críticos mais chatos (ou desatentos), “Evil Dead II” (“Uma noite alucinante 2”, no Brasil), de 1987, não é um mero upgrade do primeiro filme. Olhando com mais atenção, percebe-se claramente a intenção do diretor (novamente Sam Raimi) de usar os primeiros minutos como um resumo dos eventos anteriores (eliminando tudo que fosse supérfluo). Aqui, Ash (Bruce Campbell), depois de se livrar da endemoniada namorada Linda, ser ele mesmo possuído e ter problemas até com a própria mão, é surpreendido pela chegada de Annie, filha do professor Knowby (o arqueólogo dono da cabana, para quem não se lembra), e de um colega dele, além de outras pessoas. A primeira impressão que Annie tem é de que Ash é um assassino, o que faz com que ele logo seja confinado no porão, onde entra em cena Henrietta, esposa morta-viva de Knowby e também uma das criaturas mais pavorosas já vistas (por mim, claro) no cinema. Desfeitos os mal-entendidos, tem-se a seguir uma mistura de comédia de humor negro com pastelão (sem esquecer do horror, evidentemente), com destaque para os muitos litros de sangue (verde) e a já icônica imagem de Ash com a motosserra afixada ao braço. (Falando nisso, aqui vai uma curiosidade: a cena do chafariz de sangue vindo da parede é uma homenagem a “A Hora do Pesadelo” (1984), de Wes Craven.). Aqui também descobrimos que o verdadeiro nome do “Livro dos Mortos” é “Necronomicon” (foi “emprestado” da obra de H.P. Lovecraft). Mas enfim, este filme, se não inaugurou o gênero “terrir”, ao menos tornou Raimi um dos seus maiores expoentes, além de nos proporcionar quase 1h30min do mais puro cinema fantástico (e trash).

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Army of Darkness: Evil Dead 3 - Uma Noite Alucinante 3 (1992)

O ano era 1992. Ninguém esperava outro “Evil dead” (mesmo porque ainda não havia internet para nos informar desse tipo de coisa). Mas Sam Raimi surpreendeu e lançou “Army of Darkness” (“Uma noite alucinante 3”, no Brasil), continuação direta das aventuras – ou seriam agruras? – de Ashley “Ash” Williams (sim, esse é o nome dele, apesar de nunca ter sido citado). Como visto no fim do longa anterior, ele é transportado à Idade Média e, como sempre, tratado como um elemento hostil. Depois de provar seu valor, o que implica em destruir um desmorto, Ash é aclamado e, com ajuda do Sábio, conselheiro de Lorde Arthur (“lorde”, não “rei”) descobre um meio de voltar a sua época. Como não poderia deixar de ser, esse meio envolve o famigerado Necronomicon. E lá vai o anti-herói uma vez mais se embrenhar na floresta, onde se depara com antigas e novas ameaças (o que inclui uma contraparte maligna, o “Evil Ash”). Chegando ao livro, Ash deve recitar 3 palavras mágicas (“klaatu barada nikto”, tiradas de “O dia em que a Terra parou”, de 1951) para poder manuseá-lo com segurança. Mas erra a última e provoca o despertar do tal “exército dos mortos” do título. Devido ao excesso de humor (e a quase total ausência de bizarrices como as dos anteriores), esse é considerado um filme “menor”, quase uma “Sessão da Tarde”. Eu, particularmente, vejo como uma conclusão bem digna da série, que põe no bolso muito blockbuster feito hoje. Em tempo: se puder, procure o desolador (e muito mais engraçado) final original.

* Por Leilson de Souza (@NostalgiaNao)


quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Feitiço do Tempo (1993)

GROUNDHOG DAY
Direção: Harold Hamis
EUA, 1993




Para celebrar a volta do blog, escolhi uma obra que já estava precisando rever há algum tempo e que tem lugar cativo na minha memória cinematográfica. Trate-se de um filme que quem já viu, certamente guarda uma boa lembrança, nem que seja lá no fundo do cérebro.

“O Feitiço do Tempo” (Groundhog Day) é uma película que de tão despretensiosa se torna inesquecível. Porquê? Explico com prazer. A direção assinada pelo ex-Caça Fantasmas Harold Ramis se diferencia, pois não vemos nenhum “vício” de diretor na tela.

Comparado com o que assistimos hoje, esse filme parece até que não é dirigido por ninguém, ele simplesmente nasceu, tinha que acontecer. É aquele caso raro de simples, porém genial.

De quebra ainda temos o sempre versátil Bill Murray (também ex-Caça Fantasma) em uma atuação primorosa. E quem acha que ele só virou bom ator depois de velho é porque nunca viu esse filme.

A história é simples e, como já disse, despretensiosa. O repórter climático de uma emissora de médio porte, Phil Connors (Murray), é enviado para uma pequena cidade onde deve cobrir uma festa local, o Dia da Marmota (daí o título original).


Após cobrir o evento há 2 anos, ele não esconde sua frustração em fazer serviço pela terceira vez. Até que algo mágico acontece: os dias e as situações estão se repetindo. Sempre que ele acorda é o mesmo dia de novo, o da festa da marmota.

Durante essa introdução, conhecemos Phil e sua indisfarçável arrogância e má vontade, sua doce produtora Rita (Andie MacDowel) e o câmera man Larry (o sempre animado Chris Elliot).

A partir daí tem início a melhor parte do filme. Depois que percebe que está preso todo dia no mesmo dia, Phil vive um misto das mais diferentes sensações. Surpresa, irritação, raiva, angústia e até prazer. Tudo, sempre, com muito humor.

Não demora o repórter ranzinza se encanta por sua produtora, Rita. O problema é que ele só tem um dia para conquistá-la, portanto se desdobra e começa a dedicar todos os momentos para tal missão.

A entrega e a atuação de Murray são geniais. A transformação do personagem (de arrogante para bom moço) é algo fora do comum quando o assunto é comédia romântica made in USA.
Já a bonitinha Andie MacDowel está na sua melhor atuação, pelo menos falando dos filmes que vi dela, que são poucos.

O argumento da história não se baseia em vodu ou magia para explicar o feito, muito pelo contrário. Mas não vou revelar o “segredo” para não estragar a surpresa de quem é de outro planeta e ainda não viu essa novela primorosa sobre a vida privada.

“O Feitiço do Tempo” é o clássico exemplo de filme que não envelhece, mesmo sendo reprisado no Intercine mais de 1.000.000 de vezes. Ele fica na memória de quem assiste, vindo à tona e sendo lembrado várias vezes durante toda a vida.

Um estudo sobre crescimento e as mudanças que o amor pode trazer na vida de uma pessoa; é isso que essa mágica película representa. E o melhor: fugindo do conceito americano de romance.

Abordar o tema com humor e fazer bonito é tarefa complicada. Ponto para o diretor Harold Ramis, que aqui cumpre sua missão com êxito.



Na volta do Estranhezas, você pode ganhar um Pôster no Pânico 4

Depois de alguns meses de recesso, o nosso querido Estranhezas Cinematográficas ressurgiu das cinzas, voltando a ativa nesse dia 5/5/2011!!! Peço desculpas pela falta de atualizações, tive alguns contra tempos, como mudanças e trabalhos que seriam impossíveis de conciliar com o blog; que pede muita pesquisa e tempo. E a minha pessoa sempre quer levar o melhor conteúdo para vocês, amantes da sétima arte.
Para celebrar esse momento mais que especial, vou sortear um Pôster de Cinema do recém lançado Pânico 4 (que em breve terá seu espaço aqui!) pelo twitter. Para participar é simples:



1 Basta ter uma conta no Twitter

2 Ser seguidor do nosso perfil @cinemaestranho

3 Dar RT na mensagem; Eu quero ganhar um Pôster de Cinema do Pânico 4 do @cinemaestranho http://kingo.to/ALH

4 Não esquecer de postar o link também (ele é usado no sorteio)


O Sorteio será feito na segunda-feira (9/05/2011) pelo site sorteie.me (sorteie.me)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Curtinhas de Léo Castelo Branco - Parte 3 - A volta




Os Mercenários (The Expendables,EUA,2010)

Stallone em plena forma+viagem no tempo+nostalgia boa= Um autêntico FILME PRA MACHO!

Quando surgiram os créditos inicias e os nomes de peso do cinema de ação pipocando na tela me senti aliviado, pois era o sinal que minha ansiedade estava para acabar. Como muitos, esperei bastante para ver o resultado dessa união de testosterona, e aguardava um verdadeiro FILME PRA MACHO!!! As críticas por aí estão muito divididas, alguns amaram outros odiaram. Eu gostei. O filme cumpriu com êxito seu objetivo que era entrar na máquina do tempo e reviver aquele velho cinema de ação dos anos 80. Explosões de exércitos inteiros, piadinhas sem graça (tão sem graças que se tornam hilárias!!), resgate da mocinha revolucionária, um traidor dentro da equipe, um malvado ditador latino americano e bala pra tudo quanto é lado!!! Está tudo lá, dentro de um roteiro pífio que beira o ridículo, mas história pra que? Com um time desses a diversão está garantida. O filme ri de si mesmo, se leva na brincadeira, e é ai que está a graça toda da coisa. A cena em que temos Bruce Willis, Stallone e Arnold Schwarzenegger reunidos é impagável e de total improviso, mas o filme reserva surpresas muito melhores e dignas de uma imensa nostalgia. Que saudade de filmes como “Duro de Matar”, “Comando para Matar”, “Rambo – Programado para matar”, “Máquina Mortifera” e “Robocop”. Em “Os Mercenários” o humor é evidente, mas o que me invadiu mesmo e vale ressaltar, foi a nostalgia, que falta fazem os filmes de ação de um tempo pré-CGI, depois dos efeitos especiais parece que os cineastas, em grande parte, se tornaram mais preguiçosos e passaram a valorizar menos o talento humano. Outro fato que o espectador deve notar é que "Os Mercenários" é de Stallone e Jason Stahan, o resto do elenco são coadjuvantes de luxo que aparecem nas horas certas, devidamente armados até os dentes ou com golpes e malabarismos cheios de estilo. O destaque especial fica para Terry Crews, o ex jogador de futebol americano se superou em uma de suas melhores atuações, que com certeza deve abrir as portas para ele no cinema de ação. Apesar de serem estilos diferentes, acho Crews muito mais carismático que Stahan que ficou com o "papel principal". Os defeitos existem. O principal deles é a falta de mortes, principalmente dos atores do alto escalão, também é estranho todas as estrelas estarem no mesmo time, com uma exceção que não é tão exceção assim - quem não viu vai descobrir. Mas somando tudo valeu esperar esse legítimo FILME PRA MACHO, ele chegou onde queria. E para os que não gostaram, encarem a vida com mais bom humor!!

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JVCD (Idem,França,2008)
Um novo Van Damme+Belíssima fotografia+Desabafo= um filme inimaginável

Surpreendente! Esse é o adjetivo para descrever o belga Jean-Claude Van Damme numa atuação nunca antes vista, vivendo ele mesmo. Isso mesmo. A história mostra a decadência do ator refletida no seu cansaço, forma física e em sérios problemas como a perda da guarda da sua filha. Portador de uma fotografia cinzenta, muitas vezes incolor, ”JVCD” é um drama forte e com personalidade do começo ao fim. Já imaginou Van Damme num filme assim? Nem eu. O resultado dessa “loucura” é sublime e se você não gostar, vai pelo menos ver uma obra completamente diferente de todas que o mestre do filmes de pancada já encarnou e só por isso “JVCD” já vale a exibição. Outro ponto forte do filme é poder ver e até sentir o descontentamento de Van Damme com a mídia em geral. Em um certo momento ele faz uma oração e seu corpo se eleva como num sonho, então Jean-Claude desabafa e derrama lágrimas que, com certeza, são sinceras e verdadeiras. Ele fala sobre tudo que já citei e mais um pouco. Essa cena ficou martelando na minha cabeça depois que a sessão acabou, quem diria que o astro de filmes como “Timecop” (“Guardião do Tempo” no Brasil) e “Grande Dragão Branco”, obras essas com grande aceitação popular e exibidas exatas 4300.857 vezes na TV aberta estrelaria uma película tão próxima da realidade como essa. Em uma frase: eu não perderia se fosse você!

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Cloverfield – Monstro (Cloverfield,EUA,2008)
Caos+medo+gritaria= Mais do mesmo

Ainda não entendi por que tanto barulho por esse “disaster-movie”, com elementos já usados anteriormente em “Cannibal Holocaust” e copiado descaradamente em “A Bruxa de Blair”. A mistura desses gêneros sob a ótica do diretor Matt Reeves não me agradou e apesar de todo marketing viral feito antes do lançamento do filme em 2008, só resolvi vê-lo agora e ainda pela coincidência de encontrá-lo passando em um canal de TV a cabo. Não me arrependi. A obra é um amontoado de gritaria, caos, medo e...mais gritaria. Tudo isso registrado por uma pequena câmera portátil, assim como já vimos em outros filmes do gênero, só que agora o terror atinge toda a Big Apple e temos um monstro ao estilo Godzilla destruindo tudo o que vê pela frente. O filme narra a história de cinco jovens, um deles está de mudança para o Japão (terra dos verdadeiros monstros gigantes!!!) e tudo começa na festa de despedida do dito cujo. Um dos seus colegas fica encarregado de filmar tudo o que acontece na festa e não demora muito para a ação começar. O ponto alto da película é mostrar o caos que toma conta de NY de uma maneira diferente, com uma fotografia bem obscura e ousada, mas não adianta porque o resto não empolga. Os personagens também não são nem um pouco carismáticos e o roteirista Drew Goddard deixa eles tão apequenados perto do terror e do próprio mostro que eu não me recordo o nome de nenhum deles. Talvez essa tenha sido a intenção dele e dos produtores, mas eu senti falta, ficou uma espécie de vazio. O monstro, personagem principal, vai sendo mostrado aos poucos e no final também não é grande coisa. Muito efeito especial por nada. “Cloverfield – Monstro” é uma tentativa do cinema americano de fazer, mais uma vez, um filme com grandes monstros só que peca pela falta de originalidade, tentando reinventar a roda sem sucesso.

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O Bebê de Rosemary (Rosemary's baby,EUA,1968)
Suspense com pitada de horror+mistério envolvente+roteiro impecável= Um dos melhores filmes da história

Taí um verdadeiro exemplo de cinema clássico e único. O diretor polonês Roman Polansky, ainda um cineasta em acessão na época, se consolidaria com essa obra de suspense com pequenas pitadas de horror. O casal Guy (Joe Cassavetes) e Rosemary Woodhouse (Mia Farrow) está de mudança para o seu novo apartamento e logo esperam ter um filho. Tudo vai de vento em poupa até conhecerem o casal de vizinhos Minie (Ruth Gordon, no papel que lhe rendeu um Oscar) e Roman (Sidney Blackmer) e pioram ainda mais depois que Rosemary fica grávida de fato. Ela começa a ter sonhos estranhos, ouve barulho nas paredes e enquanto isso o espectador fica sem saber no que acreditar. Sonho ou realidade? Seriam os vizinhos culpados? O marido? Uma história encaixada com milimétrica perfeição em um roteiro maravilhoso, também escrito por Polansky, que deixa o espectador com um senso de ambiguidade na cabeça. Se você não é dessa galáxia e não viu essa obra única, faça como eu, alugue!!!

Escrito por Léo Castelo Branco

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Hora do Pesadelo 3 - Guerreiros dos Sonhos (1987)

A NIGTHMARE ON ELM STREET 3: DREAM WARRIORS
Direção: Chuck Russel
EUA, 1987




“Sonhos essas pequenas fatias de morte. Como as odeio.”
- Edgar Alan Poe.


Com essa frase e aquela música tétrica da série que começa “A Hora do Pesadelo 3 – Guerreiros dos Sonhos”, um filme divertido e que tem seus momentos brilhantes, porém peca por cair em clichês ridículos. Já reparou como isso é normal em filmes de terror? Mesmo assim esse continua a ser, de longe, meu gênero cinematográfico preferido.



Diferente dos dois primeiros filmes da série, nessa terceira parte, Freddy está um pouco mais “simpático”, falante e piadista, mas como sempre carregando seu trágico humor negro habitual. Nada mal a princípio, o início é até empolgante, do meio para o fim que a coisa descamba, mas deixaremos essa parte para o final.

Robert Englund, nunca decepcionou no papel de Freddy, se há vacilos em alguns episódios da série é culpa de roteiristas incompetentes e diretores medíocres que acabaram com toda estrutura do personagem, simplesmente viajando na maionese. Quer um exemplo? O fracasso da segunda parte em que os realizadores “gênios” trouxeram Freddy para o mundo real, assassinando o que a série tem de mais criativo, o mundo dos sonhos.

Nessa terceira parte, temos a volta de Nancy (Heather Langenkamp), que para quem não sabe, foi ela a mocinha do primeiro filme da série. Seis anos depois e com mechas brancas, a heroina reaparece para ajudar a última geração de adolescentes da Rua Elm que estão enfrentando problemas com pesadelos.

Logo na primeira cena do filme a jovem Kristen (Patricia Arquette) sonha com o já habitual mundo de Freddy, com direito a um ambiente repleto de jovens mortos e pendurados pelo pescoço, um cenário doentiamente belo, mas doentio que belo, certamente.



Após ter o pulso cortado por Freddy em seu sonho, Kristen acorda. E, logo é internada por sua mãe em uma clínica junto com jovens que a princípio também parecem que tentaram se matar. É aí que conhecemos os personagens secundários da trama.

Atenção, contagem de clichês ambulantes: um paralítico, um mudo, um negro, uma jovem viciada, um designer de marionetes (e típico idiota americanizado!!) e uma guria que sonha em ser atriz de TV. Pasmem, esses são os guerreiros dos sonhos!

Os jovens são tratados pelo Dr. Neil Gordan (Craig Wasson) que não sabe mais o que fazer, só que com chegada de Nancy Thompson, a personagem sobrevivente do filme original, as coisas mudam. Ela é única que acredita que os adolescentes estão sendo mortos por Freddy e fica até metade da exibição tentando convencer o doutor de que monstro existe e mata pra valer!!!



Enquanto isso, nosso mestre do horror se diverte acabando com suas vítimas. Em uma de suas “brincadeiras” mortais ele sai de dentro da TV, com antenas na cabeça (!!!) e antes de enfiar toda a pobre garota dentro da televisão solta a pérola:“Bem vinda ao horário nobre, vadia!”. Essa passagem, com certeza, está imortalizada na mente e nos sonhos dos fãs do mestre dos pesadelos.

Outro exemplo desse novo e serelepe Freddy Krueger é a sequência em que ele entra no doce sonho da viciada. Suas garras viram seringas cheias de heroína, que ele injeta na moça e enquanto ela morre, ele ainda blasfema:“Que viagem!”. Fantástico!!!

Chega a dar nostalgia quando vemos o Krueger do século XXI. E me pergunto, será que Michael Bay viu os primeiros filmes da franquia? Ao que parece não.

“A Hora do Pesadelo 3 – Guerreiros dos Sonhos” é um filme que tem suas pretensões e uma história que poderia ser muito bem explorada, mas não foi, falto um algo a mais, a tal cereja do bolo.

A partir do momento em que os jovens da clínica formam um time que luta contra o malvadão Freddy Krueger, o ritmo descamba e tudo parece mais com uma fantasia infantil do que o propriamente um filme de terror.



Dá para acreditar que cada personagem tem um poder especial nos sonhos? O negro tem uma super força, o aleijado pode andar, a viciada vira uma cyber punk (que poder é esse!?) e Kristen, aqui a personagem principal, pode trazer pessoas do mundo real para os seus sonhos. Assim, o filme se perde na sua própria pretensão e nos minutos finais temos mais efeitos especiais do que qualquer coisa. Um show visual, porém muito vazio de conteúdo.

O roteiro também tem as suas reviravoltas. Por exemplo, uma freira idosa aparece o tempo todo para o Dr. Neil, em cada aparição ela vai revelando a história e quem realmente foi Freddy Krueger. Pergunta: por que ela não aparece para Nancy ou para os jovens, já que eles , ao que parece, tem essa sensibilidade e que pouco a pouco estão sendo retalhados? A tal freira tem um papel de suma importância na trama, quem não viu veja, porque não vou revelar maiores detalhes.

Importante frisar que esse terceiro filme da série marca uma nova Era para Freddy, agora ele passa a matar suas vítimas, quase sempre jovens, baseando-se em suas características, como as mortes da viciada e da menina que sonha em ser estrela de TV já citadas.

A partir daqui, seu personagem virou um produto e os jovens atores verdadeiros clichês ambulantes, muitas vezes sem graça alguma. O que me mantém feliz é saber que Freddy (quando interpretado por Englund) nunca perdeu uma boa piada e sempre soube fazer a alegria de seus fãs.

Robert Englund merece uma estátua em Hollywood, sua interpretação é de extrema maestria, e em todas as ocasiões em que vestiu a luva com garras, o velho chapéu e o habitual pulôver rubro-negro, fez valer o preço das entradas. Então, por que estragar tudo, hein Michael Bay?



“A Hora do Pesadelo 3 – Guerreiros dos Sonhos” é diferente (diferença que se arrasta para os posteriores filmes da franquia) porque trouxe um Freddy mais comunicativo e o resultado não é ruim não, pelo contrário, eu gostei. Sei que muitos fãs xiitas podem me xingar, mas vou correr esse risco, afinal, vida de crítico de cinema é assim, ainda mais em uma área tão restrita como a do cinema fantástico.

Freddy virou um anti-herói e, é impossível não notar seu carisma nessa película, que economiza nas mortes e ganha no humor negro. Essa terceira sequência ficou mais cômica e adaptada para conquistar um público maior, o que de fato aconteceu.

O filme não é uma das mil maravilhas, só que prende a atenção do espectador, pelos menos até a metade da exibição e consegue arrancar algumas reações positivas e risadas com as frases célebres do maior vilão do cinema de horror: Freddy Krueger.

Texto escrito por Léo Castelo Branco

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Crítica rápida: À Prova de Morte e uma tarde no Espaço Unibanco

DEATH PROOF
Direção:Quentin Tarantino
EUA, 2007




Nesse último sábado, estive no Espaço Unibanco de Cinema em São Paulo, bem próximo a Avenida Paulista, para conferir o filme de Tarantino “À Prova de Morte”, obra de 2007 que só apareceu por aqui três anos depois do seu lançamento lá fora. E pra variar nós estamos sempre atrasados, né?!

Mudando de assunto, eu não poderia deixar de falar do Espaço, uma bela iniciativa do Unibanco em prol ao cinema. O local é convidativo, tem até um pequeno bar onde o povo costuma sentar e conversar após a sessão, algo que é muito comum na Europa.

Os preços das entradas são um pouco salgados (R$ 18,00 inteira e R$ 9,00 meia), mas vale a pena porque a sala é bem ampla e as cadeiras são muito confortáveis. Em frente ao Espaço ficam alguns ambulantes que vendem DVDs de filmes de arte, livros e outras quinquilharias culturais.

O único defeito são os banheiros, ou melhor, o banheiro. Só tem um, por incrível que pareça, e ainda por cima fica aquela fila métrica de gente apertada. Mas é algo facilmente esquecido quando pensamos no bem estar da cultura.

Agora falando do filme, Tarantino é Tarantino, só que aqui não me agradou muito não. A história é bem simplória, um dublê (Kurt Russel) persegue grupos de garotas no seu belo Camaro e é basicamente isso (e mais um monte de blá blá blá...), claro que tem o charme “Tarantinesco”.



Kurt está muito bem no papel do Dublê Mike, um verdadeiro canastrão. Mas só isso é pouco, as cenas são muito longas, com diálogos em 90% das vezes referentes á drogas ou sexo. Tá, eu sei que é o estilo Tarantino, tudo bem, mas quando quatro pessoas deixam a sessão no meio da exibição é porque algo não está bem.

E não estava. A minha esperança de um bom filme foi por água a baixo com as longas conversas que não mudaram em nada o destino do filme, algo até comum hoje em dia, só que dessa vez senti um exagero.

A película é cansativa até para o estilo de Tarantino, ela se arrasta por longas duas horas, podendo ser resolvida muito bem em 90 minutos. Já aviso para quem pensa que vai ver perseguições ao estilo “60 segundos”, pode esquecer. O filme é totalmente parado, propiciando ao espectador poucas cenas interessantes.

Alisando a fotografia também de Tarantino, juntamente com a direção de arte, temos nada menos que a perfeição. Uma sincera e maravilhosa homenagem aos anos 70 e os filmes de velocidade dos 70 - também com diversas citações. Tarantino brinca de fazer cinema mais uma vez, e esse é o ponto alto do filme: a sua liberdade poética e sua estética. O roteiro e os personagens sem o menor carisma deixam muito desejar.

“À Prova de Morte” é, em suma, uma embalagem muito bonita, porém sem conteúdo.

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sábado, 31 de julho de 2010

Sede de Sangue (2009)

BAKJWI
Direção:Park Chon-wook
Coréia do Sul, 2009




Se você é daqueles fãs xiitas de filmes de vampiros e ainda não viu "Sede de
Sangue”,
então faça qualquer loucura para encontrar essa jóia rara que merece um destaque especial aqui no Estranhezas Cinematográficas por três motivos:

1) É único quando o assunto é vampiros no cinema.
2) É divertido e asqueroso ao mesmo tempo.
3) É uns dos filmes mais intensos já vistos por Léo Castelo Branco.


Bom, para começar, li umas críticas por aí e vi que meus amigos analistas cinematográficos em sua grande maioria classificaram esse filme como multi-gênero. Pois bem, vou totalmente na contramão, porque além de “Sede de Sangue” ser um filme único, na minha visão, criou um gênero único também.

Os takes do diretor sul-coreano Park Chon-wook (diretor do comentado “Oldboy”) são esplendidos, a câmera também é um personagem da trama, só falta conversar com os personagens, os seus movimentos é que dão velocidade aos diálogos e ações.



Esse estilo é a marca de Park, mas diferente de “Oldboy” e suas outras obras, aqui o diretor brinca com o fantástico de maneira vezes lúdica, vezes doentia. Algo que ele realmente nunca havia feito, surpreendendo mais uma vez.

A história começa quando o padre Sang-hyeon (Song Kang-ho, de O Hospedeiro), um homem com anseio de fazer o bem, arrisca sua vida se inscrevendo como cobaia para testes na pesquisa de uma doença incurável. Até então, nenhuma das pessoas que se inscreveram para o projeto sobreviveram. Porém, Sang-hyeon consegue resistir inexplicavelmente aos testes realizados com ele.

Logo ele começa a notar diferenças no seu metabolismo, ganha poderes, aversão ao sol e a necessidade de se alimentar de sangue humano para manter a doença sob controle. Sintomas clássicos do vampirismo.



No começo o padre-vampiro só suga sangue de doentes terminais e suicidas, mas pouco a pouco ele vai se transformando em um monstro, cada vez mais sedento por sangue, no melhor estilo Nosferatu.

No segundo ato somos a apresentados ao seu amigo de infância Kang-woo (Ha-kyun Shin), sua esposa Tae-ju (Ok-bin Kim) e sua mãe Lady Ra (Hae-sook Kim). Desse núcleo derivam uma série de situações inusitadas, bem ao estilo do diretor Chan-wook, tudo muito intenso e sentido.

O filme segue e vemos uma bonita história de amor banhada com muito sangue, é claro. Essa história é o fio condutor da película, mas não vou revelar mais detalhes para não perder a graça, porque quem conhece as obras de Park sabe que nada é por acaso e tudo tem um porquê.



Cenas fortes são uma constante nos filmes do diretor sul-coreano, por isso, para quem gosta, “Sede de Vingança” é um prato cheio com direito a entrada e sobremesa. O vampirismo é tratado de maneira carnal e erótica, impossível não sentir um clima perturbador desde que a fita começa a rolar.

Essa é uma película para quem tem a mente aberta, definitivamente passa longe dos estereótipos de Hollywood e consegue marcar o espectador com cenas que ficam na memória, mesmo que, quem assista não queira rever o filme por um bom tempo.

Como já falei, a obra consegue ser engraçada em alguns momentos, mas nunca fugindo do seu objetivo nostálgico, esse fato é que diferencia essa das outras obras do diretor oriental. Em “Sede de Sangue” Park Chon-wook mostrou ao mundo que hoje ainda é possível ser original, ainda mais em um gênero tão explorado.

Concluindo: “Sede de Sangue” é o filme que “Crepúsculo” quer ser quando crescer.

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Duro de Matar: o filme de Natal mais explosivo de todos os tempos

Porque o espírito de um filme de natal pode estar no lugar mais inesperado. Todo ano é mais coisa. Em meados de outubro, surge uma leva de f...